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Domingos de Agosto e Setembro

 

Domingos de Agosto e Setembro - Ano C

Com S. Lucas na escola do Evangelho

Circula na Internet um belo pp com o

“Decálogo para Férias” de D. Xavier Salinas, bispo de Tortosa.

O 3º ponto diz: «Vive o Domingo. Nas férias,

ele continua a ser o Dia do Senhor. Deus não vai de férias.

Tens mais tempo livre, participa na Eucaristia dominical.»

Este apontamento visa ajudar os cristãos na preparação

do Domingo, iniciando nas Leituras da Palavra de Deus.

E a Bíblia, nestes domingos, também parece apostada

em não nos dar férias de Deus.

 

 

«A garantia dos bens que se esperam»

 

:: Logo no dia 5 de Agosto, XVIII DOMINGO COMUM, o Coelet coloca-nos impiedosamente perante a vacuidade (mais do que vaidade!) da vida do ser humano. Mesmo «quem trabalhou com sabedoria, ciência e êxito, tem de deixar tudo a outro que nada fez… Mas então, que aproveita ao homem todo o seu trabalho e a ânsia com que se afadigou debaixo do sol?» (1ª Leitura: Ecl 1,2;2,21-23). A resposta vem no ponto 10º do tal “Decálogo para Férias”, de D. Xavier: «Vive a Solidariedade. Não queiras tudo para ti. Pensa naqueles que não têm férias, porque nem sequer têm o pão de cada dia. A caridade também não tem férias!» E, se “quem dá aos pobres empresta a Deus”, a retribuição será bem maior do que deixar tudo a certos herdeiros…

 

Então, é “sábio” desapegarmo-nos dos bens terrenos, como diz Paulo: «Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da terra» (2ª Leitura: Cl 3,1-5.9-11). Nem de propósito, no dia seguinte (6 de Agosto) a Igreja celebra a Transfiguração do Senhor (ver Lc 9,28b-36)…

 

E Jesus apoia essa atitude, quando, em resposta a quem o quer meter nas disputas entre herdeiros, apresenta a parábola do homem que pensava ter o futuro assegurado ao encher o celeiro com as colheitas do ano. Concluindo: «Insensato! Esta mesma noite terás de entregar a tua alma. O que preparaste, para quem será?» (Evangelho: Lc 12,13-21).

 

A mensagem é confirmada pelo Refrão do Aleluia: «Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus.» (Mt 5,3). Daí no pedirmos ao Senhor: «Ensinai-nos a contar os nossos dias, para chegarmos à sabedoria do coração» (Salmo 90,3-6.12-14.17).

 

:: A 12 de Agosto, XIX DOMINGO COMUM, o Livro da Sabedoria recorda a noite da libertação do povo de Deus no Egipto, para solidificar a fé dos crentes de então – e a nossa – na dos antepassados (1ª Leitura: Sb 18,6-9). Levando-nos a proclamar, com o Salmista: «Feliz o povo que o Senhor escolheu para sua herança» (Salmo 32,1.12-22). E a celebrar o “itinerário de fé” da Virgem Maria, no dia 15, Festa da sua Assunção ao Céu.

 

Por sua vez, a Carta aos Hebreus, no célebre capítulo 11 em que faz uma leitura crente da História bíblica através dos seus personagens, diz: «A fé é a garantia dos bens que se esperam e a certeza das realidades que não se vêem» (2ª Leitura: Heb 11,1-2.8-19). Quase a sublinhar a parábola de Jesus, no Domingo passado.

 

E Jesus não se faz rogado, voltando ao mesmo: «Não temais, pequenino rebanho, porque aprouve ao vosso Pai dar-vos o reino. Vendei o que possuís e dai-o em esmola. Fazei bolsas que não envelheçam, um tesouro inesgotável nos Céus, onde o ladrão não chega nem a traça corrói. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.» E conta mais duas parábolas, comuns a Lucas e Mateus: a dos servos à espera que o seu senhor volte da boda, e a do administrador infiel (Evangelho: Lc 12,32-48).

 

 

«Corre com perseverança para o combate»

 

:: Como que apresentando a outra face da moeda, as Leituras do XX DOMINGO COMUM, a 19 de Agosto, falam-nos da sorte dos que decidem ser fiéis ao Senhor. Porque o tesouro que lhes é prometido está no Céu, não esperam aqui ter grande compreensão das pessoas. Um exemplo: Jeremias exorta a dialogar com os inimigos que ameaçavam invadir o país; os aduladores do rei, pedem a Ezequias: «Esse Jeremias deve morrer, porque semeia o desânimo entre os combatentes… Esse homem não procura o bem do povo, mas a sua perdição» (1ª Leitura: Jr 38,4-6.8-10). Calam o profeta, e o país é ocupado.

 

Também Jesus, sabendo-se um «sinal de contradição» entre o seu povo (Lc 2,34), que o havia de condenar à morte, previne que até o seu Evangelho, construtor de paz e misericórdia, pode trazer a divisão entre os membros de uma família, se uns decidem comprometer-se com ele, e outros não (Evangelho: Lc 12,49-53).

 

Daí a Carta aos Hebreus convidar a pôr «de parte todo o fardo do pecado que nos cerca» e a correr «com perseverança para o combate que se apresenta diante de nós, fixando os olhos em Jesus, guia da nossa fé e autor da sua perfeição» (2ª Leitura: Heb 12,1-4). Para sermos fiéis, rezamos com o Salmista: «Senhor, socorrei-me sem demora» (Salmo 40,2-4.18).

 

:: A reflexão do Domingo passado leva-nos a perguntar, com alguém, neste XXI DOMINGO COMUM (26 de Agosto): «Senhor, são poucos os que se salvam?» Jesus responde falando da universalidade e gratuidade da salvação: está aberta a todos e não é mérito pessoal nosso. Temos de corresponder ao amor de Deus, esforçando-nos «por entrar pela porta estreita», pois Ele não “reserva” lugares no seu Reino nem para aqueles que foram seus comensais ou ouvintes. Se praticarmos a iniquidade, «quando o dono da casa se levantar e fechar a porta» ficaremos de fora e não adianta mais bater: Ele não vai «conhecer-nos» como seus. «Aí haverá choro e ranger de dentes, quando virdes no reino de Deus Abraão, Isaac e Jacob e todos os Profetas, e vós serdes lançados fora. Hão-de vir do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul, e sentar-se-ão à mesa do reino de Deus. Há últimos que serão dos primeiros e primeiros que serão dos últimos» (Evangelho: Lc 13,22-30).

 

Diz, muito a propósito, a Carta aos Hebreus: «Meu filho, não desprezes o correcção do Senhor, nem desanimes quando Ele te repreende; porque o Senhor corrige aquele que ama e castiga aquele que reconhece como filho» (2ª Leitura: Heb 12,5-7.11-13). Ser cristão, não é um negócio com direito a desconto, mas uma exigência livre de quem ama. Para o crente, o “castigo” de Deus é um desafio a mais amor e fidelidade.

 

 

«Quanto mais importante, mais humilde»

 

:: Face à gratuidade da salvação, que vimos no Domingo passado, a única atitude “sábia” é a humildade. Daí o conselho de Ben Sira, neste XXII DOMINGO COMUM, a 2 de Setembro: «Filho, em todas as tuas obras procede com humildade… Quanto mais importante fores, mais deves humilhar-te e encontrarás graça diante do Senhor» (1ª Leitura: Sir 3,19-21. 30-31). O Salmista confirma: «Na vossa bondade, Senhor, preparastes uma mesa para o pobre» (Salmo 68,4-7.10-11). E Jesus vem apoiá-lo com a parábola dos convidados à boda: quem se senta no primeiro lugar, sujeita-se a ser enviado para o último; quem se senta no último é convidado a ir mais para cima. «Quem se exalta será humilhado, quem se humilha será exaltado» (Evangelho: Lc 14,1.7-14). A Liturgia apresenta-nos o exemplo do próprio Jesus, no Refrão do Aleluia: «Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração» (Mt 11,29).

 

:: Quem aspira pela santidade, não pode tirar os pés do chão. Neste XXIII DOMINGO COMUM, a 9 de Setembro, Jesus interpela-nos com duas parábolas paralelas, exclusivas de Lucas: a do homem que se pôs a construir uma casa sem calcular a despesa, e por isso não pôde concluí-la, e a do rei que partiu para a guerra contra outro rei sem saber se tinha soldados para vencê-lo. A lição de ambas é a mesma: Sede realistas! Sentai-vos, primeiro, a ver se tendes forças para serdes meus discípulos, isto é, para pegar na minha cruz e me seguir.

 

Se pensarmos nisso, logo rezaremos como Salomão: «Quem poderá conhecer, Senhor, os vossos desígnios, se Vós não lhe dais a sabedoria e não lhe enviais o vosso santo espírito?» (1ª Leitura: Sb 913-19). E com o Salmista: «Ensinai-nos a contar os nossos dias para chegarmos à sabedoria do coração» (Salmo 90,3-6.12-14.17). Mais uma vez, a “sabedoria do coração”!

 

 

As uvas estão verdes, ou a ramada é alta?

 

:: É uma fábula antiga: quando viu que não chegava à altura da ramada, a raposa disse que as uvas eram verdes… A lição deste XXIV DOMINGO COMUM, a 16 de Setembro, pode ser: muitos, não querendo ou não podendo viver as exigências do amor cristão, criticam as normas da Igreja ou dizem que Deus não é bom porque a vida lhes corre mal. E trocam de “religião” ou escolhem qualquer “ídolo” do seu tamanho que lhes faça a vontade.

 

Aconteceu com o povo de Israel conduzido por Moisés no deserto: trocou o Deus que o libertara do Egipto, por um bezerro fundido com o ouro que lá tinha roubado. Para satisfazer a nossa vontade, sujeitamo-nos a todos os sacrifícios e ao ridículo (1ª Leitura: Ex 32,7-11.13-14). Aconteceu com o filho mais novo da parábola do pai misericordioso: farto das exigências do pai e do irmão mais velho, pediu a herança antecipada, desbaratou-a e acabou a guardar porcos. Aconteceu com «os fariseus e os escribas», e acontecerá connosco, se continuarmos a julgar «os publicanos e os pecadores» em vez de os procurarmos como o pastor a sua ovelha ou a mulher a sua moeda perdida, e acolhermos como o pai ao seu filho (Evangelho: Lc 15,1-32).

 

Como Paulo, podemos dizer: «Dou graças Àquele que me deu força, Jesus Cristo, Nosso Senhor, que me julgou digno de confiança e me chamou ao seu serviço, a mim que tinha sido blasfemo, perseguidor e violento. Mas alcancei misericórdia» (2ª Leitura: 1 Tm 1,12-17). Mais a vez, pura gratuidade de Deus, a desafiar a nossa conversão! Como o filho desvairado: «Vou partir e vou ter com meu pai»; como David: «Compadecei-vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade; pela vossa grande misericórdia, apagai o meu pecado (Salmo 51,3-4.12-13.17.19)

 

 

O amor ao próximo, teste do amor a Deus

 

:: Os últimos Domingos de mês apontam para os mais pobres, como que a perguntar-nos pelas consequências práticas da fé que celebramos na igreja. O XXV DOMINGO COMUM, a 23 de Setembro, vai na linha da justiça. O profeta Amós adverte sem ambiguidade: «Escutai bem, vós que espezinhais o pobre e quereis eliminar os humildes da terra… o Senhor jurou pela glória de Jacob: “Nunca esquecerei nenhuma das suas obras”» (1ª Leitura: Am 8,4-7). E o Salmista garante que o Senhor «levanta os fracos» e «tira o pobre da miséria» (Salmo 113,1-8).

 

No Evangelho, Lucas conta a parábola exclusiva do administrador sagaz, para concluir: «Não podeis servir a Deus e ao dinheiro» (Lc 16,1-13). E o Refrão do Aleluia propõe-nos o exemplo de Cristo: «Jesus, sendo rico, fez-se pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza» (2 Cor 8,9).

 

:: Por sua vez, o XXVI DOMINGO COMUM, a 30 de Setembro, interpela a nossa indiferença face às carências dos excluídos e aos problemas do país. Diz Amós: «Ai daqueles que vivem comodamente em Sião e dos que se sentem tranquilos no monte da Samaria… Bebem o vinho em grandes taças e perfumam-se com finos unguentos, mas não os aflige a ruína de José» (1ª Leitura: Am 6,1.4-7). Tanto na capital, como na “província”...

 

E Lucas, na parábola exclusiva do rico e de Lázaro: «Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho fino e se banqueteava esplendidamente todos os dias. Um pobre, chamado Lázaro, jazia junto do seu portão, coberto de chagas.» Só os cães tinham compaixão dele e vinham lamber-lhe as chagas! Mas, do outro lado da vida, as sortes inverteram-se. Porque a salvação, embora não se confine a este mundo, é neste que se ganha ou perde (Evangelho: Lc 16,19-31). Por isso, Paulo exorta: «Tu, homem de Deus, pratica a justiça e a piedade» (2 Leitura: 1 Tm 6,11-16).

 

O Salmista garante, de novo, que «o Senhor faz justiça aos oprimidos, dá pão aos que têm fome e a liberdade aos oprimidos, levanta os abatidos, protege os peregrinos, ampara o órfão e a viúva» (Salmo 146,7-10). E o Refrão do Aleluia repete a lição do Domingo passado, evocando o exemplo de Cristo. Só falta que nós o imitemos: a causa da fome no mundo não é a carência de bens, mas o açambarcamento por alguns ou a sua destruição para manter os preços!

 

Recordo a frase de S. Jerónimo, cuja festa normalmente é celebrada neste dia: “Desconhecer as Escrituras é desconhecer a Cristo” – e, por isso, não saber o Caminho, a Verdade e a Vida da nossa vida. É imprescindível reflectirmos sobre a Palavra de Deus, cada semana.

 

 

Conclusão: dois amores, duas comunhões

 

Ao jeito do Catecismo, o bispo de Tortosa conclui o seu “Decálogo para Férias”: «Estes dez pontos resumem-se em dois: Nas férias continua a lembrar-te de Deus e do próximo. A vida é o presente que Deus te oferece. O modo como vives a vida é o presente que tu ofereces a Deus.»

 

Que a boa celebração do Domingo, participando na dupla comunhão da Palavra e do Corpo do Senhor, nos mantenha fiéis no amor a Deus e ao próximo.

 

Frei Lopes Morgado

 

 
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