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O Jesus de São Lucas

 

 

O Jesus de São Lucas

 

Só muito dificilmente poderemos olhar individualmente para o Evangelho de Lucas sem termos em conta o livro dos Actos dos Apóstolos, a segunda parte da sua obra (Cf. Act 1,1), porque ambos formam um corpo homogéneo de exposição doutrinal da fé: o primeiro sobre o tempo de Jesus e o segundo sobre o tempo da Igreja. Apesar disso, tentaremos olhar isoladamente para o terceiro Evangelho, procurando descobrir o que ele nos diz sobre Jesus.

 

 

Lucas, muito provavelmente médico de profissão (Cf. Cl 4,14) e discípulo de Paulo, teria uma grande cultura para a época e conheceria bem as Escrituras (LXX), o que o ajudou a compor o terceiro Evangelho (entre os anos 80-90) destinado, sobretudo, ao mundo helenista, isto é, aos cristãos gregos vindos do paganismo, dando uma perspectiva universal à mensagem de Cristo. Cristo é “Luz para se revelar às nações” (Lc 2,32), por isso, Lucas apresenta muitos estrangeiros como modelos de acolhimento da Boa-Nova: o centurião romano é modelo de fé (Cf. 7,1-10), o leproso estrangeiro é modelo de gratidão (Cf. 17,11-19), o samaritano é modelo de misericórdia (Cf. 10,29-36).

 

Se é verdade que Lucas, na redacção do seu Evangelho, utilizou muitos materiais comuns a Mateus, porque têm a mesma fonte (fonte ‘Q’), o estilo que emprega na escrita é único quer pela ordenação dos materiais, que recebeu desta fonte, quer pela sensibilidade e arte muito próprias do seu estilo.

 

Segundo S. Lucas, Jesus é desde o início o ‘Messias-salvador’ eleito e ‘Filho do Altíssimo’ (Cf. 1,30-35; 2,11). Desde o início Ele é também o ‘Salvador’ dos povos pagãos: “Simeão tomou-o nos braços e bendisse a Deus, dizendo: ‘Agora, Senhor, segundo a tua palavra, deixarás ir em paz o teu servo, porque meus olhos viram a Salvação que ofereceste a todos os povos’” (2,28-31).

 

Jesus é verdadeiro ‘Filho de Deus’. Durante o seu baptismo, o próprio Deus o proclama seu “Filho muito amado” (Cf. 3,22) e este o confirma perante o tribunal judaico: “Disseram todos: ‘Tu és, então, o Filho de Deus?’ Ele respondeu-lhes: ‘Vós o dizeis; Eu sou’” (22,70). E ‘Filho de Deus’ é a designação que prevalece no terceiro Evangelho, ao contrário de Marcos – ‘Filho do homem’ – e Mateus – ‘Filho de David’, embora, de forma directa, este título seja mais comummente posto na boca dos demónios (Cf. 4,9.41; 8,28). Esta designação, preferida por Lucas, expressa a relação muito estreita de Jesus com o Pai, aliás, como bem o revela a forma de Jesus se dirigir ao ‘Pai’ e de rezar (Cf. 10,22; 3,21-22; 5,16; 6,12; 9,18.28-30; 11,1-13; 22,32-34.39-46; 23,34.46).

 

A Jesus são dados vários títulos tais como ‘Divina Sabedoria’ (Cf. 2,40.52; 7,35) por exemplo, mas, retendo-nos nos títulos especificamente cristológicos, Lucas usa o título ‘Filho do Homem’ para ora sublinhar a humildade de Jesus (Cf. 5,24) ora para sublinhar o seu messianismo glorioso (Cf. 22,69-70), usa o título ‘Filho de Deus’, como já vimos, embora raramente o faça directamente devido ao monoteísmo hebraico, e usa ‘Redentor’, isto é, aquele que veio para nos libertar da escravidão do pecado, “para dar a conhecer ao seu povo a salvação pela remissão dos seus pecados” (1,77). Essa redenção não se limita à morte de Jesus na cruz porque Jesus de Nazaré, durante a sua vida terrena, ofereceu o perdão de Deus aos pecadores: “Não foram os justos que Eu vim chamar ao arrependimento, mas os pecadores.” (5,32. ver também 7,47-49; 19,10).

 

Jesus é ainda o ‘Messias’ (19,28-38), isto é, o ‘ungido’ com o Espírito para proclamar a salvação e a libertação a todos os crentes e, ao mesmo tempo, realizá-la neles (4,18-19.36.39-40.42-43). O mistério do sofrimento, ligado ao título Messias (significa ungido em hebraico e em grego), permanece provisoriamente oculto e só será desvelado depois da Ressurreição (Cf. 24,26.46).

 

O título ‘Cristo’ não é utilizado por Lucas no contexto da actuação pública de Jesus. Todos os títulos cristológicos, de proveniência judaica ou helenista, assumem este sentido: a missão do ‘Filho do Homem’ consiste em “procurar e salvar o que estava perdido” (19,10). O título ‘Salvador’ assume uma grande importância neste Evangelho: aparece 4 vezes no Evangelho, bem como a palavra ‘salvação’; a palavra ‘salvar’ aparece 30 vezes. O próprio nome Jesus (hebraico Jechua) significa ‘o Senhor salva’ (Cf. 1,31-33; 2,11.21).

 

Jesus foi ungido para anunciar a Boa-Nova aos pobres, dar a vista aos cegos e proclamar a liberdade aos oprimidos (Cf. 4,18), por isso, a sua missão como ‘Salvador’ fá-lo voltar-se, sobretudo, para os pequeninos, os pobres e aleijados: “quando deres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos” (14,13). Jesus acolhe e come com cobradores de impostos e pecadores (Cf. 15,1-2), permite que as prostitutas se aproximem dele (Cf. 7,37-38), perdoa aos pecadores arrependidos (Cf. 7,36-50), cura os estrangeiros (Cf. 17,11-19), dá uma grande importância à mulher num tempo em que ela era religiosa e socialmente discriminada (Cf. 8,1-3; 10,38-42) e tem um olhar bondoso e misericordioso para com todos, mesmo com aqueles que o negam (Cf. 22,56-62).

 

Assim, pelo grande amor e respeito de Jesus por todo o ser humano, os povos pagãos encontram n’Ele motivo de conversão, esperança e salvação. Em São Lucas, toda a história de Jesus tem um carácter soteriológico: desde o seu amor pelos indigentes, passando pelo caminho do sofrimento, até à consumação com a sua glorificação junto de Deus, pela qual ele se tornou permanentemente o ‘Salvador’ para possibilitar a salvação definitiva.

 

Mas esse caminho de Jesus, essa história que Ele vai fazendo, é também o caminho que nos propõe a nós para que, pela acção e força do Espírito Santo (em Lucas, tudo acontece por acção do Espírito Santo), alcancemos a salvação: “Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, porque Eu vos digo que muitos tentarão entrar sem o conseguir” (13,24).

 

A mensagem de Jesus é salvífica, transforma todo o homem curando-o e libertando-o. O Jesus de São Lucas é o ‘Filho de Deus’, verdadeiro e único ‘Salvador’.


 

Frei Hermano Filipe

 

 
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