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Vigília do Espírito de Assis em Barcelos

 

Quando, em 25 de Janeiro de 1986, João Paulo II, anunciou, para 27 de Outubro seguinte, um encontro de jejum e oração pela paz com os responsáveis das Igrejas cristãs e das principais Religiões do mundo, justificou a escolha da cidade dizendo que Assis é “o lugar que a figura seráfica de São Francisco transformou num centro de fraternidade universal”. De facto, São Francisco, encarnou de modo exemplar a bem-aventurança proclamada por Jesus no Evangelho: «Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus» (Mt 5,9). O testemunho que ele deu no seu tempo, nomeadamente com o encontro com o Sultão Malik-al-Kamil, em 1219, continua ainda hoje, num mundo ensombrado por inúmeros focos de tensão e de guerra, a constituir um ponto de referência natural e um paradigma para todos os que cultivam o ideal da paz e do diálogo entre as pessoas, religiões e culturas.

 

Foi para rezar pela paz – tendo presente as perseguições de que os cristãos têm sido vítimas no Iraque e na Índia – fazendo memória desse encontro e da necessidade e possibilidade de diálogo entre todas as religiões, que na noite do dia 25 de Outubro mais de 150 pessoas, na sua maioria jovens, se juntaram na Igreja de Santo António, em Barcelos. Esta vigília de oração, preparada pelos jovens da Comunidade de Santo António, sobretudo da Jufra, do Grupo Adonai e do 10º ano da Catequese, contou com a participação activa do grupo “Ar Jovem” da Paróquia de Arcozelo, do grupo de Jovens de La Salle, do grupo Kumbaya e ainda de alguns jovens da Paróquia de Santa Maria Maior.

 

Grupo «Ar Jovem» oferece o "Perdão de Assis"

 

O primeiro momento foi preparado pelo grupo “Ar Jovem” e consistiu num gesto penitencial, fazendo uso da simbologia da água e numa atitude de quem dá o primeiro passo e oferece ao outro o perdão.

 

Numa vigília estruturado em quatro partes, partimos, finalmente, de coração purificado, à descoberta da «paternidade de Deus» que nos faz a todos, independentemente da raça ou religião, Irmãos. O grupo de jovens de La Salle ajudou-nos a viver este momento de descoberta através daquelas questões que, hoje como ontem, preocupam profundamente o coração de todos os homens: Qual o sentido e a finalidade da vida? Que é o pecado? Donde provém o sofrimento, e para que serve? Qual o caminho para alcançar a felicidade verdadeira? Que é a morte, o juízo e a retribuição depois da morte? Finalmente, que mistério último e inefável envolve a nossa existência, do qual vimos e para onde vamos?

 

Grupo de Jovens de La Salle

 

Distribuíram ainda pela assembleia papéis com compromissos muito concretos para que as pessoas levassem para casa e, ao longo da semana seguinte, tivessem na sua oração uma intenção específica. A mim, tocou-me rezar, de modo muito especial, pelos Irmãos Judeus.

 

Na segunda parte da vigília, partimos à descoberta da «bondade de Deus», procurando ver no rosto e nas atitudes de Francisco, quando foi ao encontro, em 1219, do sultão Malik-al-Kamil, um espelho dessa mesma bondade. Fizemo-lo através de um vídeo de dezassete minutos. Depois, essa descoberta de que é possível a convivência fraterna com o que é diferente ou pensa diferente de nós, foi vivida no gesto do abraço da paz com o convite a cada um ir pela assembleia ao encontro do desconhecido, abraça-lo e ficar junto dele.

 

Convictos então de que Francisco é um modelo que espelha a bondade de Deus e que a nossa forma de ir ao encontro do outro é também sem armas e sem preconceitos sentíamo-nos prontos a acolher o «Dom de Deus» que é Jesus Cristo.

 

Frei Manuel Pires (de pé) partilha uma reflexão com os Jovens. Ao lado do frei Manuel Pires, o frei Américo Pereira

 

Foi proclamado o Evangelho segundo São Lucas (6,17-36) e o frei Manuel Pires partilhou com os presentes uma reflexão em torno do amor aos outros, mesmo dos “inimigos”, dos que são diferentes ou pensam de forma diferente de nós. Acolher esse grande Dom de Deus para nós, que é Jesus, implica também acolher esse grande dom de Deus para nós, que é cada Irmão.

 

Por fim, sentíamo-nos gratos, por este Dom de Deus e com vontade de enaltecer «a grandeza de Deus», primeiro com os “Louvores ao Deus Altíssimo” (oração composta por São Francisco), proclamados do meio da assembleia pelos jovens do 10º ano da Catequese e pelos jovens da Paróquia de Santa Maria Maior e, depois, com uma paráfrase da oração de São Francisco diante do Crucifixo de São Damião, assumida pela Família Franciscana Portuguesa para nos conduzir nestes três anos de preparação para o Jubileu do ano 2009.

 

Seguiu-se um momento muito forte da vigília, que se prolongou por largos minutos, o tempo suficiente para que cada pessoa presente se dirigisse junto do Crucifixo, se ajoelhasse diante dele, o tocasse ou beijasse e contemplasse com reverência Aquele Cristo Crucificado mas, ao mesmo tempo, de olhos bem abertos, vivo, Ressuscitado, Deus que caminha connosco.

 

Crucifixo de São Damião

 

Seguiu-se a oração do Pai-Nosso e a bênção final. Todos estes momentos, profundamente vividos na intimidade com Deus e os Irmãos, foram intercalados com cânticos que a todos ajudaram a viver intensamente esta vigília de oração. Seja ela alimento para a vida e os encontros do dia-a-dia.

 

 

Frei Hermano Filipe

 

27.10.2008

 

 
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