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Dom António Monteiro (no 3º aniversário da sua morte)

 

 

 

Inauguração do Busto de Dom António Monteiro

 

 

No passado dia 15 de Abril de 2007, a propósito do 3º aniversário da morte de D. António Monteiro, foi inaugurado em Serafão, terra natal de D. António, um Busto em homenagem ao antigo Bispo de Viseu, o "Apóstolo da Vida e da Família". Deixamos aqui a Homilia do Sr. Cónego Dr. Valdemar Gonçalves, na celebração da Eucaristia e a mensagem do frei Acílio Dias Mendes, Ministro Provincial dos Franciscanos Capuchinhos.

 

 

 


 

 

 

 

Homilia do Sr. Cónego Dr. Valdemar Gonçalves

Vigário Geral da Arquidiocese de Braga

na celebração da Eucaristia, em Serafão,

no 3º aniversário da morte de D. António Monteiro

 

Ainda hoje, integrada no complexo das construções do Lar da Santa Casa da Misericórdia de Fafe e completamente restaurada, lá se encontra a Casa do Calvário. Aí, em tempos já distantes funcionou um Seminário Menor dos Padres Capuchinhos que o Povo de Fafe não esqueceu e recorda com gratidão e saudade. Foi esse pequeno Seminário casa de acolhimento e formação de várias crianças e jovens, alguns oriundos e residentes nesta região, que deu à Igreja vários Sacerdotes doutos e apostólicos.

 

Ora, aparece como pioneiro, nesta paróquia, de várias vocações Sacerdotais, da Ordem dos Franciscanos Capuchinhos e outros, a par de um grupo de Irmãs Religiosas, o saudoso Bispo de Viseu, D. António Monteiro que principiou ali, na Casa do Calvário, a sua formação.

 

Comemora-se o terceiro aniversário do seu falecimento. A paróquia de Serafão, do Arciprestado de Fafe, terra do nascimento do Senhor D. António não quis deixar no esquecimento esta efeméride. E se é verdade que esta Comunidade estima aquele Bispo, seu conterrâneo, ele sempre lhe retribuiu um acrisolado afecto. Bem se lhe pode atribuir esta estrofe inicial dum soneto:

 

Nesse local, algures, onde nasci,

Nesse torrão com um ribeiro ao lado

Tenho o segredo para quanto vi

E o chão que me segura levantado.

 

Serafão, terra agrícola, naquele tempo muito aproveitada em cíclicas lavradas, com o ferro do arado a virar as leivas e a preparar as sementeiras, garantia das colheitas, na estação própria, foi chão de identidade marcante donde surgiram homens ilustres e na comunidade cristã, Sacerdotes e Religiosas, de muita valia, muitos dos quais ainda vivem.

 

*          *          *

 

As leituras proclamadas na Liturgia da Palavra assinalam o tempo pascal, os acontecimentos ocorridos após a Ressurreição do Senhor e a confirmação de Jesus como o Messias. O Senhor Ressuscitado presente entre os seus, com as chagas vivas e verificáveis mas que deixa claro: «Bem-aventurados os que crêem sem terem visto!» (Jo 20,29)

 

O justo vive da Fé, não de uma fé qualquer, à mistura com superstições, mas da Fé no Ressuscitado, o Salvador do Homem a quem eleva à dignidade de filho no Filho, participante da vida divina e herdeiro da intimidade com Deus para sempre.

 

Precisamos todos deste ingresso no Coração da Fé. A nossa expressão religiosa e de fé cristã passa necessariamente por uma piedade doutrinal, mas é muito mais do que uma teoria que se aprende para ser um compromisso de vida com Deus e com os Homens. E o caminho é só um:

 

Jesus Cristo morto e ressuscitado, vivo e presente no meio de nós.

 

Foi e será sempre ELE o grande sedutor que nos amou primeiro, que nos chama e que sempre terá quem rasgue teias e embaraços e lhe dê a resposta da sua entrega.

 

O Senhor D. António Monteiro esteve sempre na primeira linha do testemunho da sua dedicação a Cristo: Consagrado e enviado, permaneceu fiel até ao fim abraçando os homens seus irmãos. A sua vida foi uma procura de defesa (muitas vezes incómoda) da verdade ao serviço da Caridade.

                                                                                 

*          *          *

 

Foi um Homem e Sacerdote ilustre:

«Frequentou a Universidade Gregoriana em Roma onde se licenciou em Direito Canónico. Frequentou depois a Academia Alfonsiana da Universidade Lateranense de Roma e licenciou-se ali em Teologia Moral e Ética. Na mesma Universidade fez o seu doutoramento, defendendo a tese sobre o tema: «O Homem, fonte de Moral, na Constituição Pastoral sobre a Igreja no Mundo contemporâneo».

 

Foi Reitor no Colégio Internacional de São Lourenço de Brindes, em Roma, leccionou na área da sua especialidade na Universidade Católica Portuguesa, foi, em vários mandatos, eleito Superior Provincial dos Capuchinhos em Portugal e Presidente da Conferência Nacional dos Institutos Religiosos do País.

 

Tudo isto não fez esquecer aquele que durante muitos anos foi conhecido como o «Padre Rafael de Serafão».

 

Colaborou em enciclopédias no estrangeiro. Interveio em Semanas e Congressos. Orientou cursos em vários países, nomeadamente no Brasil, Angola, Cabo Verde, Itália, Espanha, Colômbia, etc.

 

Tudo isto não anulou a identidade do Sacerdote das missões populares, o pregador nato do povo e para o povo.

 

Era de Serafão em corpo e alma. Aqui assimilou a sua Fé que transmitia com a marca de origem e o testemunho de vida:

 

Eu sou das veigas, do sopé dos montes,

Trago na alma o murmurar das fontes

E o paladar dum fruto bem maduro

 

Que o Sol aquece e torna saboroso:

Não sou da foz do rio caudaloso,

Sou das nascentes, onde o rio é puro.

 

*          *          *

 

O zelo pastoral do Pároco de Serafão, aproveitando a ocorrência desta comemoração e debruçado sobre a realidade vocacional que aqui tão prodigamente frutificou, tendo como primeira vocação sacerdotal o Senhor D. António Monteiro, quis fazer de todo este acontecimento um desafio a respostas juvenis e de toda a paróquia, a Cristo que chama.

 

No seguimento do programa pastoral diocesano pede-se solidariedade nas famílias e entre as famílias, fecundas e abertas à Comunidade, à Igreja e a todos os irmãos. Precisamos de famílias evangelizadas e educadoras pelo testemunho de vida na fraternidade da concórdia e da partilha.

 

Certamente que é vital a vivência dominical, a participação activa na celebração da Eucaristia e na escuta da Palavra de Deus como elemento evangelizador. É o grande exercício de comunhão e de vida da Comunidade, que se reúne, para depois realizar o exercício solidário da fraternidade entre todos os homens, no meio de todas as tarefas da vida, no convívio humano.

 

Precisamos de reagir contra modelos de uma sociedade sem referências nem valores, sem orientação, fechada num egoísmo de prazer permissivo e redutor, sem horizontes.

 

*          *          *

 

Cristo é de ontem, de hoje e de sempre.

Na primeira leitura da Liturgia da Palavra da Missa de hoje referem-se os milagres e prodígios que os Apóstolos realizavam em favor do povo. Sobretudo nesta passagem do livro dos Actos dos Apóstolos sobressai a figura de S. Pedro, uma vez confirmado, a confirmar os irmãos e «de tal maneira que traziam os doentes para a rua e colocavam-nos em enxergas e em catres, para que, à passagem de Pedro, ao menos a sua sombra cobrisse alguns deles» (Act 5,15). «Cada vez mais gente aderia ao Senhor pela fé...» (Act 5,14).

 

Na segunda leitura do Livro do Apocalipse – «uma obra repleta de ressonâncias litúrgicas, onde a assembleia dos fiéis na terra se faz eco das aclamações da Jerusalém celeste tributadas ao Cordeiro imolado e vencedor da morte, Cristo ressuscitado» – S. João Evangelista refere a visão que teve na ilha de Patmos:

«Quando o vi caí a seus pés como morto. Mas Ele poisou a mão direita sobre mim e disse-me: «Não temas. Eu sou o Primeiro e o Último, o que vive. Estive morto, mas eis-me vivo pelos séculos e tenho a chave da morte e da morada dos mortos»... (Ap 1,17-18).

 

No Senhor Jesus repousa o nosso coração inquieto e atribulado. É por excelência uma saudação de paz aquela que Jesus dirige aos Apóstolos após a Ressurreição, como nos refere a leitura do Evangelho da liturgia de hoje: «Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco» (Jo 20,19). Esta foi a advertência constantemente repetida pelo Senhor: «Porque tendes medo»? «Não tenhais medo»: «Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz».

 

Muitos lembram ainda as palavras iniciais do Pontificado de João Paulo II: «Não tenhais medo. Abri os vossos corações a Jesus Cristo».

Cristo nos chama. O homem responde. A Paz é o dom.

 

Queridos amigos:

Hoje, ao celebrarmos o 3.º aniversário do encontro do Senhor D. António Monteiro, Fr. Rafael de Serafão, com o Senhor da Vida, para sempre, abramos também o coração a Jesus Cristo, como ele o fez, vivamos com alegria, invocando a protecção de Maria para os nossos caminhos, Ela que sempre guardou o Senhor dentro d’Ela e a Ele nos conduz.

 

 

Cónego Dr. Valdemar Gonçalves

Vigário Geral da Arquidiocese de Braga

 

 

 


 

 

 

 

Contemplar o Busto

 de D. António Monteiro

– Franciscano Capuchinho – Bispo de Viseu –

 

 

Queridos amigos e irmãos, de modo particular os irmãos e irmãs da Comunidade Cristã de Serafão:

 

São João diz-nos, no Evangelho proclamado hoje na Eucaristia que «Jesus mostrou aos discípulos as mãos e o lado, [as mãos e o coração]. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor» (cf. Jo 20,20).

 

Descerrado o pano, podemos contemplar agora o Busto de D. António Monteiro. E também nós, como os discípulos, ficamos cheios de alegria.

 

No templo celebrámos Cristo, o Senhor Ressuscitado, em Eucaristia levada a tantos lares e corações, em Portugal e no estrangeiro, através da transmissão da TVI. Aqui fora, fazemos memória de uma testemunha do Ressuscitado: D. António Monteiro. O que celebramos no interior do templo é para se tornar vida fora do templo, nos multiformes areópagos do mundo. É este o verdadeiro culto cristão.

 

Alegramo-nos ao contemplar a cabeça de D. António. Um cérebro irrigado pelas fontes da sabedoria, da cultura, da promoção de valores que levem à construção de uma Sociedade mais justa, de um Mundo mais solidário e fraterno. D. António foi um enamorado da Sabedoria, um eterno devorador de livros, criteriosamente seleccionados, numa permanente actualização do pensamento humanista e cristão. A sua licenciatura em Direito Canónico e o seu doutoramento em Teologia Moral [«O Homem, fonte de Moral, na Constituição Pastoral sobre a Igreja no Mundo de hoje»] testemunham o seu insaciável amor à sabedoria.

 

Alegramo-nos ao contemplar os seus olhos. D. António foi um homem que viu mais longe e mais além. Profeta de «olhar penetrante; que tem a visão do Omnipotente, que se prostra, mas de olhos abertos» (cf. Nm 24,3-4). D. António viu este Mundo como terreno propício à implantação do Reino de Deus, com seus pilares de Justiça, Verdade, Liberdade e Amor. Viu as realidades humanas à luz do Deus do Génesis, um Deus entusiasmado com a obra da Criação, marcada pela beleza e autonomia. Em todas as pessoas ele viu irmãos e irmãs com quem se faz caminho para a Casa do Pai que nos é comum. Num mundo marcado pela globalização, D. António foi homem do diálogo e do ecumenismo, seguindo o «espírito de Assis».

 

Alegramo-nos ao contemplar os seus ouvidos. Dois ouvidos. Como quem diz: um ouvido sempre disponível a escutar a voz de Deus. Daí, esse levantar-se tão madrugador de D. António, essas longas horas silenciosas vividas diante do Senhor, para, qual discípulo sentado aos pés do Mestre, d’Ele haurir as palavras que haviam de pautar todo o seu ser e agir. Um segundo ouvido, esse voltado para o Povo, para lhe perscrutar os anseios, os gemidos, as esperanças. Um ouvido que sabe escutar os clamores da Mãe e Irmã Terra, tão sujeita hoje a explorações e violências.

 

Alegramo-nos ao contemplar a sua boca, com os seus lábios, a sua língua. Oh ditosa boca que anunciou as palavras do Evangelho da Vida, a mensagem franciscana da Paz e do Bem, as palavras do Evangelho da Misericórdia! D. António Monteiro, ou frei Rafael de Serafão, ou frei António Monteiro foi um arauto do Senhor. Com entusiasmo, ele anunciou as perfumadas palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo. Com a coragem dos Profetas, ele arriscou denunciar injustiças e opressões a que submetem os empobrecidos e excluídos da nossa sociedade. Com a paixão de Francisco de Assis, de quem até ao fim permaneceu fiel seguidor, ele soube fazer-se voz dos que não tem voz, solidarizando-se com os seus sofrimentos e lutas.

 

O mais importante é sempre invisível aos nossos olhos. Por isso, é imperioso penetrarmos no interior deste Busto, para ali contemplarmos, emocionados, o seu coração. D. António era um verdadeiro apaixonado. Apaixonado de Cristo Jesus. Apaixonada da Igreja. Apaixonado pelo «Homem, fonte de moral». Apaixonado pela dimensão festiva da Vida. D. António era verdadeiramente um «homem festivo». A artística escultora soube espelhar neste Busto um harmonioso sorriso que nos transporta a um homem marcado pela alegria de viver, um homem que soube amar. Só os que amam podem sorrir com o sorriso de Deus, tornando este Mundo mais conforme ao projecto do Altíssimo e Bom Senhor.

 

Celebramos hoje uma das últimas heranças do saudoso papa João Paulo II: O Domingo da Divina Misericórdia. O Tempo Pascal tem, assim, o seu auge na celebração da Misericórdia de Deus. D. António Monteiro foi um sacramento vivo da Misericórdia do Senhor. Conhecemos a etimologia latina da palavra «misericórdia»: aquele que tem o «coração» voltado para o «miserável», para o pobre, para o necessitado. D. António Monteiro, quer como franciscano capuchinho, quer como Pastor da Diocese de Viseu foi um homem de coração misericordioso e compassivo: um coração voltado para as necessidades das pessoas que o Senhor colocou no seu caminho.

 

Finalmente, como coroa deste Busto, alegramo-nos ao contemplar a Cruz que D. António leva ao peito. Uma cruz reluzente, dourada. É a Cruz gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo. Uma cruz que nos marca e desafia. D. António Monteiro – tal como Francisco de Assis – desde jovem abraçou com entusiasmo a Cruz do Senhor, seguindo os seus passos. Ele soube proclamar na cruz de cada dia a surpreendente força do Senhor Ressuscitado.

 

Pelo testemunho e acção de D. António Monteiro, o Espírito Santo lançou, nesta Comunidade Cristã de Serafão, uma imensa sementeira de vocações sacerdotais, religiosas, missionárias. Aqui se encontram hoje vários Capuchinhos, naturais de Serafão, que lhe seguiram os passos [frei Herculano Alves, frei João Santos Costa e frei Luís Gonçalves]. Aqui se encontra a sua irmã de sangue e de consagração, a Irmã Margarida, das Franciscanas Missionárias de Nossa Senhora. Aqui deveria estar a usar da palavra o seu querido irmão, o nosso frei Joaquim Monteiro – que uma inesperada debilitada saúde impede de partilhar connosco a alegria desta homenagem.

 

Seguir o Senhor Jesus é carregar a cruz de cada dia. A cruz do serviço e da disponibilidade. A cruz do lavar os pés aos irmãos. A Cruz que é caminho de felicidade e de glória. Iniciamos no próximo Domingo a Semana de Oração pelas Vocações Consagradas. Contemplar este Busto de D. António há-de constituir um desafio para as crianças, os adolescentes, os jovens, as famílias cristãs de Serafão. Não sentis vós o apelo do Senhor? Se ele bater à porta do vosso coração, não tenhais medo! Sede generosos! Como o vosso conterrâneo, D. António Monteiro, dai-Lhe um Sim decidido e sem reservas. É justo homenagear D. António com este Largo que, há um ano, lhe dedicastes. É bom homenageá-lo hoje com este Busto. Mas é ainda muito mais valioso seguir os seus passos de humilde franciscano capuchinho, de zeloso sacerdote do Senhor, de intrépido arauto do Evangelho.

 

Parabéns a toda a Comunidade Cristã de Serafão, de modo especial à Fábrica da Igreja que teve a iniciativa de assim perpetuar a memória de um dos seus filhos que tanto prestigiou a sua terra natal!

 

Parabéns à autora deste artístico Busto, a Escultora Andreia Couto, de São João da Madeira!

 

Louvado sejas, meu Senhor, por todas as maravilhas que realizas através dos teus filhos, como o nosso querido D. António Monteiro!

 

 

Serafão, 15 de Abril de 2007

 

frei Acílio Mendes – ofmcap.

Ministro Provincial

 

[Texto redigido a partir das palavras proferidas, de improviso,

na inauguração do Busto a D. António Monteiro]

 

 

 

 

 

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