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Domingos de Agosto e Setembro

 

Domingos de Agosto e Setembro

Neste artigo falo dos textos do Evangelho de São Marcos

que vão ser lidos nos Domingos de Agosto e Setembro;

no próximo, falarei dos de Outubro e Novembro,

ou seja, até ao fim deste ano litúrgico B.

 

 

De 30 de Julho a 27 de Agosto inclusive, a Liturgia deixa o Evangelho de Marcos e recorre ao capítulo 6 de João. Nele, Jesus mostra uma especial atenção às pessoas com suas fomes e sedes, ajudando-as a transpor o nível material das suas preocupações para o espiritual da Boa-Nova.

 

 

Ler, a par, o Antigo e o Novo Testamento

 

Mas, cada Domingo, esta lição é complementada pelos textos do Antigo Testamento escolhidos pela Igreja como Primeira Leitura. De facto, por um lado, estes textos anunciam e prefiguram o futuro sacramento da Eucaristia; por outro, ligam este sacramento à vida, projectando a comunhão no corpo e sangue do Senhor na partilha concreta e solidária do pão material para matar a fome física das pessoas necessitadas. Para apanharmos o fio dos textos, precisamos de voltar ao último Domingo de Julho.

 

» No Evangelho do Domingo XVII, a 30 de Julho, Jesus acolhe a multidão atraída pelos seus milagres e multiplica os pães para matar a sua fome física. Ao dizer que «estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus», e ao colocar aqui os gestos e as palavras de Jesus que os Sinópticos utilizam aquando da instituição da Eucaristia na última ceia, João faz desta multiplicação dos pães uma ligação entre a Páscoa judaica e a Páscoa cristã, deixando transparecer o rito já então utilizado na celebração da Eucaristia: «Então, Jesus, tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, fazendo o mesmo como os peixes; e comeram quantos quiseram» (Jo 6,1-15; ver Mc 14,22; Lc 22,19). E com disto, João dá por instituída a Eucaristia, não falando já dela nas vésperas da Paixão, como os outros três Evangelhos.

 

Os pães e os peixes foram multiplicados a partir da merenda de cinco pães e dois peixes que um rapazinho levava consigo; o qual, também supõe a partilha de bens vivida pelos primeiros cristãos, como condição e consequência de uma vida eucarística (ver Act 2, 42-45). Por outro lado, a 1ª Leitura apresenta um texto de 1 Rs 4, 42-44 do qual João parece ter decalcado o seu relato. Ali, também um servo oferece a Eliseu vinte pães de cevada e trigo novo. O profeta manda-o matar fome da gente com eles; e, como ele hesitasse, insistiu e ele distribuiu-os, tendo ainda sobrado alimento.

 

 

Na curva da vida, um vislumbre do Céu

 

» A 6 de Agosto celebramos a FESTA DA TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR. E como as Festas do Senhor têm precedência em relação ao Domingo, este ano, em vez do XVIII Domingo Comum, interrompemos a leitura do capítulo 6 de São João para ouvir o texto de Mc 9,10-12, já proclamado no II Domingo da Quaresma.

Porém, embora o acontecimento seja o mesmo, as duas celebrações têm objectivos catequético-pedagógicos diferentes:

 

:: no Tempo da Quaresma a caminho da Páscoa, a Igreja, com o Evangelista, pretendia preparar os três apóstolos “preferidos” de Jesus – Pedro, Tiago e João – para não perderem a fé nele ao ver sua “angústia” no Getsémani;

:: agora, no Tempo Comum, a Liturgia pretende lembrar aos cristãos que «a Igreja terrestre e a Igreja já na posse de bens celestes, não devem considerar-se coisas diversas, mas constituem uma realidade única e complexa em que se fundem dois elementos, o humano e o divino.» Mais: pretende lembrar que «a Igreja reúne em seu seio os pecadores e, por isso, ao mesmo tempo que é santa, precisa também de purificação, e sem descanso prossegue no seu esforço de penitência e renovação». (Lumen Gentium, 8). 

 

 

Leitura contínua do capítulo 6 de João

 

» No entanto, e apesar de este ano ser omitido, recordo o texto de Jo 6,24-35, correspondente ao Domingo XVIII. Primeiro, porque fica registado para os anos em que o dia 6 não cair ao Domingo; e depois, porque é preciso tê-lo em conta para entender a sequência que vai ser lida no próximo Domingo.

 

Já estamos no dia seguinte ao do milagre da multiplicação dos pães. Jesus nota que a multidão continua a procurá-lo, mas por interesse material; e interpela-a: «Trabalhai, não tanto pela comida que se perde, mas pelo alimento que dura até à vida eterna e que o Filho do Homem vos dará.» Por sua vez, a multidão evoca o milagre do maná que Moisés fez no deserto, e desafia Jesus a fazer um semelhante, para acreditarem n’Ele. (Note-se que o relato desse acontecimento constitui o texto da 1ª Leitura: Ex 16,2-4.12-15).

 

Jesus diz que não foi Moisés quem lhes deu esse pão do Céu, mas Deus; e Deus acaba de lhes enviar agora o seu verdadeiro pão, «que desce do Céu para dar a vida ao mundo». A multidão implora: «Senhor, dá-nos sempre desse pão.» E Jesus responde: «Eu sou o pão da vida: quem vem a mim nunca mais terá fome, quem acredita em mim nunca mais terá sede.»

 

A pedagogia catequética deste capítulo 6, chamado “Discurso do Pão da Vida”, é típica de João, que apresenta Jesus a dialogar com os interlocutores. Veja o caso de Nicodemos (cap. 3), da Samaritana (cap. 4), da mulher surpreendida em adultério (cap. 8), do cego de nascença (cap. 9) e da ressurreição de Lázaro (cap. 11).

 

» No Domingo XIX, 13 de Agosto, o Evangelho começa com uma reacção dos judeus igual às dos conterrâneos de Jesus que vimos no Domingo XIV, a propósito de Ele ter dito, no texto anterior, que era o verdadeiro Pão descido do Céu. Os judeus murmuravam: Se nós conhecemos a sua família, como é que Ele diz que desceu do Céu?! E, muito ao jeito das catequeses dialogadas em João, Jesus responde, acabando por reafirmar tudo frontalmente: «Eu sou o pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei-de dar é a minha carne pela vida do mundo.» (Jo 6,41-51)

 

Entretanto, a 1ª Leitura transmite o famoso episódio de 1 Rs 19,4-8: o profeta Elias, cansado de andar um dia inteiro no deserto, pediu a Deus que lhe tirasse a vida e, deitando-se, adormeceu. Um Anjo do Senhor despertou-o e mandou-lhe comer e beber do pão e da água que lhe trouxera; ele assim fez, mas voltou a adormecer. O Anjo insistiu com ele segunda vez, e «Elias levantou-se, comeu e bebeu. Depois, fortalecido com aquele alimento, caminhou durante quarenta dias e quarenta noites até ao monte de Deus, Horeb.»

 

Ou seja: renovando e personalizando num profeta famoso de Israel o que tinha acontecido séculos antes com todo o povo, o texto vem reforçar as palavras de Jesus, estimulando-nos a comungar o seu Corpo e Sangue de forma habitual como condição de garantirmos a força necessária para o seguir até ao fim. «Saboreai e vede como o Senhor é bom», exorta-nos o refrão do salmo 34.

 

» A 20 de Agosto, a 1ª Leitura do Domingo XX faz-nos o convite da Sabedoria para o seu banquete: «Vinde comer do meu pão e beber do meu vinho que vos preparei. Deixei a insensatez e vivereis; segui o caminho da prudência» (Pr 9,1-6). E no Evangelho, Jesus renova o apelo à comunhão do seu Corpo e Sangue: «Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia» (Jo 6, 41-51).

 

» Finalmente, a 27 de Agosto (Domingo XXI) conclui a leitura contínua do capítulo 6 de João. E da forma pedagogicamente pretendida pelo Evangelista: após esta longa catequese, com os judeus a replicar e Jesus a triplicar, vem a separação das águas pela rejeição ou o acolhimento da Palavra. Escandalizados com a afirmação de Jesus, de que tinham de comer a sua carne e beber o seu sangue, «muitos discípulos afastaram-se e já não andavam com Ele.»

 

De facto, Jesus apenas tinha convidado alguns a segui-lo, não obrigando ninguém a fazê-lo. Por isso, interpela frontalmente os que tinham ficado com Ele, pois não queria seguidismos ambíguos nem interesseiros: «“Também vós quereis ir embora?” Respondeu-lhe Simão Pedro: “Para quem havemos de ir, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós acreditamos e sabemos que Tu és o Santo de Deus.”» (Jo 6,60-69).

 

Paralelamente a esta profissão de fé de Pedro em nome dos Apóstolos, a 1ª Leitura apresenta Josué (substituto de Moisés para introduzir o povo hebreu na terra prometida) a convocar os responsáveis e o povo numa assembleia em Siquém. Aí, desafia-os a optar de vez pelos deuses pagãos, a quem os seus pais tinham servido, ou pelo Senhor. E declara: «Eu e a minha família serviremos o Senhor.» Estimulado pelo seu testemunho, o povo respondeu: «Também nós queremos servir o Senhor, porque Ele é o nosso Deus» (Jo 6,51-58).

 

Ao concluir o texto, fica o eco das palavras de Jesus no Evangelho, que terão influído na decisão de Pedro: «As palavras que Eu disse são espírito e vida. Mas, entre vós, há alguns que não acreditam.» Para que a História da Aliança continue, só falta que nós, na Eucaristia deste Domingo, renovemos uma vez mais a nossa fé, actualizada pela escuta-aceitação da Palavra de Deus.

 

 

É por dentro que as pessoas são

 

» No XXII Domingo Comum, a 3 de Setembro, com um novo mês voltamos ao Evangelho de Marcos. E defrontamo-nos com um tema sempre antigo e sempre novo: a questão da pureza. Conhecemos as leis do Antigo Testamento sobre alimentos a não comer, contactos com certos doentes a evitar, lavagens a fazer… como condição para entrar no templo. Tudo para criar no povo eleito, através de sinais físicos, a consciência de que tinha de ser santo porque o seu Deus era santo.

 

Os judeus, entendendo essas leis à letra, confundiam impureza legal com impureza moral. Jesus traz a plenitude do sentido da Lei: ter vida limpa não é lavar as mãos, a roupa e os pratos, ou evitar os leprosos e outros doentes contagiosos; é purificar o interior do coração, pois é daí que sai aquilo que nos torna impuros (Mc 7,1-8.14-15.21-23).

 

 

Ouvir Jesus para testemunhá-lo

 

» O Evangelho do dia 10 de Setembro, XXIII Domingo Comum, situa-se nas viagens de Jesus por Tiro, Sídon e a Decápole. Narra a cura de um surdo-mudo, realizada por Jesus: «Imediatamente se abriram os olhos do homem, soltou-se-lhe a língua e começou a falar correctamente» (Mc 7,31-37). O condicionamento da fala pelo ouvido, A relação entre E diz-nos que, para anunciar o Evangelho é preciso, primeiro, como ele, abrir bem os ouvidos e escutar a palavra de Jesus.

 

O gesto de Jesus com o doente passou para o Ritual do Baptismo, já depois do rito central. O ministro, estendendo a mão direita sobre o neófito, diz: «O Senhor Jesus, que fez ouvir os surdos e falar os mudos, te dê a graça de, em breve, poderes ouvir a sua palavra e professar a fé, para louvor e glória de Deus Pai.» À nossa atenção de cristãos adultos!

 

» No dia 17 de Setembro, XXIV Domingo do Tempo Comum, o Evangelho corresponde ao ponto alto da 1ª parte do livro de Marcos; o outro é a confissão do centurião romano junto da cruz de Jesus «Verdadeiramente este homem era Filho de Deus!» (Mc 15,39). Após três anos de revelação dos mistérios do Reino aos seus discípulos, Jesus faz-lhes uma espécie de exame de profissão de fé: «Quem dizem os homens que Eu sou?... E vós, quem dizeis que Eu sou?»

 

Pedro responde: «Tu és o Messias!» E a sua resposta diz-nos que não basta sabermos o que os outros sabem ou dizem de Jesus; temos de estar preparados para dar a nossa resposta pessoal, testemunhando a nossa fé em Jesus não apenas na interioridade da igreja ou num grupo ou comunidade crente, mas em público. Jesus também não quis que os discípulos o dissessem a ninguém, antes de o viverem e estarem preparados para selar o seu testemunho com o próprio sangue. E a prova de que não estavam, foi o mesmo Pedro ter repreendido Jesus quando Ele lhes fez o primeiro anúncio da sua Paixão; e Jesus, que não tinha elogiado o testemunho de Pedro, como é feito em Mateus 16,17-19, ter acabado por chamar-lhe «Satanás» (Mc 8,27-35).

 

 

Condições para seguir Jesus

 

» Após a interpelação a Pedro, no Domingo passado, em Marcos Jesus diz a quem o quiser seguir: «Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me» (8,34). Segue-se o episódio da Transfiguração, a que já os referimos a 6 de Agosto. E no Evangelho do dia 24 de Setembro, XXV Domingo Comum, Jesus anuncia pela segunda vez a sua próxima Paixão: «O Filho do Homem vai ser entregue às mãos dos homens e eles vão matá-lo; mas Ele, três dias depois de morto, ressuscitará.»

 

O evangelista diz que «os discípulos não compreendiam aquelas palavras a tinham medo de o interrogar»; e choca saber que, por isso, em vez de se esclarecerem da sua vocação e missão junto de Jesus, se puseram a discutir «uns com os outros sobre qual deles era o maior». Ou seja, estavam a garantir o seu futuro, indiferentes à sorte do Mestre. E Jesus: «Quem quiser ser o primeiro será o último de todos e o servo de todos.» (Mc 9,30-37).

 

Neste ponto, já podemos estabelecer um itinerário do discípulo de Jesus:

- deixar tudo e segui-lo;

- escutar a sua palavra de vida eterna;

- professar a fé nele;

- tomar a sua cruz até ao fim;

- servir, em vez de ser servido.  

 

 

frei Lopes Morgado

 

 
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