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Domingos de Fevereiro e Março

 

Domingos de Fevereiro e Março - Ano C

Com S. Lucas na escola do Evangelho

Neste artigo completo a I parte do Tempo Comum,

que vai apenas até ao VII Domingo, a 18 de Fevereiro,

e acompanho o Tempo da Quaresma que tem início na

Quarta-Feira de Cinzas a 21 de Fevereiro e vai até ao

VI Domingo da Quaresma, a 25 de Março. Fica-nos, assim,

para a próxima ocasião, todo o Tempo da Páscoa,

que culmina com a solenidade do Pentecostes a 27 de Maio.

 

 

Continuarei, pois, a sublinhar ou a fazer breves anotações aos textos bíblicos dos Domingos e algumas Festas litúrgicas, sobretudo dos Evangelhos. Conforme disseram os nossos Bispos em 1982, a Liturgia é a melhor e mais universal das Catequeses. Por isso, convido os frequentadores desta ESCOLA DO EVANGELHO a adoptarem comigo a mesma pedagogia da Igreja na linha da sua formação bíblica permanente. Fundamentando melhor a na Palavra de Deus e iluminando a vida com o Evangelho (GS 4), ao ritmo da Liturgia.

 

 

Leitura do Evangelho de Lucas no Tempo Comum

 

:: No dia 2 de Fevereiro celebramos sempre a Solenidade da APRESENTAÇÃO DO SENHOR. Antigamente era uma festa mariana, recebendo o nome de Nossa Senhora da Purificação (pelo rito judaico da purificação das mães, evocado no Evangelho) e Nossa Senhora da Candelária, ou das Candeias (pela procissão de velas que se costuma fazer, cantando Jesus como Luz das Nações, segundo as palavras de Simeão).

 

Com a reforma litúrgica do Vaticano II, passou a ser uma Festa do Senhor: a apresentação de Jesus no templo de Jerusalém. Lucas diz que Ele foi apresentado para cumprir a Lei. Mas esta não obrigava a apresentar o filho primogénito ao Senhor; apenas a resgatá-lo, mediante o pagamento de cinco ciclos no primeiro mês de vida. A mãe, sim, é que devia ser purificada, oferecendo-se pela sua purificação duas rolas ou pombas, no caso dos pobres (Lv 12,1-8). Mas o menino Jesus é que acaba por ser o protagonista da cena.

 

O texto é um exclusivo de Lucas (2,21-40) e nele se destacam várias características deste Evangelho:

 

> universalidade da «Salvação» trazida por Jesus e oferecida por Deus «a todos os povos, / Luz para se revelar às nações / e glória de Israel», que até ali se considerava e chamava “o povo do Senhor”;

> ambiente de oração, que envolve a cena por completo;

> uma especial actuação do Espírito Santo: que estava em Simeão, lhe tinha feito uma revelação e o impelira a vir ao templo para se encontrar com a Salvação prometida; e que, depois de ter conduzido a vida da profetisa Ana, viúva após sete anos de casamento e já de idade avançada, para ali orientou os seus passos e ela «pôs-se a louvar a Deus e a falar do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém».

> um cântico, o Nunc dimitis, a juntar ao Benedictus e ao Magnificat.

 

Neste dia celebra-se também, desde há vários anos, o Dia do Consagrado. Nas dioceses há celebrações especiais para religiosos e religiosas das várias ordens, congregações ou institutos, entre nós unidos numa estrutura conjunta, a CIRP – Confederação dos Institutos Religiosos de Portugal. Como Jesus, consagrados ao Senhor e convidados a crescer e fortalecer-se na sua opção e segundo o seu carisma próprio, numa vida de pobreza, obediência e castidade.

 

:: Ao Evangelho do V DOMINGO COMUM (4 de Fevereiro), foi João Paulo II buscar as palavras para mobilizar a Igreja do terceiro milénio na evangelização: «Faz-te ao largo.» Jesus aproxima-se da praia e a multidão segue-o. Na margem, vários pescadores consertam as redes após uma noite de safra infrutífera.

 

O Mestre vê ali uma ocasião oportuna para atingir dois alvos: os pecadores e a multidão.

> «Subiu para um barco, que era de Simão, e pediu-lhe que se afastasse um pouco da terra. Depois sentou-se e do barco pôs-se a ensinar a multidão

> Atingido o alvo da multidão, centra-se nos pescadores. Diz a Simão Pedro: «Faz-te ao largo e lançai as redes para a pesca.» Pedro mostra-se reticente, face aos resultados da noite, mas confia. A abundância da pesca dobra-o, levando-o a reconhecer-se pecador. Jesus sente-o predisposto, e convida-o: «Não temas. Daqui em diante serás pescador de homens. Tendo conduzido os barcos para terra, eles deixaram tudo e seguiram-no.»

 

Tudo começa no facto de Jesus pedir a colaboração de Pedro. A cedência da barca preparou-o para se dar a si mesmo. Tanta oportunidade perdida, por culpa de uma evangelização obcecada em converter as pessoas, sem primeiro se deixar acolher por elas ou aprender a acolhê-las, valorizar o que elas são, sabem, têm e podem, promover a confiança nelas mesmas e ganhar a sua amizade!

 

Este grupo de pescadores, considerados por Lucas os primeiros discípulos, dá aqui duas lições:

> a grupos ou movimentos ditos da Igreja, vergados por um trabalho que não conseguem fazer sozinhos: como a quantidade de peixes começava a romper as suas redes, pediram ajuda aos companheiros doutro barco e ambos os barcos se encheram. Quando teremos, nas dioceses e paróquias, uma pastoral de conjunto mais participada?

> a pessoas e instituições, fechadas sobre si mesmas e preocupadas apenas com a própria salvação ou sobrevivência: «depois de terem conduzido os barcos para terra, deixaram tudo e seguiram Jesus.»

 

Assim começa o itinerário de muitas pessoas de boa vontade, mas nunca tocadas pelo convite ou testemunho de um cristão, e que depois avançam por uma vida de grande empenhamento e entrega. Por exemplo, através da consagração religiosa, de que falávamos no dia 2.

 

:: O VI DOMINGO COMUM (11 de Fevereiro) coincide com o Dia Mundial do Doente e com o referendo à lei sobre a “interrupção voluntária da gravidez”. O Evangelho é o das bem-aventuranças (Lc 6,17.20-26), que fazem luz sobre todas as doenças e dramas humanos e psicológicos.

 

O texto de Lc tem várias diferenças em relação ao de Mateus 5,1-12:

 

> as bem-aventuranças são apenas quatro, e não oito ou nove como em Mateus;

> Jesus di-las num sítio plano, e não no monte (não é o mestre-legislador de Mateus, mas o peregrino-profeta);

> a cada bem-aventurança, contrapõe uma maldição (ver poemOração, em Porciúncula - Rezar a Palavra);

> Lucas acentua a dimensão física e social: os pobres são pobres, os famintos têm fome, os chorosos choram – sem os qualificativos espiritualizantes de Mateus.

 

Mais: em Mateus, Jesus apenas havia chamado os primeiros discípulos; em Lucas, já escolheu os doze apóstolos, após uma noite de oração no monte (v.12-16), e é com eles que desce para a planície.

> Lucas distingue bem entre apóstolos, discípulos e multidão; e é «erguendo os olhos para os discípulos» (v.20) que Jesus diz estas palavras, certamente solenizadas pela presença destacada dos Doze.

Ou seja: se em Mateus as bem-aventuranças são consideradas a Carta Magna do Reino de Deus, no Evangelho de Lucas são o programa de vida para todo o candidato a cristão.

 

:: O Evangelho deste VII DOMINGO COMUM (18 de Fevereiro) entronca logo a seguir ao do passado Domingo. E, se não fosse interrompido no próximo pelo Tempo da Quaresma, teríamos ainda o VIII e o IX. Assim, retomaremos o Tempo Comum a 10 de Junho com o X Domingo, perdendo-se o comentário aos textos 6,39-45 e 7,1-10. Sugiro que os leiam durante esta semana, para ficarem com uma visão completa da sua doutrina.

 

O texto de hoje (Lc 6,27-38) aponta o essencial do Evangelho de Jesus, bem sublinhado em Lucas: «Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam; abençoai os que vos amaldiçoam, orai por aqueles que vos injuriam.» Tudo o mais vem como consequência. Com a chamada para este pormenor: onde Mateus diz «Sede perfeitos como o vosso Pai do céu é perfeito» (Mt 5,48), Lucas diz «Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso» (6,36). Lucas é, mesmo, o Evangelista da misericórdia!

 

 

Leitura do Evangelho de Lucas no Tempo da Quaresma

 

:: Na QUARTA-FEIRA DE CINZAS (21 de Fevereiro) tem início o Tempo da Quaresma, directamente voltado para a preparação imediata da Páscoa. Um tempo marcado pela conversão, potenciada pela oração e a penitência, em ordem ao renascimento espiritual confirmado pela renúncia ao pecado e a renovação das promessas do Baptismo, na Vigília Pascal.

 

Os textos de hoje abrem o nosso espírito a essa caminhada, falando de conversão (Joel 2,12-18), de reconciliação com Deus (2 Cor 5, 20-6,2), de esmola, oração e jejum (Mt 6,1-6.16-18).

 

:: Com o I DOMINGO DA QUARESMA (25 de Fevereiro) retomamos o texto de Lucas em 4,1-13. Jesus, baptizado e cheio do Espírito Santo, inicia a sua vida pública com um jejum de 40 dias no deserto, aonde é conduzido pelo Espírito e tentado pelo diabo.

 

A ordem das tentações é diferente da do Evangelho de Mateus. A primeira, de converter as pedras em pão, é igual nos dois; mas a segunda, no alto do monte, em que o diabo desafia Jesus a adorá-lo em troca do mundo inteiro, é colocada por Mateus em terceiro lugar. Deste modo, Lucas situa a terceira no alto do pináculo do templo, em Jerusalém, para concluir este episódio onde o seu Evangelho começa e termina. É para lá, também, que Jesus irá caminhar; vai ser de lá que os apóstolos hão-de partir para todo o mundo (Act 1); e é lá que o diabo, não se dando aqui por vencido, lhe há-de sair novamente ao encontro na Paixão: «Então o diabo, terminada toda a espécie de tentação, retirou-se da presença de Jesus, até certo tempo.» Uma vitória nunca é definitiva, mas cria força e confiança para suster novos ataques.

 

:: Todos os anos, o II DOMINGO DA QUARESMA (4 de Março) apresenta-nos a Transfiguração do Senhor (Lc 9,28b-36). Mas cada evangelista sinóptico tem as suas particularidades. Eis as de Lucas:

> É o único a dizer que Jesus sobe ao monte «para orar» (v. 28).

> Só ele revela o tema da conversa de Jesus com Moisés e Elias: «da sua morte, que ia acontecer em Jerusalém» (v.31), e que Pedro só pede para ficarem ali «quando eles iam separar-se de Jesus» (v.33). Curiosamente, Marcos diz que Pedro «não sabia que dizer» (Mc 9,6).

> Só ele diz que o rosto de Jesus se modificou (v.29) e que os apóstolos entraram na nuvem, sendo esse o momento em que ficaram aterrorizados (v.35), e não quando ouviram a voz, como na versão de Mateus.

> Ainda sobre as palavras da voz que se ouviu do céu, Lucas acompanha Marcos mais de perto, trocando apenas «muito amado» por «predilecto» (v.35).

> Em Lucas, Jesus não pede segredo aos discípulos acerca do sucedido, como em Mateus e Marcos, embora eles o guardem na mesma.

 

Nesta subida com Jesus para Jerusalém, é bom sabermos que Ele vai ser lá glorificado e que os nossos esforços da Quaresma vão traduzir-se em Ressurreição e vida nova.

 

:: O Evangelho deste III DOMINGO DA QUARESMA (11 de Março) vem recordar-nos que «é agora o tempo favorável, é agora o dia da salvação», como nos dizia Paulo na II Leitura de Quarta-feira de Cinzas. Não é tempo para perder o tempo ou se iludir com floreados e aparências. É tempo de fruto! Daí a parábola da figueira estéril.

 

Em Mateus também se encontra uma figueira estéril, à qual Jesus vai procurar fruto mas só encontra folhagem; e então amaldiçoa-a para que não dê mais fruto (21,18-22). Marcos, em lugar paralelo, aduz a atenuante de que «não era tempo de figos» (11,13), mas isso não livra a figueira de ser amaldiçoada. No texto de Lucas, o evangelista da misericórdia, não há maldição: o Senhor concede um prazo à figueira, graças à intercessão do encarregado da vinha: «Senhor, deixa-a mais este ano, para que eu possa escavar a terra em volta e deitar-lhe estrume. Se der frutos na próxima estação, ficará; senão, poderás cortá-la.»

 

Esta Quaresma poderá ser a última estação do prazo que Deus me concede. Como penso vivê-la, para compensar tantas provas do seu amor não correspondido, tantos dons, tantos sacramentos, tantas oportunidades não aproveitadas para ler ou escutar a sua Palavra, tanto bem omitido e tanto mal praticado…?!

 

:: No IV DOMINGO DA QUARESMA (18 de Março) encontramo-nos com a rainha ou a pérola mais preciosa de todas as parábolas, que forma parte da trilogia das parábolas da misericórdia do capítulo 15 de São Lucas: a parábola do pai misericordioso. Ao longo dos tempos foi sendo chamada “parábola do filho pródigo”, mas erradamente; pois, nela, quem é pródigo é o pai, ao perdoar o filho. Uma certa propensão da ética e da oratória cristã para sublinhar o pecado, conduziu a centrar a mensagem do texto no desvario do filho mais novo, que despendeu perdulariamente com os amigos a herança do pai; e nisso teria sido ‘pródigo’ ou generoso. No entanto, Jesus não coloca o acento da parábola no pecado do filho, mas na misericórdia do pai – o qual, na plenitude de sentido pretendida pelo texto, é o próprio Deus.

 

Para atingir a intenção de Jesus e o alcance da parábola, temos de atender ao início do texto: Jesus propôs esta parábola, porque os fariseus e os escribas o criticavam, dizendo: «Este homem acolhe os pecadores e come com eles.» Daí a lição que lhes dá no filho mais velho, e a afirmação repetida no final das outras duas parábolas da ovelha e da dracma perdidas, que antecedem esta no mesmo capítulo: «Haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não necessitam de conversão» (vv.7 e 10).

 

O pior mal não é pecar: é não se arrepender, por descrença na misericórdia de Deus. O nosso Deus é esse Pai cheio de compaixão que, ao ver-nos regressar, corre ao nosso encontro, nos abraça e cobre de beijos, readmitindo-nos à festa da vida, quase sem nos deixar pedir-lhe perdão.

 

:: A caminho da Páscoa, neste V DOMINGO DA QUARESMA (25 de Março) encontramo-nos a nove meses do Natal. Mas a solenidade da Anunciação do Senhor, feita pelo anjo a Maria, este ano é celebrada amanhã. Hoje o Evangelho é de João 8,1-11 e recorda-nos o episódio da mulher surpreendida em adultério, perdoada por Jesus.

 

Embora este não seja um objectivo da Liturgia, a mensagem do relato integra-se bem na linha da misericórdia de Lucas. Depois do Evangelho do filho pródigo, vem confirmar que a nossa conversão e salvação se decide face a face com Deus misericordioso, apesar de todas as condenações humanas. Basta uma condição: mudar de comportamento. «Ninguém te condenou? Também Eu não te condeno. Vai e não tornes a pecar», disse Jesus àquela mulher arrependida, depois de os acusadores a terem abandonado no meio da praça. «Quem de vós estiver sem pecado, atire-lhe a primeira pedra», desafiara Jesus. Eles, confrontados com as próprias faltas, entenderam que aquela mulher não tinha sido apanhada a pecar sozinha. E dispersaram. E nós, quando entenderemos?

 

As outras duas Leituras vêm sublinhar este apelo a seguir em frente, sem temer os passos mal andados: «Não vos lembreis mais dos acontecimentos passados, nem presteis atenção às coisas antigas. Olhai: vou realizar uma coisa nova, que já começa a aparecer; não a vedes?» (1ª Leitura: Is 43,16-21). Como Paulo, no fim desta Quaresma, «só penso numa coisa: esquecendo o que fica para trás, lançar-me para a frente, continuar a correr para a meta, em vista do prémio a que Deus, lá no alto, me chama em Cristo Jesus» (2ª Leitura: Fl 3,8-14).

Frei Lopes Morgado

 

 
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