<%@ Language=VBScript %> Ordem dos Frades Menores Capuchinhos

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Capuchinhos em Portugal

Introdução

Os Capuchinhos estão em Portugal há pouco mais de 50 anos. Mas a Ordem Capuchinha tem quase 500 anos. No ano de 1528, em plena consolidação de uma das mais extraordinárias alianças de continentes, povos e culturas que o mundo conheceu, por iniciativa do povo português - estávamos na época dos descobrimentos portugueses -, nascia a Ordem dos Frades Menores Capuchinhos. Um nascimento que é fruto do amor a São Francisco de Assis e que encontra, no dinamismo da sua maneira de viver o Evangelho, o segredo para se robustecer e dilatar pelos quatro cantos do Mundo.

1. Raízes

Buscar as raízes é importante, e também essencial, para descobrir a própria identidade e rejuvenescer cada dia.

Era uma vez...

A FAMÍLIA

São Francisco de Assis (1182-1226) deu origem a três Ordens Religiosas na Igreja, cada uma com a sua própria Regra de vida: a Ordem dos Frades Menores, a Ordem das Irmãs Clarissas (de clausura) e a Ordem dos Irmãos da Penitência (Ordem Terceira ou Ordem Franciscana Secular). Com o andar dos tempos, da tensão entre a fidelidade ao espírito da Regra primitiva e a fidelidade aos valores e interpelações de cada tempo e lugar, a Ordem dos Frades Menores ramificou-se em 3 Ordens diferentes, embora com a mesma Regra escrita por São Francisco em 1223: Frades Menores Conventuais, Frades Menores Observantes e Frades Menores Capuchinhos.

O NASCIMENTO

Os Capuchinhos nasceram, por assim dizer, na Província das Marcas (Itália) na Primavera de 1525 com o gesto de uma extemporânea «fuga do mundo conventual» decidida por um frade Franciscano Observante chamado Mateus de Báscio. Com um hábito pobre e de capuz pontiagudo, descalço e com uma cruz na mão, obtém do Papa Clemente VII uma benévola aprovação oral da sua forma de vida de pregador itinerante.

Não foi uma reflexão sobre os tempos calamitosos ou sobre os costumes imorais do paganismo humanizante, aquilo que levou os primeiros Capuchinhos ao drástico movimento de renovação. Foi a ânsia de reviver em si e defender o «vivo espírito de Jesus Cristo» segundo o exemplo dos apóstolos e a experiência de São Francisco, uma observância integral, literal e espiritual da «evangélica e seráfica Regra». Assim rezam as Constituições dos Frades Menores Capuchinhos de 1536.

O aparecimento desta renovada forma de vida franciscana não foi uma novidade na História do Franciscanismo, na qual parece endémica a tentação de vida eremítica. Com efeito, esta surge sempre como exigência quando quer retornar ao ideal primitivo, ou seja, ao modelo de vida de São Francisco e dos seus primeiros companheiros. E o primeiro conjunto de regras que orientam a vida destes frades renovadores, escritas em Albacina no ano de 1529, intitulava-se precisamente: «Ordenações dos chamados Frades Menores da vida eremítica».

OS ANTECEDENTES

A nova reforma foi precedida de vários movimentos que pretendiam a observância literal da Regra de São Francisco de Assis. Esta efervescência deve-se ao facto de os frades da observância regular terem adoptado uma via média, caracterizada pela observância moderada da Regra segundo declarações papais e pela vida de apostolado. Estes factores fizeram com que a Ordem Franciscana contasse em 1517 com cerca de 30.000 frades e fosse, por isso, uma das Ordens religiosas mais fortes e prestigiadas.

Todo esse prestígio alcançado facilitou a obtenção da bula «Ite vos», do Papa Leão X, nesse mesmo ano, incorporando nos Frades da observância regular vários grupos que, desejando uma observância mais rigorosa da Regra, viviam fora dos conventos, em locais solitários e ermos. Os tais eremitérios. Como tal incorporação despertasse descontentamento entre os mais zelosos, em 1523 o Geral da Ordem Franciscana permitiu que cada Província de Espanha pudesse ter alguns lugares de retiro (eremitérios), para uma mais pura observância da Regra, sobretudo na pobreza e na oração.

Sem esperar uma iniciativa semelhante para Itália, onde crescia também o descontentamento dos zelosos, Mateus de Báscio, pregador carismático itinerante, decidiu partir do eremitério de Montefalcone a fim de obter do Papa Clemente VII licença oral para usar um capuz pontiagudo, viver a Regra de São Francisco ao pé da letra e pregar.

Nunca ele pensou dar vida a um movimento de reforma. Mas, pouco tempo depois juntaram-se-lhe outros dois frades Observantes, os irmãos Ludovico e Rafael Tenaglia de Fossombrone. Foram estes dois irmãos que, perante o número crescente dos que vinham até eles desejosos de observar mais estritamente a Regra de São Francisco pensaram seriamente em dar vida a uma congregação eremítica franciscana.

PRIMEIROS PASSOS

Fortemente protegidos pela duquesa de Camerino, sobrinha do Papa Clemente VII, e pelo cardeal protector da Ordem Franciscana Andrea della Valle, os dois irmãos Ludovico e Rafael obtêm licença para levar vida eremítica segundo a Regra de São Francisco, usar hábito com capuz quadrado ou piramidal, receber em sua companhia clérigos, frades e leigos, usar barba e retirar-se para lugares solitários, levar vida eremítica e mendigar por toda a parte. Todas estas pretensões são concedidas pela Bula «Religionis Zelus»‚ de 1528, que é considerada o acto jurídico do nascimento da Família Capuchinha.

Logo no ano seguinte, 1529, realiza-se o primeiro Capítulo ou reunião geral da nova reforma e são aprovados os primeiros estatutos - as Constituições de Albacina - que dão uma estrutura interna e externa à nova família.

Os seguidores desta reforma autodenominaram-se «frades menores da vida eremítica», nome que nunca aparece em documentos oficiais pontifícios, os quais só a partir de 1534 adoptam a denominação de «capucciati», e depois «capuccini», por causa do capuz.

Os Capuchinhos renovaram e clarificaram solene e definitivamente as «promessas baptismais» no Capítulo geral de Stª Eufémia (Roma) no ano de 1536. Nesse Capítulo foram promulgadas as primeiras Constituições, que são como que um comentário espiritual e uma aplicação prática da Regra de São Francisco a observar sem privilégios nem alterações.

Nessas Constituições percebem-se claramente os cinco pilares sobre os quais se dever  apoiar a Ordem Capuchinha:

1. Vida intensa e espírito de oração, de devoção e de contemplação.

2. Prática radical da «altíssima pobreza» interior e exterior, a ponto de renunciar a todo o género de privilégio e propriedade, mesmo comunitária.

3. Ardor e entusiasmo na pregação e no apostolado, segundo a simplicidade e a humildade evangélicas.

4. Caridade concreta e prontidão em servir todo e qualquer irmão necessitado.

5. Espírito eclesial na submissão e total docilidade ao Papa e à Igreja hierárquica.

CONSOLIDAÇÃO E CRESCIMENTO

Assim alicerçada, a Ordem Capuchinha conheceu um desenvolvimento crescente, uma notável actividade apostólica e uma extraordinária capacidade de adaptação a novas situações e às diferentes culturas. Por tão «fecundos e suaves frutos», 91 anos depois de ter sido aprovada, esta forma de vida colocada ao princípio na dependência jurídica dos Franciscanos Conventuais, recebia de Paulo V a completa autonomia com o Breve «Alias felicis recordationis» de 28 de Janeiro de 1619. Nessa altura, os Capuchinhos eram uns 15.000, divididos em 40 Províncias e com mais de 1000 conventos.

Em 1537, depois de os ter aprovado oficialmente em 1528, o papa Clemente VII proibira os Capuchinhos de se expandirem fora da Itália. Mas, em 1574, o papa Gregório XIII levantou-lhes essa suspensão e logo eles cresceram pela França, a Espanha, a Suiça, a Bélgica, a Alemanha e a Irlanda. Em 1761, após se terem continuado a expandir pelas nações católicas da Europa, os Capuchinhos atingiam o seu maior número: 34.000 Religiosos, 64 Províncias e 1730 Conventos.

OS CAPUCHINHOS EM PORTUGAL

Entretanto, e apesar de ter formado um Estado com a Espanha entre 1580-1640, Portugal era a única nação católica no Mundo onde não existiam Capuchinhos. E isso, muito embora estivessem abertos em Lisboa, de 1648 a l834, dois conventos de Capuchinhos franceses e italianos para acolher Missionários em trânsito para as Missões no Brasil e em Angola. Foi só um século depois, exactamente em l934, que alguns Capuchinhos espanhóis vieram para Portugal e aqui começaram a implantar a sua Ordem: os de Andaluzia ao Sul, os de Castela ao Norte. A 1 de Março de 1939, com as 5 casas então existentes, o Ministro Geral da Ordem erigiu oficialmente o Comissariado Geral de Portugal nomeando como responsável o então Vice-Secretário Geral para a língua espanhola Padre Frei Damião de Ódena, da Província da Catalunha.

A 17 de Setembro de 1957, a fundação dos Capuchinhos em Portugal adquire o estatuto jurídico de Comissariado Provincial, e, em 29 de Junho de 1969, o de Província Portuguesa.

Datas mais importantes da passagem dos Capuchinhos por Portugal até 1934

1604

Frei Zacarias passa por Lisboa. É considerado o primeiro escritor Capuchinho português.

1619

Morre em Lisboa, após curta permanência, Frei Lourenço de Brindes, hoje santo e Doutor da Igreja, que viera como embaixador à corte de Filipe III.

1622

Lisboa torna-se ponto de passagem de Capuchinhos franceses, italianos e espanhóis que vão a caminho ou regressam das Missões do Brasil e de Angola.

1638

São martirizados no Egipto Frei Agatângelo de Vendome e Frei Cassiano de Nantes. Este último‚ filho de portugueses que se refugiaram em França no período da dominação espanhola de 1580-1640.

1647

Os Capuchinhos franceses obtêm de D. João IV licença para se estabelecerem em Lisboa.

1648

Os Capuchinhos franceses instalam-se no Bairro da Esperança.

1692

Os Capuchinhos italianos instalam-se numa casa alugada pelos comendadeiros dos santos.

1742

Os Capuchinhos italianos transladam-se para um novo convento, quase ao fundo da actual calçada dos Barbadinhos, mandado construir por D. João V.

1756

São encarcerados na prisão da Junqueira três Capuchinhos entre os quais Frei Francisco Maria de Guimarães, português.

1777

Com a morte de D. José e a deposição do Marquês de Pombal são libertados os três Capuchinhos.

1834

Sai do Bairro da Esperança o último Capuchinho na sequência da expulsão das Ordens religiosas de Portugal.

1870

Refugiam-se no convento do Bairro da Esperança cerca de 40 Capuchinhos fugidos à Revolução Francesa

Como «funcionam» os Capuchinhos?

Os Irmãos (ou Frades) Capuchinhos vivem em Fraternidades ou Comunidades locais, animadas por um Superior («Guardião»). Várias destas fraternidades de uma região ou país constituem uma Província, orientada por um Ministro Provincial assistido por 4 Conselheiros Provinciais (ou «Definidores»), um e outros eleitos num Capítulo Provincial reunido cada 3 anos e em que participa um determinado número de Irmãos Capitulares «democraticamente» eleitos por toda a Província.

A totalidade das Províncias constitui a Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, governada por um Ministro Geral assistido por 8 Conselheiros (ou «Definidores») Gerais representativos dos vários grupos linguísticos do Mundo, eleitos em Capítulo Geral convocado cada 6 anos por altura do Pentecostes, e em que participam todos os Ministros Provinciais da Ordem.

Os Superiores locais são escolhidos pelo Ministro Provincial e seu Conselho, que também distribuem os irmãos pelas várias Fraternidades locais e Serviços Provinciais. O Ministro Provincial é confirmado pelo Ministro Geral e seu Conselho, e tanto um como outro podem ser reeleitos.

Os Frades, após um ano de Noviciado, precedido pelo tempo de formação básica e um período de Postulantado, professam na Ordem por um ou três anos, prometendo viver segundo o Evangelho e observar a Regra de São Francisco para os Frades Menores, cumprindo os votos ou conselhos evangélicos de Pobreza, Obediência e Castidade. Três anos após a primeira Profissão (ou mais, segundo os casos), os Frades que tiverem pelo menos 21 anos, fazem essa mesma Profissão religiosa para toda a vida, assumindo a plenitude de direitos e obrigações dentro da Ordem, segundo o Direito e a própria Lei fundamental, ou Constituições (que são uma concretização e actualização do espírito da Regra).

Uns irmãos são clérigos (quer dizer, além de frades são também padres), outros são não clérigos. Mas todos têm os mesmos direitos e obrigações dentro da Ordem e gozam de voz activa e passiva para os mesmos cargos. Antes, os irmãos escolhidos pela Igreja para o Episcopado ficavam juridicamente desvinculados da Ordem; agora, continuam unidos a ela.

A Província Portuguesa dos Frades Menores Capuchinhos e as várias Províncias de Espanha constituem a Conferência a Conferência Ibérica dos Capuchinhos (CIC). Periodicamente, é convocado o Conselho Plenário da Ordem, estrutura que está para a Ordem como os Sínodos estão para a Igreja. Nele participam Delegados eleitos pelas várias «Conferências» da Ordem e outros nomeados pessoalmente pelo Ministro Geral e seu Conselho.

Em 2004, a Província Portuguesa dos Capuchinhos contava com os seguintes membros a viverem no Continente, Angola e Timor-leste:

Sacerdotes: 41

Não clérigos: 9

Em Formação: 4

Bispos: 3

CAPUCHOS E CAPUCHINHOS

Embora pelo nome pareçam a mesma Ordem Religiosa, na verdade não o são. Os Capuchos são uma reforma saída dos Franciscanos Observantes, com desejo de uma observância mais estrita da Regra, que se instalaram em conventos ou ermitérios fora das povoações e formaram Províncias dependentes apenas do Geral dos Observantes. Propagaram-se muito e deu-se-lhes o nome de Récollets na França, Descalzos na Espanha e Capuchos em Portugal.

Entre nós, a primeira Província dos Capuchos iniciou-se em 1517, o mesmo ano em que se tinha fundado também a Província dos Observantes, chamada de Portugal. Ora, os Capuchinhos apenas se estabeleceram em Portugal em 1934, e aos Capuchinhos estrangeiros, que até um século antes viveram em Lisboa, o povo chamou-lhes Barbadinhos, por causa da barba. Aquela primeira Província dos Capuchos foi a da Piedade, que tinha como Casa Mãe o conventinho de Nossa Senhora da Piedade, em Vila Viçosa; depois, em 1560, fundou-se a Província da Arrábida (de que se conservam os conventos da Arrábida, de Sintra e da Caparica), e em 1568 a de Santo António, que tinha a Casa Mãe no edifício do actual Hospital de Santo António dos Capuchos, em Lisboa.

Para saber mais:

Frei Francisco Leite de Faria, em «Irmãos Felizes», edição da Difusora Bíblica; «Os Capuchinhos em Portugal e no Ultramar Português», separata dos «Anais» da Academia Portuguesa de História, II série, vol. 27, 1982, pp. 161-180.

2. Vida

UMA ALTERNATIVA PARA HOJE

Existe na sociedade actual uma série de situações concretas ou fenómenos que podemos considerar um desafio ou mesmo negação das opções sobre as quais alicerçamos a nossa vida. Porém, um olhar mais atento sobre essas situações, permite-nos descobrir, independentemente do que elas possam ter de negativo, uma outra realidade escondida: sinais de alerta ou gritos de apelo para valores que se perderam ou estão a ser esquecidos. Essa leitura poderá ajudar-nos a encontrar a resposta ou a alternativa duma forma de vida que introduza a perenidade no transitório ou faça florescer o eterno a partir do tempo.

É assim que pretendemos viver. Não contra os valores temporais, mas assumindo-os na visão franciscana da vida que purifica e resgata o que é perene, inserindo-o na dinâmica universal, no «hoje» de Deus.

Por isso, não fugimos do mundo nem o condenamos, mas estamos nele auscultando e anunciando as realidades últimas e os valores essenciais. Enfrentamos o delicado equilíbrio entre o SIM da Encarnação e o NÃO da Cruz, entre a aceitação dos pressupostos culturais e o anúncio explícito do Evangelho, entre as necessidades do diálogo e o dever de ser «sinal de contradição», entre a solidariedade e a denúncia profética, entre a abertura e a rotura, entre a partilha de uma linguagem comum e a transmissão de uma notícia incomum, que é a nossa.

Uma atitude realmente complexa, que exige disponibilidade e lucidez. Mas longe tanto da sistemática recusa do nosso tempo (com a fuga, o intimismo, o fundamentalismo...), como da domesticação e fascínio por todas as formas de eficientismo, individualismo, materialismo, agressividade e humanismos... demasiado humanos da nossa sociedade.

O TRANSITÓRIO QUE DEGENERESCE O ETERNO QUE FLORESCE

DESAFIO

SITUAÇÃO APARENTE

REALIDADE ESCONDIDA

PROPOSTA FRANCISCANA DE VIDA ALTERNATIVA

PERDA DO SENTIDO

:: Falta de espaços para fazer silêncio, a vontade de se aturdir no frenesim do movimento, do barulho e da actividade.

:: Relações interpessoais enfraquecidas pela superficialidade e proclamação dos pseudo-valores do materialismo, do consumismo, do privatismo, do provisório e do carreirismo.

:: O sentimento interior de vazio existencial e de angústia

NECESSIDADE DE TRANSCENDÊNCIA

:: Na contemplação, na oração e na escuta da Palavra de Deus, o Capuchinho experimenta o mistério de Deus e percebe a unidade do Criador com a criatura.

:: Une-se a toda a criatura no canto dos louvores de Deus, escrevendo uma mensagem de fraternidade universal.

:: Abandona-se totalmente no mistério de Deus e cultiva a consciência da pobreza radical de toda a criatura humana como caminho de elevação até Deus.

INDIVIDUALISMO E DESIGUALDADE

:: Obscurecimento da dignidade do outro pela sobrevalorização das causas e dos interesses particulares e individuais.

:: Presença subtil ou despudorada do nacionalismo, do proteccionismo e do fanatismo religioso.

:: Violação dos direitos civis, políticos e religiosos; persistência da discriminação com base na raça, no sexo, na classe, cultura, ideologia ou idade.

APELO À FRATERNIDADE

:: Colocamos no centro da vida e da acção o ensinamento central de Jesus Cristo: «Que todos sejam um como Tu, ó Pai, estás em Mim e Eu em Ti» (Jo 17,20).

:: Guiados por São Francisco de Assis, que «por divina inspiração fundou uma forma de vida evangélica a que chamou fraternidade» (Const.85) construimos uma fraternidade de Irmãos Menores continuamente dócil ao apelo da Igreja e do mundo de construir a «civilização do amor».

:: Concretizamos a verdadeira fraternidade evangélica na confiança e no perdão, na compreensão e na correcção fraterna, na estima e amor recíprocos, na mútua disponibilidade e na partilha do que cada um é e tem.

MATERIALISMO

:: O homem perde o sentido da responsabilidade pelos outros deixando-se escravizar pelos bens, pelo conforto e pelo supérfluo.

:: As ideologias e os sistemas dominantes organizam-se segundo as modalidades do ter e manipulam a pessoa forjando a convicção de que o culto da pessoa é o caminho da plenitude e da felicidade.

:: A pessoa é apreciada pelo que faz e ganha, e o sistema de convivência é baseado na competição e aversão a tudo o que limita a expansão da personalidade própria.

NECESSIDADE DA POBREZA

RESPONSABILIDADE ÉTICA PELOS OUTROS

:: Damos prioridade à contemplação e imitação de Jesus Cristo despojado, pobre e crucificado, testemunha do amor do Pai por todos os homens.

:: Amamos e servimos a Cristo pobre e crucificado nos demais homens, fazendo-nos, pela austeridade de vida e partilha dos recursos materiais e humanos, solidários com os membros do Seu corpo que sofrem, vivendo com eles na reciprocidade de um amor diligente e activo.

:: Sentimos alegria e felicidade ocupando os últimos lugares e não queremos ter nada para não ter que defender alguma coisa em detrimento da dignidade dos nossos irmãos muito amados de Deus Pai, bom e providente, e de seu Filho Jesus Cristo, servo pobre e humilde.

OPRESSÃO E VIOLÊNCIA

:: Os blocos políticos, militares, económicos que procuram aumentar a sua esfera de influência falseando os propósitos de paz e de justiça com o desenvolvimento de conflitos e guerras de periferia, com a criação de estruturas de opressão e a manipulação dos Meios de Comunicação de massa.

:: Perversidade dos mecanismos económicos que falseiam a ajuda dada às pessoas e aos países em vias de desenvolvimento e se transformam em invisíveis causadores de agitação social, de violência e de morte.

:: Corrupção dos responsáveis pelo destino dos povos, o pluriemprego ao lado do desemprego mais humilhante, a exploração das condições desfavoráveis de crianças, mulheres, estudantes e idosos, a marginalização dos que não entram nos padrões da «ética» social vigente, o clientelismo...

UM GRITO DE JUSTIÇA E DE PAZ

:: Impelidos pelo espírito de Francisco de Assis, empenhamo-nos em viver reconciliados uns com os outros e em ser fermento de uma forma pacífica e estável de conviver entre todos os que estão separados pelo ódio, pela inveja, pelas lutas de opinião, pelo ciúme e pela própria incapacidade de perdoar.

:: Animados pelo exemplo de São Francisco, anunciamos a paz e a misericórdia não só com palavras mas com obras a que nos obriga o espírito da caridade fraterna.

:: Obedientes ao mandamento de Jesus Cristo e de seu servo Francisco, anunciamos o Evangelho da paz a todos os homens. Mas queremos fazê-lo sem violência, sem meios de poder, assumindo todos os riscos do projecto fraterno e, se necessário, até à morte violenta.

DEGRADAÇÃO DA NATUREZA

:: A vida e a saúde da Humanidade estão a ser agredidas pelo inquinamento do ar, da água e da terra devido aos gases, aos resíduos químicos e nucleares, aos pesticidas e outros agentes.

:: Existem grandes problemas de desertificação, de extinção de espécies vegetais e animais, de super-industrialização e excessiva concentração urbana.

:: Os recursos mundiais são consumidos a favor de alguns que, para manterem os seus níveis de vida, não se importam de sugar os recursos e as reservas dos mais pobres.

 

ECOLOGIA

:: Rejubilamos com São Francisco por este mundo criado e redimido por Jesus Cristo e olhamos com optimismo para as criaturas, que são belas, castas, preciosas, muito úteis, reveladoras do BOM Senhor.

:: Desenvolvemos como Francisco o sentido da sacralidade de todas as criaturas e aproximamo-nos delas com veneração, tanto pelo seu valor intrínseco como pelo seu serviço ao homem.

:: Acreditamos, apoiamos e colaboramos com todos os homens e instituições que se empenham em acções de pacificação e de justiça e buscam a verdadeira paz e harmonia na reconciliação e no respeito por toda a criatura.

Superiores Provinciais dos Capuchinhos em Portugal

:: frei Damião de Ódena (1939-1948), da Província de Navarra (Espanha)

:: frei José de Castro del Rio (1948-1951), da Província de Andaluzia (Espanha)

:: frei Mateus do Souto (1951-1955), da Província de S. Paulo (Brasil), depois

incorporado na Província Portuguesa.

:: frei Cornélio de San Felices (1955-1961), da Província de Castela (Espanha).

:: frei Francisco da Mata Mourisca (1961-1967), da Província Portuguesa.

:: frei António Monteiro (1967-1975 e 1981-1987), da Província Portuguesa.

:: frei Vítor Arantes da Silva (1975-1981), da Província Portuguesa.

:: frei Carlos Pereira Carvalho (1987-1990), da Província Portuguesa.

:: frei Manuel Arantes da Silva (1990-1996), da Província Portuguesa.

:: frei João José Guedes da Silva (1996-2002), da Província Portuguesa.

:: frei Acílio Dias Mendes (2002...), da Província Portuguesa.

3. Coração

Nenhum olhar é mais perspicaz e penetrante que o da mãe. Pela voz autorizada dos Papas, deixaremos que seja a Mãe Igreja a descobrir os tesouros escondidos no coração de um dos seus queridos filhos, os «Frades Capuchinhos». Deixaremos que seja a Mãe, a quem amamos e veneramos, a revelar os dons com que ela mesma se encontra enriquecida: pela palavra e pelo reconhecimento e proclamação solene da santidade de alguns dos nossos Irmãos.

FRADES MENORES

«A vossa “inspiração primitiva”, vós descobriste-la reflectindo, com uma sensibilidade nova, sobre o próprio nome recebido em herança do vosso Pai São Francisco, isto é: “FRADES MENORES”. Em tal nome, de facto, o Santo inclui o que lhe estava mais a peito do Evangelho: a “Fraternidade” e a “Menoridade”, o amar-vos como irmãos e o escolher cada um para si o último lugar, a exemplo de Cristo que não veio “para ser servido, mas para servir” (Mt 20, 28). Estes dois traços fundamentais da vossa identidade franciscana – fraternidade e menoridade – vós esforçastes-vos por repropô-los às novas gerações, servindo-vos da luz da tradição capuchinha, que lhes confere aquela nota inconfundível de espontaneidade e simplicidade, de alegria e ao mesmo tempo de austeridade, de desapego radical do mundo e ao mesmo tempo de grande vizinhança do povo, que tornou tão eficaz e activa a presença dos capuchinhos no meio das populações cristãs e nas missões, e introduziu tão numerosa falange de santos». (JOÃO PAULO II, Ao Capítulo Geral: 5-07-82)

CAPUCHINHOS

“Tende confiança em vós mesmos, na opção que fizestes! Escolhestes este hábito, esta vocação, esta família religiosa, este tipo de seguimento do Evangelho. Pois bem, sabei que isto leva o selo da autenticidade, é fiel reflexo de que Cristo pode estar verdadeiramente satisfeito de ser anunciado por vós e representado por vós. Orgulhai-vos de serdes irmãos Menores Capuchinhos!” (PAULO VI, Ao Capítulo Geral: 12-06-1976)

BEBENDO DA NASCENTE

“Um primeiro requisito que nos parece fundamental para a vossa eficaz obra de evangelização poderia formular-se assim: Prioridade do ser em relação ao fazer. A evangelização requer testemunho, e o testemunho supõe a experiência que brota de uma profunda vida de união interior com Cristo e que leva o discípulo a uma progressiva semelhança com o Mestre, a um ser com Ele, por Ele e n’Ele. Isto transparece pouco a pouco, de forma convincente, até na forma externa de viver e trabalhar. Uma forma externa particularmente marcada pela pobreza de Cristo”. (PAULO VI, Ao Capítulo Geral: 12-06-76)

“O espírito contemplativo que transparece na vida de S. Francisco e dos seus primeiros discípulos é um dom precioso que os seus filhos devem promover hoje de novo e realizar na vida. É absolutamente necessário que se recupere o carácter contemplativo próprio da vossa vida, ao mesmo tempo que se dá maior dinamismo e aptidão ao vosso apostolado.” (PAULO VI, Carta ao Ministro Geral: 20-08-74)

NA VANGUARDA DO EVANGELHO

“Volto-me para vós: É uma grande consolação! Obrigado! Vós sois os da vanguarda do Evangelho… Di-lo o vosso hábito, proclama-o a vossa tradição, afirmam-no as vossas obras. Por vezes, perguntais a vós mesmos se estais em condições de fazer apostolado neste mundo moderno, tão diferente, tão rico em progresso, voltado para as realidades terrestres, etc. E vós julgais-vos fenómenos especiais, espécie de anomalia… Porém, ficai sabendo que esta «anomalia», esta singularidade que não está na moda está verdadeiramente fundada no espírito do Evangelho e na tradição franciscana; não é um obstáculo, é um apelo…” (PAULO VI, Ao Definitório Geral: 20-02-71)

NO CORAÇÃO DA IGREJA

“Tende fé na vossa vocação. Agradecei ao Senhor ter-vos chamado a seguir a linha austera da vida capuchinha, a seguir S. Francisco. Ficai sabendo que a Igreja vos ama. Ela vos acompanha, está convosco. Espera ter em vós os representantes da vida evangélica. Vós estais no coração da Igreja”. (PAULO VI, 20-02-71, ao Definitório Geral)

EM AUSTERIDADE ALEGRE E EQUILIBRADA

“A pobreza evangélica é a herança mais preciosa legada por S. Francisco aos seus seguidores e é profundamente peculiar e própria dos Capuchinhos… A missão própria do Irmão Capuchinho é dar exemplo de uma austeridade alegre e equilibrada, aceitando as dificuldades próprias do trabalho e da vida social e suportar com paciência a dureza da vida, com tudo o que ela traz de angústia e de incerteza”. (PAULO VI, Carta ao Ministro Geral: 20-08-74)

QUE FAZEM OS CAPUCHINHOS?

“Não faltará quem se interrogue: «Que fazem os Capuchinhos? Que obras têm entre mãos?» Dão testemunho. São seguidores acabados do Evangelho, são mestres de vida espiritual realizada na sua própria vida. É esta prioridade do ser sobre o fazer que vos coloca, sem disso vos aperceberdes, nos primeiros postos da hierarquia de valores espirituais da Igreja”. (PAULO VI, Audiência ao Capítulo Geral: 12-06-76)

PORTADORES DE PAZ

“A este propósito queríamos recordar uma das características mais tradicionais do espírito da Ordem, que nos parece importante revelar hoje no vosso apostolado: a de vos converterdes, em qualquer circunstância, em portadores de paz entre os homens. O homem de hoje tem necessidade, mais que nunca, de encontrar no seu caminho alguém que lhe dirija a saudação, desejo e ao mesmo tempo convite, que foi tão querido a S. Francisco: «Paz e Bem!» Paz com os homens para atenuar, se não for possível resolver, os conflitos das relações individuais, familiares e sociais, a nível nacional e internacional. Paz sobretudo com Deus no santuário da consciência, já que é precisamente no amoroso encontro com o Pai que «perdoa as nossas ofensas» (Mt 6,12; Lc 11,4) onde se recebe o dom de poder olhar com os olhos novos os irmãos os irmãos que têm «dívidas» connosco. (PAULO VI, Ao Capítulo Geral: 12-06-76)

MESTRES NO CONFESSIONÁRIO

Aqui se abriria o importante capítulo da evangelização que se realiza no Confessionário, nesse ministério delicado e importantíssimo. A Ordem dos Capuchinhos gloria-se de insignes mestres nesta arte delicada, e basta ir à sua escola para recolher preciosas sugestões sobre a atitude justa que se assumir com as almas, a fim de favorecer nelas o secreto trabalho da graça. Basta recordar a figura humilde e radiante do Padre Leopoldo de Castelnovo…” (PAULO VI, Ao Capítulo Geral: 12-06-76)

ARTÍFICES DA PAZ

“Na vossa história, a mensagem de fraternidade muitas vezes traduziu-se no favorecer acordos de paz, seja a nível de poderes públicos – baste recordar a obra de paz dos vossos irmãos Lourenço de Brindes e Marcos de Aviano – seja a nível das tensões sociais, com uma pregação itinerante e o exercício do ministério da Reconciliação, cheios de sabedoria e de bons frutos no fervor e na simplicidade, sempre baseados na Palavra de Deus. São Leopoldo, o Beato Jeremias Valacchia, Padre Pio, Padre Mariano de Turim, foram anunciadores de amor e, por isso, artífices de Paz.

Os homens do nosso tempo, perturbados por lutas e guerras, por injustiças e crises de todo o género, têm necessidade de alegria e esperança, que só podem ser hauridas na divina Fonte. Cada dia saciados por ela, ide também vós pelo mundo, como S. Francisco, dizendo a todos: «O Senhor te conceda a Paz!» (Testamento de S. Francisco) e anunciando, como «guardiães da esperança» a salvação que vem da reconciliação com Deus.” (JOÃO PAULO II, Aos Provinciais da Itália: 01-03-84)

PAZ E BEM!

“PAZ E BEM! Que palavras de ouro! Deveis repeti-las com vossos lábios, com vosso exemplo, com vossa vida, com vossa presença, com vosso sacrifício, com a imolação contínua da vossa existência… É uma fórmula que vos identifica como Família Religiosa e tem uma irradiação bem maior do que se pensa. Anunciai: Paz e Bem!” (PAULO VI, Ao Capítulo Geral: 12-06-76)

OPTANDO PELOS POBRES

“Vós optastes pelos pobres: e as vossas Constituições estão aí a recordar-vos cada dia como viver as bem-aventuranças do Senhor: «Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus» (Lc 6,12). Haverá diversos modos de se identificar com os pobres do Senhor, mas eles serão sempre a parte a vós predilecta e a comparticipação nos seus sofrimentos e nas suas dificuldades deverá sempre ser uma fundamental componente do vosso viver e agir. Vós, que sois chamados e sois os ‘frades do povo’ e tendes mais fácil acesso ao coração dos humildes, podeis também com mais facilidade, de modo particular mediante o apostolado itinerante, levar Jesus, o Redentor do homem, à sociedade, especialmente às largas massas dos pobres, dos pequenos e dos fracos.” (JOÃO PAULO II, Aos Provinciais de Itália: 01-03-84)

4. Presença

Aos dois discípulos de João Baptista, que Lhe perguntaram onde morava, Jesus respondeu: «Vinde ver». O Evangelista diz que eles «foram e viram onde morava e permaneceram junto d’Ele nesse dia» (Jo 1, 35-39). Dia que se tornou decisivo na sua vida, pois sabemos que ali começou a formar-se o grupo dos Discípulos de Jesus, segundo o evangelista São João.

Porque o projecto de vida dos Capuchinhos é uma proposta universal e aberta como o Evangelho em que se inspira, queremos agora apresentar-vos as várias casas onde vivemos em Portugal (e Timor Leste) e falar-vos da principal actividade ou missão desempenhada pelos que nelas moram, dentro da forma de vida comum a todos os Capuchinhos. Com o mesmo convite de Jesus: «Vinde ver». Pois algumas destinam-se exactamente a acolher e acompanhar os que desejam conhecer e seguir Jesus mais de perto.

É a nossa proposta/alternativa para a Felicidade, de que falámos atrás, aqui concretizada. E diremos que o nosso verbo não é o fazer. Sem a presunção de uma autenticidade imaculada, poderemos, ao menos, afirmar que a nossa vida é animada pela grande vontade de conjugar o verbo «ser-fazer». Somos o porque fazemos, o que fazemos e o onde fazemos.

O que somos, o que fazemos e onde estamos? Somos Capuchinhos, estamos em Portugal (e Timor Leste, e no mundo inteiro), temos como inspiração os que, profundamente conscientes de serem portadores da verdade de Cristo, alcançaram a sabedoria de serem apenas servos de Cristo e, por Cristo, servos dos homens. Quer estejam nos altares, quer apenas no nosso coração pela marca nele deixada com o seu testemunho.

SEGUIR OS PASSOS DE CRISTO AO JEITO DE FRANCISCO DE ASSIS

Desde os alvores da sua fundação que os Capuchinhos sabem da existência de Portugal. Já nas Constituições de 1536, tratando da vocação missionária, fazem uma referência aos descobrimentos portugueses e às perspectivas missionárias que se abrem a partir daí. E, de facto, foi com objectivos missionários que os Capuchinhos desde muito cedo começaram a pisar solo português e a manter uma que outra casa em Lisboa para apoiar os frades que iam para as Missões.

Só em 1955 é que os Capuchinhos portugueses concretizaram uma presença mais permanente em Lisboa ao estabelecer-se, com a aprovação do Cardeal D. Manuel Gonçalves Cerejeira, na Avenida Conselheiro Barjona de Freitas, ao Calhariz de Benfica, onde residem actualmente.

Desde o início aí se instalou a Cúria Provincial, isto é, a sede do governo central da Ordem Capuchinha em Portugal. A sua principal missão é ser instrumento de união dos Capuchinhos portugueses, animando-os no seguimento de Cristo através de uma vivência real e sempre renovada do Evangelho e no aperfeiçoamento da unidade visível e espiritual dos irmãos entre si, com todos os homens e com todas as criaturas.

VIVENDO A ESPONTANEIDADE FRATERNA NA CONTEMPLAÇÃO AMOROSA DE DEUS

Sempre os Capuchinhos procuraram evitar que a eles se aplicassem as palavras que Nosso Senhor Jesus Cristo disse aos escribas e fariseus: «Ai de vós, que percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito (adepto, seguidor, discípulo) e, depois de o terdes seguro, fazeis dele um filho do inferno, duas vezes pior do que vós» (Mt 23, 15). Por isso, procuravam lugares adequados à vida espiritual onde se pudessem ensinar as coisas do espírito necessárias para imitar perfeitamente Jesus Cristo, nossa luz, caminho, verdade e vida.

Esse primeiro berço das coisas do espírito em Portugal foi um convento situado na cidade de Barcelos. Aí, desde 1940 foram iniciados muitos jovens portugueses a seguir Jesus Cristo «nesta forma de vida evangélica a que Francisco deu o nome de Fraternidade» (Constituições, 83).

Hoje a casa de Barcelos está especialmente vocacionada para o acolhimento dos muitos fiéis que aí procuram o sacramento da Reconciliação. É também centro importante para a vivência da fé e do carisma franciscano, bem presente no dinamismo da Comunidade Cristã de Santo António. É ainda ponto de irradiação da Palavra de Deus nas suas mais variadas formas de apostolado, nomeadamente a Dinamização Bíblica.

Os Capuchinhos encontram-se na Quinta da Bouça-Cova em Gondomar desde 1958. Para além de todo o trabalho pastoral que ali desenvolvem, bem visível no dinamismo da Comunidade Cristã Nossa Senhora Mãe dos Homens, a sua primordial tarefa tem sido a constituição de uma autêntica comunidade de pré-adolescentes e adolescentes à procura do próprio projecto de vida (vocação). Aqui, enquanto Casa do Aspirantado, a primeira inclinação e desejo que o jovem traz de ser Capuchinho vai progredindo com a formação integral, o acompanhamento constante e a direcção espiritual. E vai amadurecendo a capacidade de decisão de se entregar ao ideal de vida evangélica segundo o estilo fraterno dos Capuchinhos.

Actualmente funciona também nesta casa de Gondomar o Postulantado, etapa que assinala o primeiro degrau de um projecto que tem como meta ser Irmão Menor Capuchinho. É nesta casa, ainda, que está sedeada a “fraternidade vocacional”, particularmente vocacionada para o acolhimento fraterno dos jovens que procuram espaços e pessoas disponíveis para os escutarem no discernimento vocacional.

PROCURANDO UMA AUSTERIDADE DE VIDA NA POBREZA RADICAL

S. Francisco de Assis, meditando a altíssima pobreza de Jesus Cristo, Rei do céu e da terra, que ao nascer não teve sequer lugar na hospedaria (Lc 2, 7), e em vida viveu como um peregrino em casa de outros (Mt 25, 35) não tendo onde reclinar a cabeça (Mt 8,20), quis imitá-Lo e por isso escreveu na Regra que os frades não tivessem nenhuma coisa própria.

Os Capuchinhos sempre quiseram observar este preceito de S. Francisco. Daí afirmarem nas suas Constituições actuais: «Os Irmãos de nada se apropriem, nem casa, nem lugar, nem coisa alguma. Por isso, como peregrinos e estrangeiros neste mundo, enquanto nos encontramos no caminho para a terra dos vivos, sirvamos o Senhor na pobreza e na humildade» (Constituições, 62).

Em Cabanas de Viriato, no interior do país e numa casa que a Diocese de Viseu e o povo local emprestam enquanto a presença dos Capuchinhos for útil para ambas as partes, tem funcionado a segunda etapa da formação inicial neste estilo de vida Franciscano-Capuchinha: o Noviciado. Os jovens noviços fazem uma experiência mais intensa do seguimento de Jesus Cristo, procurando formas renovadas mas autênticas de realizar o maior ideal desta «Ordem de Irmãos»: a pobreza (Constituições, 60). Este ideal encontra também a sua concretização na disponibilidade para a animação da Paróquia, confiada ao seu zelo pastoral dos Irmãos desta fraternidade prioritariamente formativa.

No Porto, na Rua Nova do Tronco, encontram-se os Capuchinhos desde 1941. Aí os jovens Capuchinhos consolidam a opção feita no Noviciado de viver uns com os outros como Irmãos Menores (Constituições, 23), entregando-se à oração, ao estudo, ao trabalho manual e a diversas formas de trabalho apostólico, sempre inspirados na figura profética da pobreza evangélica, Francisco de Assis.

ACOLHENDO O DOM DO ESPÍRITO COMO HUMILDE SERVO DE TODOS

Como é tradição dos Capuchinhos de todo o Mundo e de sempre, também os que peregrinam em Portugal estão dispostos a prestar ajuda pastoral a quem o solicite e sobretudo nas Igrejas locais onde são recebidos: ajuda aos párocos das paróquias vizinhas, o cuidado espiritual das religiosas, formação de associações laicais como a OFS (Ordem Franciscana Secular), etc.

Sensíveis às necessidades da Igreja e em humilde serviço de todos, os Capuchinhos chegam mesmo a receber o encargo da coordenação e animação de paróquias. Actualmente os Capuchinhos em Portugal animam as paróquias de Baixa da Banheira (Barreiro), Calhariz de Benfica (Lisboa), Cabanas de Viriato (Viseu) e Amial (Porto).

PARTILHANDO A VIDA COM OS POBRES SEMPRE JUNTO DO POVO

Sempre desejosos de contemplação e solidão, talvez inspirados por ela, os Capuchinhos ver-se-ão continuamente implicados nas formas de apostolado mais duro, exercendo-as de modo desinteressado e heróico: Mateus, Ludovico, e Rafael conquistam a admiração e gratidão do Ducado de Camerino pela sua entrega às vítimas da peste; o Papa V, em 1570, confia aos Capuchinhos o arriscado ministério castrense, vindo alguns deles a morrer devido à peste e às acções bélicas; Gregório XIII, em 1582, confia aos Capuchinhos o cuidado material e espiritual dos escravos cristãos da Argélia, e muitos irmãos foram encarcerados…

Assim, uma das características do carisma franciscano-capuchinho é a presença concreta entre os pobres. São várias as formas de pobreza, nesta nossa sociedade de bem-estar. Os doentes são todos pobres de saúde, de segurança e de força. À imitação de S. Francisco, que se dedicou ao cuidado dos doentes e dos leprosos, e dos Capuchinhos que se notabilizaram, nos primórdios da Ordem, na assistência às vítimas da peste, também os Capuchinhos em Portugal, como aliás no resto do Mundo, se entregam àquela que talvez seja a actividade mais escondida e menos falada: a Pastoral do Sofrimento. Eles estão presentes, como capelães, nos seguintes estabelecimentos hospitalares: Hospital Distrital de Barcelos; Hospital de Santa Maria, no Porto; Instituto de Oncologia, no Porto; Casa de Saúde, em Coimbra.

«Quando for grande quero ser monge, tornar-me confessor e ter muita misericórdia e bondade para com os pecadores». Mas os Capuchinhos estavam proibidos ou, no mínimo, fortemente condicionados, no exercício do ministério da reconciliação, pela sua própria legislação primitiva.

A frase que acabamos de transcrever e a vida de quem a disse, Leopoldo Mandic, um dos Capuchinhos do século XX, assinalam uma das mais notáveis evoluções do apostolado dos Capuchinhos. Por sua vez, a canonização de frei Leopoldo em 1983, por João Paulo II, representa a proclamação oficial desta especialização apostólica dos Capuchinhos como mestres espirituais de todos os que querem viver uma profunda experiência cristã na vida da família, no ambiente de trabalho e na sociedade.

ANUNCIANDO JESUS CRISTO CAMINHO, VERDADE E VIDA

Foi assim que em 1955 os Capuchinhos deram início a um Movimento Bíblico, que foi sempre acolhido por todos com muita simpatia, sobretudo pelas camadas mais simples e populares.

Tendo começado em Beja, por iniciativa do Frei Inácio de Vegas, o Movimento não mais parou e apresenta hoje uma dupla faceta:

1. Editorial: A DIFUSORA BÍBLICA, sedeada em Fátima e Lisboa, desenvolve um trabalho meritório na edição da BÍBLIA (completa, ou em volumes parciais), da revista BÍBLICA e muitos outros livros e subsídios destinados à pastoral da Palavra e da Evangelização, e à formação permanente da fé dos cristãos.

2. Pastoral: O MOVIMENTO DE DINAMIZAÇÃO BÍBLICA, animado por um Secretariado Nacional com vários Irmãos a trabalhar a tempo inteiro. Está especialmente vocacionado para a formação do povo cristão através de Cursos Bíblicos em vários graus, com a criação de Grupos Bíblicos, preparação de Animadores de Grupos Bíblicos e Agentes de Pastoral Bíblica, Encontros nacionais e regionais de Grupos Bíblicos, Semanas Bíblicas Nacionais (e apoio às Semanas Bíblicas Regionais), Retiros Bíblicos, etc. Este apostolado bíblico, por várias circunstâncias, é o que mais tem caracterizado a acção dos Capuchinhos em Portugal, constituindo mesmo um caso único em toda a Ordem Capuchinha.

Actualmente, a sede do Movimento Bíblico é a Casa (Centro Bíblico) dos Capuchinhos em Fátima, fundada em 1961 e desde sempre aberta ao acolhimento de peregrinos e à realização de Retiros e Encontros de Formação. Nela realizam os Capuchinhos os Encontros dos responsáveis das várias Fraternidades e Serviços Centrais da Província, bem como o Capítulo Provincial electivo cada 3 anos e as Assembleias Gerais de todos os Irmãos, a meio do triénio.

Esta acção evangelizadora dos Capuchinhos não se tem confinado às fronteiras do nosso país, que já percorreu de lés a lés, tanto no Continente como nas duas Regiões autónomas dos Açores e Madeira. Também foram feitos Cursos Bíblicos em França, no Canadá, no Luxemburgo, na Alemanha, nos Estados Unidos da América, em Cabo Verde, em Moçambique e em Angola.

E, como não podia deixar de ser, os Irmãos Capuchinhos, fiéis a Jesus Cristo – o primeiro e maior anunciador do Evangelho – fiéis à Igreja que recebeu de Cristo a graça e o mandamento de evangelizar, fiéis à Ordem que aceitou a evangelização entre as suas principais obrigações apostólicas (Constituições, 174), de 1944 a 1948 mantiveram a Missão da Zambézia (Moçambique), depois entregue aos seus confrades italianos; em 1954 iniciaram a sua actividade missionária em Angola, onde fundaram e desenvolveram Missões em Luanda, Nambuangongo, São José do Encoje, Nova Caipemba, Mabubas, Quifangondo, Barra do Dande, Cacuaco, Cazenga, Catete, Muxima, Quitexe, Songo e Uíje; em 2003 partem em missão para Timor-leste, dando início à primeira fraternidade de Capuchinhos naquele país e em Janeiro de 2006 abrem a segunda fraternidade neste mesmo país.

Outra forma de evangelização característica dos Capuchinhos em Portugal tem sido a pregação popular, nomeadamente as Missões Populares, feitas por vários Missionários ao longo de 15 dias numa paróquia ou zona pastoral mais alargada. Entre outras, podemos referir as realizadas em Chaves, Viana do Castelo, Covilhã e periferia, Pombal, Guimarães, Póvoa de Varzim, Ponte de Sôr, Baixa da Banheira, Amial, Pinhel, Figueira de Castelo Rodrigo, Cabanas de Viriato, concelhos e vilas de Santa Maria da Feira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra, São João da Madeira, etc.

 

 
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