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XXXI Semana Bíblica Nacional

 

“S. PAULO, APÓSTOLO DA PALAVRA”

 

A propósito da XXXI Semana Bíblica Nacional, o frei Lopes Morgado, chefe de Redacção da revista BÍBLICA,

deu uma entrevista à jornalista Lígia Silveira, da Agência ECCLESIA, que pode ver no respectivo site e no boletim desta semana. Reproduzimo-la aqui, no fundamental, com algumas imagens.

 

– Sendo este ano dedicado a Paulo, e havendo várias iniciativas e propostas para reflexão e aprofundamento, era incontornável dedicar-lhe também esta Semana Bíblica?

 

– A Semana Bíblica não foi organizada para cumprir calendário a pretexto do Ano Paulino ou do SínodoAclamação à Palavra. Foto Adelino Soares dos Bispos sobre a Palavra de Deus, pois já realizámos mais trinta antes desta. Mas, na deste ano era de facto incontornável falar de S. Paulo, pois é nosso critério tratar, sempre que possível, temas relacionados com acontecimentos ou problemas da actualidade, antecipando-os com a reflexão bíblica e dando às pessoas “ferramentas” de análise e de acção a partir da Palavra de Deus. Isto, porque o Concílio Vaticano II disse, há 43 anos, que toda a pastoral da Igreja se deve alimentar e fortalecer com a palavra da Sagrada Escritura.

 

Foi o caso dos temas relacionados com o Sínodo da Igreja sobre a Reconciliação, o Ano Mariano, o Ano Internacional da Família, os 100 e nos 50 anos, respectivamente, das encíclicas de Leão XIII e Pio X sobre a Sagrada Escritura, o Ano Internacional da Mulher, a preparação e celebração do Jubileu do ano 2000, os 90 anos das Aparições em Fátima… e agora S. Paulo.]

 

– O que se pode descobrir com São Paulo?

 

– Antes de mais nada, interessa descobrir o próprio S. Paulo: a sua vida e a sua mensagem. Para isso, é preciso ler as 13 Cartas que lhe são atribuídas e a 2ª parte dos Actos dos Apóstolos, centrada na sua vida e actividade missionária.

 

Ao descobrir S. Paulo, descobrimos um homem honesto, corajoso e consequente. No Judaísmo, integrava o grupo dos fariseus, os mais exigentes e zelosos seguidores da Lei ou Torá: “No que toca à Lei, fui fariseu.” Uma vez «iluminado» e «conquistado por Cristo», fez dele a sua vida: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. E a partir daí, anunciou-O a todos com o entusiasmo de um apaixonado: “Ai de mim, se eu não evangelizar!”

 

A partir daí, e se estivermos disponíveis ou interessados nisso, poderemos descobrir-nos a nós mesmos e até passar por um processo de transformação muito próximo do seu, que o levou de perseguidor de cristãos a Apóstolo de Cristo.

 

– Há quem considere São Paulo um “fanático” e quem o acuse de “trair” o judaísmo.

 

– Temos de reconhecer que o seu ADN humano, cultural e espiritual, Paulo se prestava para ele vir a ser um fundamentalista fanático; mas, a luz nova recebida na vocação em Damasco, fê-lo ultrapassar tudo e seguir a caminhada que o judaísmo era chamado a fazer até Cristo.

 

Para isso, teve de enfrentar os judaizantes, seus irmãos de raça, que pretendiam continuar a impor as práticas e leis antigas, nomeadamente a circuncisão. O seu critério está escrito na Carta aos Gálatas: “A Lei foi nosso pedagogo até Cristo, para que fôssemos justificados pela fé; uma vez, porém, chegado o tempo da fé, já não estamos sob o domínio do pedagogo”. Quer dizer: já não estamos sujeitos ao Antigo Testamento. Cristo é uma Nova Aliança e uma Nova Lei – na sequência das anteriores, sem dúvida, mas de forma nova e plena; pois não veio abolir a Lei nem os Profetas antigos (como dirá S. Mateus, outro judeu), mas conduzi-los à perfeição, pondo espírito e amor onde antes havia demasiada letra e servilismo.

 

De facto, os seus irmãos judeus nunca perdoaram a Paulo esta “traição”, perseguindo-o de todas as formas. Mas podemos dizer que ele foi o judeu mais fiel ao judaísmo, pois o papel “privilegiado” do povo hebreu na História era ser luz para conduzir todos os povos até Cristo.

 

Que facetas do Apóstolo foram reflectidas durante esta Semana Bíblica?

 

– Tudo isto e muito mais foi estudado profundamente por vários especialistas portugueses, da Universidade CatólicDr. P. João Alberto Sousa Correia, UCP de Braga, acompanhado pelo frei Manuel Arantes. Foto Adelino Soaresa de Lisboa, Porto e Braga, do Instituto Superior de Teologia de Évora e de outras frentes de reflexão e acção. Após a apresentação geral com o DVD “EU, Paulo” realizado pela LOGOMEDIA com texto meu, foram desenvolvidos oito temas, dois de cada uma destas áreas: Paulo, quem és Tu?, Cristo segundo Paulo, Viver em Cristo, Paulo e as Igrejas.

 

A Semana terminou com a Eucaristia presidida por D. António Couto, bispo auxiliar de Braga, que na sua Conferência tinha falado de uma pequena frase de Paulo muito actual para a Igreja de hoje: “Cristo não me enviou a baptizar, mas a pregar o Evangelho” (1 Cor 1,17a). Para não se cair num entendimento simplista sugerido apenas por meio versículo, o conferencista situou esse versículo 17 – “difícil, embora não pareça”, disse – no conjunto dos versículo 10 a 25 e do resto desta e de outras Cartas; para dizer que, na visão do Apóstolo, a celebração dos sacramentos, nomeadamente do Baptismo e da Eucaristia, ao anunciarem a morte/vida de Cristo, são autêntica evangelização. E concluiu, citando a Conferência Episcopal Italiana em Nota Pastoral de 2005: “A Evangelização é o fundamento de tudo e deve ter o primado sobre tudo.” Frase que, levada a sério, mudaria grandemente a pastoral e o panorama religioso da Igreja, no nosso país…

 

– Que actualidade tem a mensagem de Paulo?

 

– Muita! Primeiro, porque, numa hora em que a evangelização é necessária e as pessoas ouvem mais as testemunhas do que os mestres, interessam testemunhas comParte da Assembleia no Salão do Seminário do Verbo Divino. Foto de frei João Santos Costao ele, e não apenas pregadores. Depois, porque a Europa – com Portugal bem incluído! – é novamente um território de “pagãos” a precisarem não apenas de uma nova evangelização (palavra gasta de tão repetida, sem consequências à vista), mas de um primeiro anúncio do Evangelho!

 

Iludimo-nos durante muitos anos com a “piedade popular” e a “prática religiosa” no tempo da cristandade, e descurámos a formação da fé para os tempos de uma sociedade secular. E ainda continuamos a querer que todos recebam os sacramentos, sem exigir uma catequese que dê razões à fé, inicie na prática cristã e comprometa na comunidade. E com que resultado? As igrejas esvaziam-se, mesmo daqueles que acabam de receber o Crisma, e a vida não é inspirada nem questionada pela fé.

 

– Que visão partilhava Paulo, na sua doutrina?

 

– Paulo partilhava uma visão sem fronteiras, verdadeiramente universal ou “católica”: Deus ama a todos e não apenas a um “povo eleito”, como os hebreus pensavam; em Cristo, somos todos irmãos, porque filhos do mesmo Pai. A aplicação deste critério elimina quaisquer barreiras ou privilégios entre judeus e gentios, servos e senhores, homens e mulheres. Por isso, tal como não foi um fundamentalista, Paulo também não foi misógino, esclavagista; só quem não o leu poderá dizer isso.

 

Pelas Cartas e Actos, sabemos que o Apóstolo teve alguns erros pontuais de visão ou estratégia pastoral, e sofreu dissabores por isso. Mas, no contexto em que viveu e agiu, foi um verdadeiro cidadão do mundo: acolhendo e promovendo as diferenças, trabalhando em equipa e aceitando entre os seus colaboradores homens e mulheres indistintamente, respeitando os valores locais, não pretendendo dar valor universal às soluções concretas, mas apontando sempre e em tudo para o essencial – Cristo. «Enquanto os judeus pedem sinais e os gregos andam em busca da sabedoria, nós pregamos um Messias crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios. Mas, para os que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é poder e sabedoria de Deus”, diz ele em 1 Cor 1,23-24.

 

– Como passar da reflexão teológica para os desafios actuais?

 

– Esse é o desafio que os mais de 350 participantes levaram para casa. Lembro que nesta Semana estiveram mais de 30 sacerdotes, bastantes deles jovens e quase todos com responsabilidades pastorais a vários níveis; leigos comprometidos na catequese, na dinamização bíblica, na acção sociocultural e no ensino; irmãs e irmãos de diferentes comunidades religiosas e colégios.

 

A Semana deu-lhes uma fundamentação mais sólida e uma visão mais ampla; agora, nos seus locais de vida e acção, ser-lhes-á mais fácil programar um plano consequente de formação bíblica, tendo em conta a opção e orientação de conjunto da respectiva diocese. E muitos já se reuniram aqui para reflectir e programar Grupos Bíblicos e Escolas Bíblicas paroquiais.

 

– Houve algumas Conclusões, como fruto desta Semana?

 

– Desde há vários anos, deixámo-nos de propor Conclusões da Semana, pois na prática tornavam-se inconsequentes por falta de apoio dos responsáveis locais. Esperamos, com isto, obter melhor resultado; pois, conhecendo as bases da solução, cada um julgará da sua aplicabilidade concreta. Foi assim que Paulo fez: analisando a situação de cada comunidade, respondeu de um modo concreto aos seus problemas, com as propostas mais oportunas e possíveis no seu tempo.

 

A “receita” é esta; aplicá-la, já depende das capacidades e dos limites de cada um na sua circunstância. Com esta certeza: não basta saber e repetir ou citar os textos de Paulo; é preciso, primeiro, converter-se a Cristo como ele, e depois anunciá-Lo com a mesma convicção e urgência. Para que também hoje, como então, surjam comunidades vivas que O acolham, O sigam, O vivam, se deixem transformar por Ele e, por sua vez, O anunciem. Com a vida e com a palavra.

 

Cf. http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia_all.asp?noticiaid=63489&seccaoid=6&tipoid=33

 

02.09.2008

 

 
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