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Caminhos ainda a percorrer

A Palavra de Deus

40 anos depois do Vaticano II

CAMINHOS AINDA A PERCORRER

Herculano Alves

Professor na UCP do Porto

A Constituição dogmática Dei Verbum, do Concílio Vaticano II, manifestou o primado da Palavra de Deus na Igreja. Reafirmou que a Igreja não é apenas intérprete e muito menos senhora da Palavra, mas é, sobretudo, “serva da Palavra”.

Este foi, certamente, um ponto de chegada de muitos séculos de História da Igreja, e marcou um antes e um depois na relação da Igreja com a Bíblia, em diferentes aspectos:

de uma atitude de pouca confiança e amor ao texto da Sagrada Escritura, passou-se a considerá-la como centro de toda a sua vida espiritual e apostólica;

o Vaticano I tinha dado uma definição da Revelação, a DV (nº 2.3) descreve-a, tal como ela foi acontecendo ao longo da História da Salvação: por meio de acontecimentos históricos e palavras, que são os seus dois lugares teológicos fundamentais;

a DV apresenta a Revelação sobretudo como um diálogo entre o Deus-amor e a humanidade oprimida.[1]

Ou seja: esta nova teologia bíblica valoriza as narrativas da Escritura como espaço de revelação, bem como a presença divina na História da Salvação, e não apenas as palavras ditas aos profetas e anunciadas ao povo em discurso directo.

Nestas páginas, em vez de fazermos uma síntese de toda a Conferência proferida na última Semana Bíblica Nacional de 2004[2], seleccionámos os pontos fundamentais dos números 3 e 4, onde se apresentam os novos caminhos ainda a percorrer.

A SAGRADA ESCRITURA

NA VIDA DA IGREJA

 

Disto trata o capítulo VI da “Dei Verbum”, que poderia resumir-se nestas palavras: a Igreja venera as Sagradas Escrituras e considera-as regra suprema da sua fé juntamente com a Sagrada Tradição, alimento da pregação e da religião cristã e fonte da vida espiritual dos fiéis (nº 21). Por isso,

 

os fiéis têm direito a ter acesso à Bíblia nas suas próprias línguas (nº 22);

o trabalho pastoral da Palavra de Deus torna-se mais aprofundado e iluminador, mediante o trabalho dos exegetas (nº 23);

a Teologia e a pregação encontram na Bíblia a sua “alma” (nº 24);

os ministros da Palavra devem ter um contacto íntimo e directo com a Escritura, e todos os fiéis são convidados a fazer o mesmo, devendo os pastores, para o efeito, favorecer a publicação de textos bíblicos bem anotados (nº 25);

a vida espiritual e apostólica do Povo de Deus pode ter novo impulso com a leitura e o estudo dos Livros Sagrados (nº 26).

 

Podemos perguntar se a Igreja viveu sempre nesta relação com a Sagrada Escritura; e, se não, por que motivos. Desde já afirmamos que a Igreja se esqueceu do tempo da sua juventude, os séc. I-V, em que a Bíblia esteve bem presente no seu coração.

 

Herculano Alves

 

De facto, a Dei Verbum abriu perspectivas para uma relação mais amistosa e sadia entre a Bíblia e a Igreja. No entanto, os objectivos propostos há quarenta anos pelo Concílio, ainda estão longe de ser atingidos. Por isso vamos olhar para a Dei Verbum e para a Igreja, ao mesmo tempo, em ordem a encontrar as lacunas que ainda existem na Igreja.

 

1. “Conversão” da Igreja à Palavra

 

Esta é a pedra de toque, o ponto de referência, em ordem a cumprir a DV e o Concílio, em geral. Tudo depende deste ponto, que não podemos separar da conversão a Cristo. Não nos convertemos a Cristo sem a conversão à sua Palavra; pois, como diz a DV, citando S. Jerónimo: «Desconhecer a Bíblia é desconhecer a Cristo.» Portanto, um primeiro passo a dar, por parte da Igreja em relação à Bíblia, é a maior aproximação à Palavra. Isto exige, sobretudo da parte dos sacerdotes e de outros agentes de Pastoral, uma autêntica “conversão” à Palavra de Deus, ou seja, uma passagem do sacramentalismo, em que nos deixámos cair, talvez por preguiça, à evangelização pela Palavra.

 

2. Não à ruptura entre os exegetas e o povo de Deus

 

Ainda existe um certo distanciamento e, por vezes, ruptura entre a Igreja-povo de Deus e os exegetas. No número 23, a DV lembra que os exegetas são a guarda avançada da reflexão da Bíblia dentro da Igreja, ao serviço de toda a comunidade eclesial. Mediante o seu estudo tornam-se instrumentos preciosos do Magistério, pois é através deles que a Igreja aprofunda a Palavra. No entanto, os exegetas são muitas vezes objecto de desconfiança por parte de alguns sectores ou de algumas pessoas da Igreja. Desta crise de confiança mútua resulta uma certa desconfiança nos biblistas por parte de alguns sectores da Igreja, e a mesma desconfiança dos biblistas acerca do modo como em certos sectores da Igreja se lê a Bíblia.

 

Com o seu estudo científico da Bíblia, desconhecida por 99,9% dos cristãos, os biblistas abriram muitas possibilidades para a compreensão do texto bíblico; mas esse estudo foi demasiado teórico e pouco voltado para a pastoral. Deste modo, a Bíblia tornou-se, por vezes, um livro fechado, “a sete selos”, aberto apenas aos peritos, continuando o povo sem ela. Desta crise de confiança resultou que, mesmo pessoas com certa responsabilidade na Igreja, se considerassem “leigos na matéria” e começassem a ter medo de falar da Bíblia.

 

3. Mediação dos Agentes da Pastoral

 

O que faltou na Igreja, para evitar essa ruptura entre o estudo científico da Bíblia e as comunidades eclesiais? Faltou uma actividade mais frequente e assídua para levar ao povo as aquisições das ciências bíblicas, por parte dos Agentes de Pastoral. Estes teriam como função derrubar os muros que encerram o jardim das Escrituras, para o abrir de par em par ao povo de Deus.

 

Ao exegeta compete o estudo científico da Bíblia; ao Agente de Pastoral, o papel intermediário de levar ao povo tais aquisições, para que o povo alimente sua fé com o pão da Palavra. E “todos os métodos devem estar, directa ou indirectamente, ao serviço da evangelização” (João Paulo II).

 

Pela especificidade do seu trabalho, o estudioso da Escritura corre o risco permanente de se isolar na sua torre de marfim e de esquecer o objectivo principal da Bíblia como Palavra de Deus, que é a evangelização permanente do povo. Porém, “a fidelidade à sua tarefa de interpretação exige do exegeta, que não se contente em estudar aspectos secundários dos textos bíblicos, mas coloque em evidência a sua mensagem principal, que é uma mensagem religiosa, um apelo à conversão e uma boa-notícia de salvação, capaz de transformar cada pessoa e toda a sociedade humana, introduzindo-a na comunhão divina” (João Paulo II).

 

Deve exigir-se ao estudioso duas coisas: ter presente a realidade do povo a ser evangelizado, e que ele próprio deve ser o primeiro a deixar-se evangelizar pela Palavra. Este último princípio serve para todos: todos temos que entrar na Bíblia, em todos os seus livros, sintonizando o nosso espírito com o Espírito que nela se encontra. Isto é, como diz Ezequiel, «comer o livro» (Ez 2,8-9; ver Ap 10,9-10).

 

Deve, pois, haver uma relação estreita entre o exegeta e o pastoralista, sob pena de os estudos bíblicos não terem qualquer impacte real na leitura da Bíblia feita na Igreja. Não se trata de uma dependência do Agente de Pastoral em relação ao exegeta, mas de uma mútua colaboração; pois, se o exegeta precisa do pastoralista, este precisa que o exegeta lhe diga com rigor os conteúdos da Bíblia, para depois escolher a linguagem e os métodos adequados para transmiti-los aos seus destinatários na catequese e na evangelização (DV 25-26).

 

A falta de intervenção dos pastoralistas teve duas consequências negativas: criou vários núcleos ou grupos de exegetas, que discutem a melhor metodologia para chegar mais depressa à compreensão da Bíblia; mas foi ocasião de muitos cristãos lerem a Bíblia nos seus grupos, não já a partir dos métodos científicos, mas sim a partir da sua subjectividade, conduzidos por guias iluminados de ortodoxia duvidosa.

 

A colaboração dos estudiosos com o Magistério tem sido preciosa, sobretudo na produção de documentos, o mais importante dos quais foi a Dei Verbum; mas, geralmente, ainda não se encontrou a necessária articulação entre Bíblia e pastoral. E esse é, a meu ver, um dos principais dramas da Igreja de hoje; pois o povo, mesmo aquele que é culto noutras áreas do saber, sem o necessário apoio da Palavra, que está na Bíblia, descambou para todo o tipo de devoções, peregrinações e superstições... se é que não aderiu a seitas milagreiras e apocalípticas do nosso tempo, ou a certos movimentos vindos de outras paragens e filosofias. Enfim, a separação entre exegetas e pastoralistas levou ao esvaziamento da exegese e da pastoral: a Igreja ficou mais pobre sem a Bíblia e a Bíblia ficou mais pobre sem a Igreja.

 

A relação vital entre os estudos bíblicos e a Igreja assenta em duas fidelidades inseparáveis: a fidelidade à Igreja e a fidelidade à Bíblia. Não se pode ser fiel à Igreja sem a Bíblia e não se pode ser fiel à Bíblia fora da Igreja. Por outro lado, a Igreja, como instituição, terá que ser fiel à Bíblia para ser fiel a si própria, fazendo da Palavra a fonte inexaurível da sua vida espiritual e de todos os seus membros.

 

Esta pastoral bíblica deve ainda passar por uma “desclericalização da Bíblia”. Isto significa que o clero não poderá continuar com o monopólio da Bíblia nem da sua explicação. É urgente que sejam os leigos a assumir essa missão da pastoral bíblica: os que estudaram Bíblia na UCP ou noutra instituição superior teriam aqui uma bela missão pastoral, em plena sintonia com o bispo da diocese e com o clero local, que em grande parte já não tem capacidade física para tal missão. Por isso, ou os leigos a assumem plenamente, ou continuaremos com um povo católico distanciado da Bíblia.

 

4. Intensificar acções de Pastoral bíblica

 

Certas acções de pastoral têm origem numa estrutura mental pouco enraizada na Bíblia, tanto por parte do clero como dos leigos. Por isso, urge:

 

Tornar mais bíblica a pregação de certas devoções, ou seja: cristianizar algumas devoções dos cristãos pouco enraizadas no Evangelho e na Bíblia em geral, e criar neles uma profunda devoção à “obrigação” de ler e rezar a Bíblia como Palavra de Deus. Esse seria o grande trabalho da pastoral. As devoções e o culto dos Santos entraram na Igreja para substituir a Bíblia, sobretudo a partir do tempo em que se abandonou a pregação bíblica. A prova de quanto afirmamos está no facto de “a missa inteira” do preceito eclesial dos domingos e dias santos de guarda, noutros tempos, não incluir a parte da Liturgia da Palavra e de as pessoas – sobretudo os homens – saírem calmamente da igreja para o adro no momento das Leituras bíblicas (que eram em voz baixa, de costas e em Latim!) e da homilia. Isto nada tem a ver com o que diz o nº 21 da Dei Verbum!

 

Corrigir certas leituras da Bíblia. Concretamente:

 

a) A pregação moralista sem qualquer suporte bíblico ou com uma ligação duvidosa à Palavra. Infelizmente, ainda é muito frequente na Igreja, pois o “pregador” reduz o texto bíblico à sua mensagem moral preconcebida, transformando a Boa-Nova no medo de um qualquer castigo divino, fazendo do texto bíblico uma arma de ameaça e de ataque à sociedade e aos indivíduos. O pior desta leitura moralista da Bíblia é não explicar o sentido do texto, de modo que o seu ouvinte saiba perfeitamente por que motivo deve agir dessa maneira e não de outra.

 

b) A leitura fundamentalista, que impõe uma compreensão literal do texto, não respeitando, nem as diferentes formas de linguagem do mesmo, nem as pessoas que tentam encontrar na Bíblia uma resposta certa para os graves problemas das suas vidas. Os seguidores desta leitura da Bíblia forçam os seus adeptos a seguir tais critérios, manipulando as pessoas e as suas vidas.

 

c) A leitura espiritualista, que, juntando uma espécie de moralismo e fundamentalismo ao mesmo tempo, reduz a leitura da Bíblia a uma forma de piedade individual, fora do contacto com os outros e com a própria vida. É uma leitura fundamentalmente alienante.

 

Promover e difundir as “Comunidades da Palavra” em diferentes lugares das paróquias, onde não há possibilidade de qualquer celebração. Estas comunidades reunir-se-iam sempre que não fosse possível a celebração da Eucaristia nem a Celebração da Palavra, e seriam presididas por um Ministro ou Agente da Palavra. A organização dessas comunidades estaria a cargo das dioceses e paróquias, e seria a resposta à falta da Eucaristia dominical, que afecta a maior parte das comunidades da Igreja Católica actualmente.

Esta instituição da Palavra responderia também a outra necessidade: a leitura orante da Bíblia, que tem na comunidade o seu espaço natural e próprio. Por isso, não iria organizar-se apenas quando falte o padre na paróquia, mas seria de implementar quanto antes, para pessoas que já não podem deslocar-se à Eucaristia ou a uma celebração da Palavra, por motivos de saúde ou económicos.

 

Formar, com a devida preparação, e credenciar oficialmente os “Ministros da Palavra (DV 23). Criaram-se ministérios em ordem à Eucaristia, aos sacramentos: Acólitos, Leitores e Ministros Extraordinários da Comunhão. Para quando os Ministros da Palavra? A DV afirma que o trabalho dos biblistas e dos teólogos pretende precisamente preparar os Ministros da Palavra (DV 23, 24, 25). Onde estão eles? Não serão apenas os padres, que já existiam antes da DV… Esta parece ser uma grave lacuna da Igreja do pós-Vaticano II.

 

Tais Ministros deveriam receber, tal como os Diáconos, uma formação específica, que contemplasse a formação académica, mas também os diferentes métodos de leitura da Bíblia em grupo, ou não, “de modo que o maior número possível de ministros da Palavra de Deus possa oferecer frutuosamente ao Povo de Deus o alimento das Escrituras, que ilumina a mente, fortaleça a vontade e inflame os corações dos homens no amor de Deus (DV 23).

 

Mas todos os fiéis devem ser minimamente instruídos, de modo a usar rectamente os livros da Bíblia, como livro de estudo e sobretudo de alimento da fé cristã. Isso evitará uma leitura fundamentalista, ainda tão corrente na Igreja.

 

Fazer da Bíblia o principal instrumento da catequese de adultos, mediante a “Escola Bíblica” ou “Escola da Palavra”. A Palavra deve ser estudada, para que os fiéis não caiam em leituras fundamentalistas ou moralizantes. Para uma leitura correcta da Bíblia, é necessário um conhecimento minimamente exegético, a fim de a conhecer como Palavra de Deus: não é possível ser um bom Agente de Pastoral, sem viver e ensinar a palavra de Deus; e isso exige um conhecimento minimamente actualizado da Bíblia. Há várias razões para exigir esse estudo actualizado da Sagrada Escritura:

 

1) Uma razão forte para isso é a distância histórica e cultural entre os livros da Bíblia e o nosso tempo e cultura. Pelas suas raízes históricas, a Sagrada Escritura é tributária de uma mentalidade e de culturas muito diferentes da nossa. Os estudos exegéticos pretendem lançar uma ponte entre esses dois mundos, para tentar compreender o que significa o texto bíblico. É um trabalho árduo, sem o qual nos arriscamos a falar da Palavra de Deus como qualquer crente de uma qualquer seita fundamentalista e dizer aquilo que o Espírito Santo nunca quis dizer na Bíblia.

 

2) A necessidade do estudo científico da Bíblia advém ainda do ambiente cultural em que nos tocou viver; um ambiente que talvez ignore as verdades essenciais do cristianismo, mas que, possuindo uma certa cultura laica, já não se contenta com respostas fáceis e superficiais por parte das pessoas da Igreja acerca dos textos bíblicos.

 

3) Um outro motivo importante que nos deve levar a um estudo sério da Palavra de Deus é o facto de a própria Bíblia ser um dos sinais dos tempos, desde há uma meia centena de anos a esta parte. Todos sabemos que a Bíblia é o livro mais vendido: encontra-se traduzida em mais de 2000 idiomas e anda nas mãos de toda a gente. As seitas levam-na de porta em porta; os intelectuais querem conhecê-la melhor, na sua relação com a História Comparada das Religiões e as ciências modernas. Mas é sobretudo a Igreja que, depois do Vaticano II, diz que a Bíblia é a base de toda a sua vida e actividade (DV 22.25; SC 36.51...). Por tudo isso, deveríamos investir um pouco mais neste estudo, individualmente e nos nossos encontros de formação.

 

APOSTAR NA FORMAÇÃO

 

Pastoralmente falando, recai, pois, sobre nós a grande responsabilidade de informar e de formar os cristãos em geral e os novos agentes de Pastoral, que serão a Igreja do futuro. Não podemos argumentar com a falta de preparação das pessoas, porque elas só a terão quando as prepararmos; e a principal responsabilidade de um Agente de Pastoral não é “gerir” a sua função, mas preparar quem o substitua num futuro mais ou menos próximo. Também não podemos perder tempo: vivemos numa sociedade que ainda é sensível aos valores cristãos, mas que já se paganiza rapidamente.

 

Herculano Alves

 

 

Alertar os párocos para a urgência do apostolado bíblico. A exegese e os estudos de Teologia, por si sós, não são suficientes para conduzir o seminarista e o sacerdote a descobrir “a força e o poder da Palavra de Deus” (DV 21). Nota-se que muitos leigos sentem mais entusiasmo pela Palavra do, que muitos sacerdotes e outros Agentes de Pastoral. E são os próprios leigos a queixarem-se disso. Por sua vez, muitos párocos queixam-se da falta de tempo para esse apostolado. Mas tudo depende dos critérios e das prioridades a ter em conta. Se alguém tem responsabilidades na matéria são os sacerdotes, que recebem formação científica específica para este efeito.

 

A deficiência não parece ter origem nos estudos em si mesmos, mas na formação humana e religiosa que lhes é oferecida nos Seminários e noutras casas de formação. Estas têm como missão fazer que a Bíblia desça da cabeça ao coração, sem deixar de ficar na cabeça, mediante celebrações e encontros de partilha da Palavra. Se os futuros párocos não tiverem um amor especial pela Palavra, não haverá nada a fazer neste campo, dada a profunda clericalização da Igreja: o que o padre não propõe, promove ou apoia, não tem futuro. As paróquias ainda são quase os únicos espaços e ambientes de formação dos nossos cristãos.

 

 

 

O PREÇO DA NEGLIGÊNCIA

 

O preço deste “descuido” e negligência da Igreja, a propósito da Bíblia, foi, é e continuará a ser bem pesado:

 

muitas pessoas católicas procuram matar a sua sede da Palavra nas águas sujas e envenenadas do fundamentalismo de muitas seitas e grupos anticatólicos, que se apresentam como detentores da verdadeira interpretação da Bíblia;

a juventude não recebe uma evangelização capaz, de modo a resistir a tantas solicitações do mundo de hoje, colocando em sérios riscos o futuro da Igreja.

 

Uma igreja que não tem a consciência lúcida da responsabilidade do anúncio da Palavra não é ainda uma comunidade segundo o projecto de Jesus para hoje.

 

Herculano Alves

 


 

[1] Ver Herculano Alves, “Novas Perspectivas da Dei Verbum”, em A Bíblia na Nova Evangelização, Difusora Bíblica, Lisboa, 1992, p.13-49.

[2] Ver o texto completo, “A Palavra de Deus nos 40 anos da Dei Verbum”, in Bíblica/série científica, Ano XIII, Nº 13 (Novembro de 2004), 161-200.

 

 
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