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A Ressurreição de Jesus no Evangelho de São Lucas (Cap. 24)

 

 

A Ressurreição de Jesus no

Evangelho de São Lucas (Cap. 24)

 

 

Em Lucas encontramos um relato da ressurreição de Jesus muito diferente dos outros evangelistas. Em primeiro lugar, dá-nos um esquema da vida de todo o discípulo de Jesus; a seguir apresenta um esquema da acção pastoral de Cristo e da Igreja; depois, o esquema de uma Eucaristia dominical; e finalmente mostra Jesus a ser anunciado na actividade missionária da Igreja. Estas são as quatro colunas do Cristianismo, no aspecto doutrinal, pastoral e litúrgico.

 

Por isso, em cada ponto da nossa reflexão, teremos em conta estas perspectivas do texto, em que o próprio Jesus se apresenta como o grande pedagogo da Igreja e de cada cristão. Acrescente-se que tudo isto acontece em Jerusalém, pois Lucas colocou aí tudo o que é importante em relação à revelação de Jesus ao mundo.

 

 

1. Revelação do Ressuscitado às mulheres no sepulcro

 

Tal como acontece nos outros três Evangelhos, também Lucas nos apresenta a revelação do Ressuscitado às santas mulheres que vão ao sepulcro, «levando perfumes que tinham preparado”, para ungir o corpo morto de Jesus (v.1). Porém, tal unção não irá acontecer, pois Ele já não estava morto «no primeiro dia da semana». A evidência da ressurreição é apoiada por vários argumentos:

 

1. A pedra que fechava a caverna do sepulcro fora removida (v.2).

2. «E, entrando, não acharam o corpo do Senhor Jesus» (v.3).

3. Ficaram «perplexas com o caso», isto é, não encontravam uma explicação do mesmo.

4. Depois, «apareceram-lhes dois homens em trajes resplandecentes» (v.4).

5. Estes “homens”, afinal, de homens apenas tinham a aparência, pois tratava-se de seres angélicos, celestes, o que nos é dito pelos trajes resplandecentes. Prova ainda que se tratava de seres celestes o facto de as mulheres ficarem amedrontadas e voltarem o rosto para o chão (v.5).

6. As palavras dos seres angélicos apresentam a ressurreição com toda a clareza, de maneira negativa: «Porque buscais o Vivente entre os mortos?»; e de modo positivo: «Não está aqui. Ressuscitou» (v.5.6).

7. Seguidamente recorrem à memória das mulheres: «Lembrai-vos de como vos falou, quando ainda estava na Galileia […]. Recordaram-se, então, das suas palavras» (v.6-8).

8. Depois do anúncio da ressurreição aos Apóstolos feito pelas mulheres (v.9-11), Pedro, para desfazer equívocos e superar a incredulidade dos outros Apóstolos, foi ao sepulcro, mas «apenas viu as ligaduras e voltou para casa, admirado com o sucedido» (v.12).

 

Estes “argumentos” da ressurreição de Jesus, apresentados por Lucas, são praticamente comuns aos outros três Evangelhos. Neles aparecem, ao mesmo tempo, os sinais da vida do Ressuscitado, mas também a dificuldade de crer das mulheres e dos Doze. Esta poderia chamar-se a revelação negativa, isto é, Jesus é revelado, não porque se vê, mas porque não está no sepulcro, onde o tinham colocado. Este texto manifesta ainda que a morte faz parte da vida, ou seja, não podemos chegar à vida plena sem passar pela morte. Como aconteceu com Jesus.

 

Importante é ainda mencionar o facto da ressurreição situado «no primeiro dia da semana», e não no “sétimo dia”. Há grupos que se dizem cristãos e ainda andam a celebrar o sábado. Como é possível fazer a grande festa do sábado, estando Jesus morto no sepulcro?

 

A partir de agora, temos o texto típico de Lucas, que não tem paralelo em nenhum dos outros três. É o chamado texto de Emaús, onde Jesus se manifesta, pessoalmente, a dois dos seus discípulos (Lc 24,13-35).

 

 

2. Revelação de Jesus aos seus

 

Esta revelação de Jesus acontece em quatro etapas:

 

1ª. O Ressuscitado revela-se na vida de cada dia (v.13-24). Lucas apresenta-nos Jesus que aparece no caminho dos dois discípulos, como se dissesse, na vida de cada dia, na vida de cada discípulo. Se os discípulos de Emaús tiveram dificuldade em compreender a Paixão de Jesus – e estes dois são a personificação de cada um e de todos os discípulos – cada um de nós tem a mesma dificuldade. Este caminho caracteriza-se pela dificuldade em ver, em reconhecer Jesus. No meio das preocupações e dos sofrimentos da vida, o discípulo não reconhece a presença do Ressuscitado. Falta-lhe um olhar, o olhar da fé, para encontrar Jesus na sua paixão e na paixão de um mundo de sofrimento que nos rodeia por todos os lados. Cada cristão sente esta dificuldade na sua própria pele.

 

Esta primeira etapa da caminhada do discípulo e de cada ser humano – que se caracteriza pelas interrogações e, tantas vezes, pela noite escura – tem a sua resposta na presença do Ressuscitado. Jesus está presente, nunca abandona o discípulo.

 

:: A primeira etapa da evangelização. Quando Lucas escreveu este texto, por volta dos anos 80, umas três décadas depois do Acontecimento da Ressurreição, não o fez apenas com intuitos históricos, mas certamente para dizer algo em relação com a Igreja. Por isso, está aqui certamente o primeiro contacto que os missionários cristãos faziam com a população: sem as pessoas saberem quem eles eram – tal como fez Jesus – iam falando dele como única explicação para os problemas da vida. Aqui está, pois, a primeira etapa da evangelização, que dá relevo aos valores humanos, aos contactos pessoais, a partir dos problemas da vida real.

 

:: Mas aqui há ainda a primeira parte da Eucaristia: Os cristãos vão à Eucaristia e, com eles, levam todos os problemas da vida da semana, com as suas alegrias e interrogações, com os sofrimentos, as incompreensões familiares, a falta de emprego… Então, o cristão inicia a Eucaristia, reconhecendo-se pecador, isto é, cego; não viu Jesus ao longo da semana, não o encontrou sobretudo no sofrimento. E está ali para o encontrar, para o ver. Por isso, o Domingo, ou dia do Senhor, é o dia de ver a Deus, de o encontrar no Ressuscitado, como aconteceu com os discípulos de Emaús (Ap 1,9-20).

 

2ª. O Ressuscitado revela-se na sua Palavra (v.25-27). Se a parte anterior da vida e da Eucaristia representa toda a classe de interrogações humanas, esta segunda parte representa as respostas às mesmas interrogações. Jesus responde a todas elas pela sua Palavra, pois esta ilumina a vida e os seus problemas: «Ó homens sem inteligência e lentos de espírito para crer em tudo quanto os profetas anunciaram!» (v.25). É a Palavra de Jesus que nos torna “inteligentes” para compreender os profetas e ligar estas profecias à Palavra e à Pessoa de Jesus. De facto, aqui trata-se sobretudo da ligação do Antigo ao Novo Testamento e da interpretação do Antigo pela perspectiva do mistério da Pessoa e da Palavra de Jesus. Esta ilumina a vida e ilumina o Antigo Testamento. E este torna-se um Testamento cristão, na medida em que antecipa e profetiza o maior Acontecimento da História, que é Jesus Cristo.

 

:: Este texto manifesta a importância da Palavra na pastoral da Igreja. Sem a Palavra não há Cristianismo possível, pois, sem ela, não é possível conhecer Jesus Cristo; não é possível ter a vida “iluminada”; não é possível ser “inteligente”, isto é, compreender o mistério de Jesus. A pastoral missionária da Igreja não se concebe sem a Palavra de Jesus. Se não houvesse outro texto bíblico sobre a importância da Palavra de Deus para a comunidade cristã, bastaria este.

 

:: O texto manifesta igualmente a segunda parte da Eucaristia dominical, que consiste precisamente nas leituras bíblicas. Por este texto, sabemos que, no tempo de Lucas, já se faziam as leituras na celebração dominical. Por meio destas, os cristãos, além de iluminarem os problemas do passado, ganham novas forças para continuar a viver no futuro.

 

3ª. O Ressuscitado revela-se na Eucaristia (v.28-34). Ao chegarem a Emaús, os dois discípulos convidaram Jesus para entrar e ficar com eles nessa noite: «Fica connosco, pois a noite vai caindo, e o dia já está no ocaso» (v.29). Depois de se sentar à mesa, Jesus reproduziu os gestos da Última Ceia, em Quinta-Feira Santa: «Tomou o pão, pronunciou a bênção e, depois de o partir, entregou-lho» (v.30); em Lc 22,19, diz-se de modo semelhante: «Tomou, então, o pão e, depois de dar graças, partiu-o e distribuiu-o por eles…». A recordação da Ceia pascal de Jesus teve efeito positivo: finalmente, «os seus olhos abriram-se e reconheceram-no». Este ver e reconhecer dos discípulos é o resultado do contacto com a pessoa de Jesus, na primeira etapa, e da Palavra, na segunda: «Não nos ardia o coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?» (v.32). Portanto, a Palavra faz “aquecer” o coração, para que os olhos da fé possam ver Jesus de um modo mais perfeito na revelação da Eucaristia.

 

:: Aqui encontramos o lugar e a importância da Eucaristia na Igreja. Esta é, certamente, a última etapa da revelação do Ressuscitado e a revelação mais perfeita do mesmo. Por isso, nem todos têm a capacidade de ir à Eucaristia, porque não passaram pelas etapas anteriores. Aqui não se podem queimar etapas. Nesse sentido, a primitiva Igreja reservava a Eucaristia para os cristãos mais maduros na fé, enquanto os outros saíam da sala da reunião da comunidade imediatamente depois da parte própria da Palavra. Só depois do baptismo, que era administrado depois de vários exames e provas, é que começavam a participar na Eucaristia.

 

Neste sentido, a Eucaristia é, de algum modo, o centro da vida cristã, mas é necessário passar pela etapa da vida e pela etapa da Palavra, para chegar a este centro. Este texto coloca-nos, pois, a relação entre Palavra e Eucaristia: sem Palavra, não pode haver Eucaristia, mas a Palavra leva-nos necessariamente à Eucaristia. A Igreja tem, assim, um duplo centro: a Palavra e a Eucaristia; ou seja, tem dois alimentos, duas mesas, das quais se deve igualmente alimentar, como disse o Vaticano II na Dei Verbum, nº 21.

 

:: O texto manifesta também a terceira parte de uma celebração eucarística na liturgia do domingo. Lucas vai-nos dando, ao longo do texto, os seus diferentes elementos ou partes.

 

4ª. Anúncio do Ressuscitado (v. 33-35). Esta última parte do texto é o quarto pilar do Cristianismo; ou seja, mostra onde devem chegar a vida e a actividade cristãs. Os Apóstolos contam uns aos outros: «Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão» (v.34). Portanto, não se pode ser cristão apenas dentro de casa ou da igreja. É necessário anunciar, na vida, Aquele que encontrámos na Palavra e na Eucaristia.

 

:: Este texto manifesta a dinâmica pastoral da Igreja. A Missão faz parte da essência da Igreja; de tal modo que somos cristãos na medida em que somos missionários. É que a Eucaristia, a Missa, leva sempre à Missão e não fica completa sem ela. Se não houver Missão, é sinal de que alguma coisa falhou na Eucaristia. Deste modo, a Missão é a conclusão lógica dos números anteriores.

 

:: No tempo de Lucas, havia já a consciência de que o conhecimento de Jesus, plenamente vivido na Eucaristia, levava os simples cristãos à Missão e mesmo ao martírio pelo nome de Jesus.

 

 

PARA CELEBRAR EM GRUPO

 

1. Leitura do texto. Reunido o grupo, um membro do mesmo lê as partes do texto bíblico aqui referidas, enquanto outro vai lendo os comentários acima expostos. Os outros membros podem ouvir em silêncio ou acompanhar com a Revista.

 

2. Questões a colocar pelo Animador:

:: Será que vemos Jesus no meio do nosso trabalho semanal? A leitura da sua Palavra e a oração são óptimos meios para O encontrar. Será que utilizamos tais meios?

:: Como vai a nossa fidelidade à reflexão e leitura da Palavra de Jesus, no nosso grupo bíblico?

:: Será que utilizamos a pedagogia de Jesus para ajudar os outros a resolver os seus problemas e a encontrá-lo.

:: Será que a Palavra de Deus nos faz arder o coração, como aconteceu com os discípulos de Emaús?

 

3. Compromisso a combinar pelo grupo.

 

4. Cântico final.

 


 


 

Frei Herculano Alves

 

 
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