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Nos 40 anos da "Dei Verbum"

Nos 40 anos da "Dei Verbum"

Preparando os 40 anos da Dei Verbum, a Federação Bíblica Católica (febica) organizou em Roma, de 14 a 19 de Setembro passado, um Congresso sobre “A Sagrada Escritura na Vida da Igreja”, em que participaram cerca de 400 especialistas, entre os quais frei Fernando Gustavo Ventura, como tradutor.

Damos os passos principais do discurso de Bento XVI, na audiência concedida em Castel Gandolfo, a 16 de Setembro.

A Igreja escuta e anuncia a Palavra de Deus

«A constituição dogmática “Dei Verbum”, de cuja elaboração fui testemunha ao participar em primeira pessoa como jovem teólogo nas vivas discussões que a acompanharam, abre com uma frase de profundo significado: «O Santo concílio, escutando religiosamente a Palavra de Deus e proclamando-a com confiança» (nº 1). São palavras com as quais o Concílio indica um aspecto qualificador da Igreja: é uma comunidade que escuta e anuncia a Palavra de Deus.

A Igreja não vive de si mesma, mas do Evangelho e nele encontra sempre e de novo a orientação para o seu caminho. É algo que cada cristão tem de ter em conta e aplicar a si mesmo: só quem escuta a Palavra pode tornar-se depois seu anunciador. Não deve ensinar a sua própria sabedoria, mas a sabedoria de Deus, que com frequência parece estupidez aos olhos do mundo (1 Cor 1,23).

Cristo vive nas Sagradas Escrituras

A Igreja sabe bem que Cristo vive nas Sagradas Escrituras. Precisamente por este motivo, como sublinha a Constituição, sempre tributou às Escrituras divinas uma veneração parecida à dedicada ao próprio Corpo do Senhor (DV 21).

Por esta razão, S. Jerónimo dizia com razão algo citado pelo documento conciliar: “a ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo” (DV 25).

Igreja e Palavra de Deus estão inseparavelmente unidas entre si. A Igreja vive da Palavra de Deus e a Palavra de Deus ressoa na Igreja, no seu ensinamento e em toda a sua vida (DV 8).

A Palavra de Deus renovou a vida da Igreja

Damos graças a Deus porque nestes últimos tempos, graças também ao impulso dado pela Constituição dogmática “Dei Verbum”, foi reavaliada mais profundamente a importância fundamental da Palavra de Deus. Disto derivou uma renovação na vida da Igreja, sobretudo na pregação, na catequese, na teologia, na espiritualidade e no caminho ecuménico. A Igreja deve renovar-se sempre e rejuvenescer e a Palavra de Deus, que nunca envelhece nem se esgota, é o meio privilegiado para este objectivo. De facto, a Palavra de Deus, através do Espírito Santo, guia-nos sempre de novo para a verdade plena (Jo 16,13).

Recomendação da “Lectio divina”

Neste contexto, queria evocar particularmente e recomendar a antiga tradição da “Lectio divina”: a leitura assídua da Sagrada Escritura acompanhada pela oração permite esse íntimo diálogo no qual, através da leitura, se escuta Deus que fala, e através da oração, se lhe responde com uma confiada abertura do coração (DV 25). Se esta prática for promovida com eficácia, estou convencido de que produzirá uma nova primavera espiritual na Igreja.

Como ponto firme da pastoral bíblica, a “Lectio divina” tem de ser posteriormente impulsionada, inclusive mediante novos métodos, atentamente ponderados, adaptados aos tempos. Não se deve esquecer que a Palavra de Deus é lâmpada para os nossos passos e luz no nosso caminho (Sl 119/118,105).

Uno-me ao desejo que vos anima: «que a Palavra do Senhor continue a propagar-se» (2 Ts 3,1) até aos confins da Terra para que, através do anúncio da salvação, o mundo inteiro, ouvindo, creia no anúncio da salvação; crendo, espere, e esperando, ame (DV 1).

De todo coração, obrigado!»

 

 
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