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Miguel Grilo... e como tudo começou!

 

 

Eu chamo-me Miguel Grilo e estou neste momento a fazer o Noviciado nos Frades Menores CapucFrei Miguel Grilohinhos em Cabo Verde. No entanto, antes de falar sobre o meu Noviciado acho pertinente falar um pouco da História que está por detrás desta vocação.

 

Nasci de uma família de 3 rapazes, sendo eu o mais novo. Os meus pais são pessoas católicas que frequentam a Igreja.

 

Nasci e vivi numa família da alta classe média onde nunca nos faltou nada (do que era essencial), no entanto sempre fomos habituados a não viver em luxos e a gastar só o necessário.

 

Durante a minha infância frequentei a catequese, tendo feito o Crisma. No entanto, foi por volta dos meus 12/13 anos que comecei a sentir um chamamento para a vida Sacerdotal. Visto ser um rapaz novo e estar consciente de que ainda era muito novo para tomar uma decisão tão importante que iria mudar a minha vida. Assim sendo, tentei esquecer esse chamamento e resolvi viver a minha vida normalmente. Devo admitir que tal foi impossível pois de tempos a tempos ouvia como que “Alguém a bater à porta” da minha consciência, bater esse que durou toda a minha juventude, no entanto cada vez com menor insistência, até que ao chegar à minha juventude (19 anos) consegui colocar de parte tal chamamento colocando na minha cabeça tal afirmação: “quando terminar a Universidade logo penso nisso”.

 

E até certo ponto consegui, de tal forma que comecei também ligeiramente a afastar-me de Deus e da Igreja, pois já não ia à igreja com tanta frequência, participava em festas que levavam à “perdição”, comecei a beber álcool com maior frequência, entre outras coisas (normais na juventude dos dias de hoje).

 

Felizmente Deus não me virou as costas e continuou a “bater à minha porta”, tendo como momento mais decisivo Janeiro de 2006, quando o Seu chamamento foi tão forte que me foi impossível resistir. Perante tal situação percebi que tinha que decidir naquele momento o que fazer, não dava mais para adiar, desta vez era para valer.

 

Levei 6 meses (desde Janeiro de 2006) a reflectir sobre o que seria o melhor para mim e qual a vontade de Deus para comigo. Após esse tempo percebi que Deus era muito mais forte que eu e que era impossível resistir à Sua sedução. Lembro-me agora de uma passagem Bíblica muito conhecida que diz:

 

“Tu me seduziste Senhor e eu deixei-me seduzir” (Jr 20,7)

 

No entanto, não foi fácil o confronto com a minha família e amigos. Apesar de a minha mãe me apoiar, todos os restantes reprovavam seriamente a minha opção. Destaco o meu pai e o meu irmão, que por diversas vezes me tentaram mostrar que este não era um caminho que levaria à felicidade. Vários amigos meus me instaram a mudar de ideias. Lembro-me ainda de uma amiga minha que ao saber de tal decisão chorou bastante sem se conformar, pois sentia-se “apaixonada” por mim.

 

Lutando contra tudo e contra todos decidi avançar, pois com Cristo a meu lado nada havia a temer.

 

Em Julho e Agosto conheci uma congregação religiosa Italiana que me acompanhou nesta minha caminhada vocacional. Estive depois 4 meses com eles onde tive a oportunidade de conhecer mais de perto o amor da nossa Mãe Celeste e também a espiritualidade religiosa.

 

No dia 10 de Janeiro de 2007 conheci os Capuchinhos em Fátima e após algum tempo de diálogo percebi que os seus ideais e os meus eram idênticos, viver segundo o Santo Evangelho em obediência, em castidade e sem nada de próprio.

 

Assim sendo resolvi conhecer de perto os frades e a sua congregação.

 

Após ter sido acompanhado pelo Ministro Provincial Frei Acílio Mendes e pelo Frei João dos Santos Costa, achou-se que eu estaria pronto a começar o Postulantado na Fraternidade do Porto. Deste modo entrei na fraternidade do Porto no dia 16 de Agosto e após algum tempo de adaptação/experiência ingressei no Postulantado no dia 16 de Novembro de 2007.

 

Desde a minha entrada no Porto até à minha entrada no Noviciado, que viria a ser no dia 23 de Agosto de 2008, tive como Mestre o Frei João Guedes da Silva, que me ajudou imenso na descoberta de Deus e de mim mesmo.

 

Após um ano de Postulantado na Fraternidade dos Capuchinhos no Porto, onde vivi com diversos frades que me ajudaram imenso nessa fase da minha caminhada, a Ordem aprovou o meu pedido de ingressar no Noviciado que iria ser realizado na Ilha Brava, em Cabo Verde.

 

Havia passado um ano e durante esse tempo o meu chamamento foi ganhando forma e começou a ficar cada vez mais nítido. Percebi que afinal a minha verdadeira meta não era ser Sacerdote mas sim Irmão (Frade). Compreendi que não me bastava ser Irmão de Cristo, era necessário ser verdadeiramente Irmão dos meus irmãos. No entanto não coloquei de parte a vontade de ser sacerdote mas vejo-a apenas como algo que virá por acréscimo como plano de Deus.

 

Veio então o tempo de me preparar e de me mentalizar para o Noviciado. Era tempo de deixar tudo definitivamente: família, amigos, bens materiais, riquezas,… enfim, tudo.

 

Quanto à família e aos amigos eu sei que não os perdi, pois estarão sempre nas minhas orações e no meu coração. Quanto aos bens materiais e às riquezas, fico feliz por perdê-los, pois é preciso que “percamos” tudo para encontrarmos Aquele que é “O Tudo” em nós e é preciso abandonar todas as riquezas para podermos encontrar o Verdadeiro tesouro que é Cristo, é Ele a verdadeira “pérola preciosa”.

 

Deixei então tudo sem hesitar e apanhei o avião para Cabo Verde a fim de começar o Noviciado.

 

Após ter chegado a Cabo Verde tive a oportunidade de ver, ainda que muito superficialmente, a cidade da Praia e uma parte da ilha do Fogo. Devo dizer que são de uma beleza extraordinária.

 

Fui então para a ilha Brava a fim de presenciar aos Votos temporários do Frei Euclides e para entrar eu e mais 3 outros irmãos para o Noviciado. São eles: Frei Ricardo Tinoco, português; Márcio Ramos, da Ilha de São Vicente; Gilson Oliveira, da ilha de Santiago.

 

Fui muito bem recebido na ilha, não só pelos irmãos que aguardavam a minha chegada mas também pelos habitantes que nela vivem. Antes de começar o Noviciado tive a oportunidade de conhecer uma parte da ilha, que por si só me deixou maravilhado com uma beleza tão grande.

 

O noviciado teve início na tarde do dia 23 de Agosto na oração das Vésperas (15:00 – devido a motivos pastorais). Assinámos um documento que comprovava a nossa entrada no Noviciado e recebemos um TAU, símbolo de São Francisco de Assis e da sua Humildade, sendo assim um símbolo que convida a ter São Francisco de Assis como modelo a seguir.

 

A partir daquele momento passámos a ser Frades Menores Capuchinhos, um momento muito importante na vida de qualquer frade, momento em que se começa uma nova caminhada em direcção à santidade através do exemplo deixado pelo nosso Pai Seráfico São Francisco de Assis.

 

No Domingo centrámo-nos na Profissão Temporária do Frei Euclides Pires, cerimónia muito importante que é marcada pela emissão dos votos de Obediência, Pobreza e Castidade, pela imposição do Hábito Capuchinho e pelo recebimento da Regra.

 

Começámos finalmente a nossa formação com o Mestre Frei Matias Silva na 2ªfeira (25 de Agosto). Nesta fase inicial a formação consistirá no estudo dos seguintes temas: História e Teologia da Vida Consagrada, História da Igreja, Sagrada Escritura, Escritos de São Francisco e História da Reforma Capuchinha. Estes últimos serão a base para o estudo e compreensão da Regra Franciscana e das Constituições dos Frades Capuchinhos.

 

Esta formação que estamos a receber torna-se assim uma preciosíssima ajuda para a criação de bons alicerces no coração destes frades que serão o futuro da Ordem.

Assim sendo, resta-nos agora entregarmo-nos nas mãos do Mestre a fim de podermos aprender com ele a descobrir o verdadeiro Espírito Franciscano Capuchinho.

 

 

Despeço-me assim com um abraço fraterno na Paz de Cristo deste vosso Irmão,

 

 

Ilha Brava – Cabo Verde, 02 de Setembro de 2008

 

 

Frei Miguel Grilo

 

11.09.2008

 

 
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