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Domingos de Junho e Julho

 

Domingos de Junho e Julho - Ano C

Com S. Lucas na escola do Evangelho

A primeira parte do Tempo Comum, a seguir à Epifania, teve início na Festa do Baptismo do Senhor e foi até Quarta-Feira de Cinzas;

esta segunda parte, após o Pentecostes, começa com a Solenidade

da Santíssima Trindade e vai prolongar-se até à Solenidade de

Jesus Cristo, Rei do Universo.

 

 

A 1ª convidava-nos a continuar, na vida, a nossa consciência, vocação e missão de filhos de Deus, à luz do Natal: «Tu és meu filho, Eu hoje te gerei»; a 2ª, após recebermos a força do Espírito Santo, projecta-nos para uma vida de comunhão com o nosso Deus, sob cuja invocação fomos baptizados, ao nível individual e do testemunho pela palavra e a acção solidária.

 

 

Viver na comunhão do Deus-Amor

 

:: Os textos da Solenidade litúrgica da SANTÍSSIMA TRINDADE, a 03 de Junho, sublinham o fundamental de cada uma das Pessoas do nosso Deus, embora em cada uma estejam sempre as Três incluídas.

 

A 1ª Leitura (Pr 8,22-31) parece querer destacar Deus-Pai como Criador. Mas, ao lê-la, convém lembrar o que dizia Santo Agostinho a propósito da obra da Criação: «Eis que me aparece em enigma a Trindade que Tu és, meu Deus, porque Tu, Pai, no princípio da nossa sabedoria, que é a tua sabedoria de ti nascida, igual e coeterna contigo, isto é, no teu Filho, fizeste o céu e a terra. […]

 

E eu incluía já o Pai no nome de Deus, que fez estas coisas, e o Filho no nome do princípio em que as fez, e, acreditando que o meu Deus é Trindade, como de facto acreditava, continuava à procura nas suas Santas Escrituras, e eis que o teu Espírito se movia sobre as águas. Eis que o meu Deus é Trindade, Pai, e Filho, e Espírito Santo, Criador de toda a criatura» (in Confissões, Livro XIII: V, 6).

 

De igual modo, na 2ª Leitura (Rm 5,1-5), Paulo diz que «estamos em paz com Deus [Pai], por Nosso Senhor Jesus Cristo [Filho], pelo qual temos aceso, na fé, a esta graça em que permanecemos e nos gloriamos, apoiados na esperança da glória de Deus. […] Ora, a esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado». Surgem, mais uma vez, as Três Pessoas divinas, e as três virtudes teologais com elas relacionadas, tal como as celebrámos na preparação para o Jubileu do ano 2000: a Fé, com o Filho; a Esperança com o Espírito Santo; e o amor com, o Pai.

 

Finalmente, no Evangelho (Jo 16,12-15), Jesus [Filho] promete o Espírito Santo, dizendo: «Tudo o que o Pai tem é meu. Por isso, Ele [o Espírito Santo] receberá do que é meu e vo-lo anunciará.» Como já dissera, também no mesmo Evangelho de João: Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, que procede do Pai e que Eu vos hei-de enviar da parte do Pai...» (15,26).  

 

 

Misericordiosos como Jesus

 

No resto dos Domingos deste ano, o Amor do nosso Deus manifesta-se na missão de Jesus misericordioso segundo o Evangelho de Lucas, sempre em comunhão com o Pai e o Espírito Santo. E vamos ter ocasião de sublinhar mais algumas características exclusivas daquele evangelista.

 

:: A 10 de Junho, no Evangelho do X DOMINGO COMUM é proclamado o milagre da ressurreição de um jovem, filho de uma viúva de Naim, exclusivo de Lucas (7,11-17). Com dois imperativos, Jesus mostra o seu amor compassivo e activo, ou a sua misericórdia e o seu poder: À mãe: «Não chores.» Ao jovem: «Eu te ordeno: levanta-te.» Perante o milagre, a multidão reconhece o sinal evidente da divindade: «Deus visitou o seu povo.»

 

A 1ª Leitura é um paralelo do AT nesta pedagogia da revelação de um Deus presente e atento à nossa vida: a ressurreição do filho de uma viúva de Sarepta, pelo profeta Elias (1 Rs 17,17-24).

 

:: O Evangelho do XI DOMINGO COMUM (17 de Junho) fala de perdão e de mulheres, outros dois temas caros de Lucas e mais abundantes no seu Evangelho do que nos outros. O episódio enquadra-se duplamente na sua teologia.

 

Jesus é convidado para comer em casa de Simão, um fariseu. A meio da refeição, uma pecadora aproxima-se dele chorando, lava-lhe os pés com as lágrimas, enxuga-lhos com os cabelos, beija-os e unge-os com perfume. Simão recrimina-o interiormente por Ele não ter repelido “aquela mulher”, duvidando por isso da sua qualidade de profeta; Jesus conta-lhe uma parábola sobre o perdão, levando-o a concluir que, quem é mais perdoado, fica mais amigo daquele que o perdoa. Sentenciando: «São-lhe perdoados os seus muitos pecados, porque muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama» (Lc 7,36 – 8,3). Como quem diz: “Tu, que te tens por justo, não me amas tanto porque achas que não precisas de ser perdoado. Por isso não me recebeste com a devida hospitalidade, ao contrário desta mulher” (ver os vv. 44-47).

 

Mais uma vez, fariseus e pecadores frente a frente, como nas parábolas da misericórdia do capítulo 15, e Jesus a encorajar os pecadores: «Os teus pecados estão perdoados… A tua fé te salvou. Vai em paz.» Como que em resposta a este envio, o Evangelho conclui – noutro exclusivo de Lucas – que, além dos Doze, Jesus era acompanhado por «algumas mulheres que tinham sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades.» O meio de recrutamento vocacional não parecia o mais aconselhável; mas só Jesus conhece bem o coração de cada um, para além das aparências, do estrato ou estatuto social e dos juízos morais alheios.

 

Entretanto, na 1ª Leitura o profeta Natan, em nome de Deus, diz ao rei David – que tomara a mulher de Urias e urdira a morte deste general do seu exército, para ficar com ela: «O Senhor perdoou o teu pecado» (2 Sm 12,7-10.13). E o refrão do Salmo 32 propõe-nos interiorizar a mensagem e aplicá-la à nossa vida: «Perdoai, Senhor, minha culpa e meu pecado.»

 

:: À primeira vista, parece estranho que, no dia 24 de Junho, a Solenidade do NASCIMENTO DE S. JOÃO BAPTISTA tenha precedência sobre a celebração do Domingo XII, Dia do Senhor. Mas tal acontece precisamente por ter a categoria litúrgica de “Solenidade” e pela sua relação íntima com o Senhor.

 

De facto, a Igreja apenas celebra o nascimento de três personagens: de Cristo, a 25 de Dezembro, porque é Deus e não conheceu o pecado; da Virgem Maria, a 8 de Setembro, porque é sua Mãe e foi concebida sem pecado por aplicação antecipada dos méritos do Filho; e de João Baptista, primo de Jesus, porque foi santificado no seio de sua mãe: quando Maria, grávida de Jesus, foi a casa de sua prima Isabel, esta sentiu saltar-lhe no seio João, gerado há seis meses, que viria a ser o Precursor de Jesus (Evangelho: Lc 1,57-66.80). É Lucas quem narra, em exclusivo e com um grande paralelismo entre os dois, os nascimentos de Jesus e de seu segundo primo João (capítulos 1 e 2).

 

A 1ª Leitura sublinha essa santificação do Baptista no seio de Isabel, com o relato do chamamento de Isaías, o profeta do Advento e do Natal: «Quando ainda estava no ventre materno, o Senhor chamou-me, / quando ainda estava no seio de minha mãe, / pronunciou o meu nome» (Is 49,1-6).

 

Também nós podemos cantar, com o Salmo 39: «Dou-Vos graças, Senhor, porque admiravelmente me criastes.» De facto, diz a 2ª Leitura, «a nós é que foi dirigida esta mensagem de salvação» (Act 13,22-26).

 

:: Se no dia 24 tivéssemos celebrado o XII Domingo Comum, teríamos ouvido Jesus dizer, no final do Evangelho: «Se alguém quer vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias e siga-me» (Lc 9,18-24).

 

O Evangelho do DOMINGO XIII (01 de Julho) já nos diz que, «aproximando-se os dias de Jesus ser levado deste mundo, Ele tomou a decisão de se dirigir a Jerusalém» (Lc 9,51-62). Estamos na espinha dorsal do Evangelho de Lucas, que o percorre da Galileia até Jerusalém; e juntamo-nos a Jesus que faz esta caminhada para morrer, como profeta, na sua cidade.

 

Hoje, no caminho, surgem os samaritanos, que não os deixam atravessar a sua terra só porque vão para Jerusalém («os judeus não se dão bem com os samaritanos»: Jo 4,9). Surgem alguns candidatos a discípulos, que querem seguir Jesus, na condição de primeiro irem resolver assuntos pessoais ou familiares. E surgem Tiago e João, que pretendem mandar vir fogo do céu para castigar a inospitalidade dos samaritanos. E surge Jesus, condescendente mas decidido: aos discípulos, «repreende-os. E seguiram para outra povoação»; aos pretensos seguidores, põe as coisas claras: «Quem tiver lançado a mão ao arado e olhar para trás não serve para o reino de Deus.»

 

Poderíamos acrescentar, da 2ª Leitura: «Deixai-vos conduzir pelo Espírito, e não satisfareis aos desejos da carne» (Gl 5,1.13-18). Ou complementar estes relatos de vocação com a 1ª Leitura, onde Eliseu também pede para ir a casa antes de seguir Elias, mas para matar uma junta de bois, assar a carne na lenha do arado e servir à sua gente uma festiva refeição de despedida. «Depois, levantou-se e seguiu Elias, ficando ao seu serviço» (1 Rs 19,16b.19-21). Isto é: deixando tudo, dizendo com o Salmista: «o Senhor é a minha herança» (Salmo 16).

 

:: As Leituras do DOMINGO XIV (08 de Julho) investem-nos como mensageiros da Paz. Transcrevo, apenas, um texto de cada uma:

 

«Farei correr para Jerusalém a paz como um rio» (1ª Leitura: Is 66,10-14c). «Paz e misericórdia para quantos seguirem esta norma» (2ª Leitura: Gl 6,14-18). «Reine em vossos corações a paz de Cristo, habite em vós a sua palavra» (Refrão do Aleluia: Cl 3,15a.16a). «Quando entrardes em alguma casa, dizei primeiro: ‘Paz a esta casa’».

 

Contudo, esta paz não é indiferente à rejeição da mensagem nem se ilude com o acolhimento inicial: «não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos antes porque os vossos nomes estão escritos nos Céus» (Evangelho: Lc 10,1-12.17-20). Como o Apóstolo, só nos devemos gloriar na cruz de Cristo (). «Com efeito, Ele é a nossa paz, Ele que, dos dois povos, fez um só e destruiu o muro de separação, a inimizade» (Ef 2,14), «estabelecendo a paz, pelo sangue da sua cruz», como nos dirá a 2ª Leitura do próximo Domingo (Cl 1,20).

 

:: No DOMINGO XV (15 de Julho), o tema central é o amor. A 1ª Leitura diz como devemos amar a Deus: escutando a sua voz, cumprindo os seus preceitos e mandamentos e convertendo-se a Ele com todo o oração e com toda a alma. Aparentemente é impossível; mas o texto diz que esta palavra/mandamento «não está no céu nem para além dos mares… […] está perto de ti, está na tua boa e no teu coração, para que a possas pôr em prática» (Dt 30,10-14).

 

Prova disso é o Evangelho, um outro exclusivo de Lucas (10,25-37). Quando um doutor da lei, para experimentar Jesus, o trata por Mestre e lhe pergunta o que há-de fazer para receber a vida eterna, Ele respondeu com outra pergunta: Como entendes os que estava escrito na lei? E o próprio doutor repete as palavras do Deuteronómio, juntando: «e ao próximo como a ti mesmo». Como o Mestre está de acordo, «ele, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: “E quem é o meu próximo?” Jesus, tomando a palavra», deixa o caminho do amor a Deus e segue o do amor ao próximo com a bela parábola do bom samaritano. Pois este precisava de ter em si o amor de Deus para ultrapassar os preconceitos religiosos e sociais relativamente ao judeu assaltado pelos ladrões, e para atendê-lo e tratá-lo de modo tão gratuito muito além do obrigatório. Ora, ao tratar assim uma criatura humana, ele estava a tratar o próprio Deus.

 

Por isso, no testemunho deste “marginal”, Jesus dá ao doutor da lei o modelo do amor a Deus e ao próximo. «Vai e faz o mesmo», diz Jesus. A ele e a nós.

 

:: A lição das Leituras no DOMINGO XVI (22 de Julho) vai para a disponibilidade e o acolhimento, cada vez mais necessários.

 

A 1ª Leitura é o famoso episódio de Abraão acolhendo e servindo uma boa refeição a três personagens misteriosos que passaram junto da sua tenda (Gn 18,20-32).

 

O Evangelho mostra Jesus acolhido em casa de Maria e de Marta, irmãs de Lázaro, que lhe proporcionam, respectivamente, acolhimento e alimentação. Outro episódio exclusivo de Lucas (10,38-42). A 2ª leitura, quase nos dá a legenda deste quadro: «Cristo no meio de vós, esperança da glória» (Cl 1,24-28).

 

O próprio texto sagrado avalia os gestos destes personagens. A Abraão é prometido um filho, um ano depois: e nasce Isaac, filho de Abraão e de Sara que, desconfiada da promessa, se rira baixinho atrás da porta da tenda. A Marta, que reclamava a ajuda de Maria na cozinha, sem pensar que desse modo ia deixar o Mestre sem companhia, «o Senhor respondeu: “Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, quando uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada.»

 

:: A concluir o mês, o DOMINGO XVII (29 de Julho) traz-nos outro tema característico e muito caro de S. Lucas: a oração. Na 1ª leitura, Abraão intercede pelos habitantes de Sodoma e Gomorra (Ex 18,20-32). No Evangelho, o testemunho de Jesus orante leva um dos discípulos a dizer-lhe: «Senhor, ensina-nos a orar.» E o mestre ensina-lhes a oração do Pai-nosso, muito diferente do de Mateus no texto e no contexto (Lc 101,1-3; ver Mt 6,5-15).

 

Não por acaso, o tema da oração é sublinhado pela misericórdia de Deus em atendê-la. Mas não infantilizando-nos até ao ponto de não pedir correspondência. Por isso, no caso de Abraão, Sodoma e Gomorra foram destruídas por não haver nelas dez justos. Não porque sejam precisos “pára-raios da justiça divina” que aplaquem a sua “ira” e a transformem em perdão, como ouvimos em tantas catequeses e pregações; mas porque Deus nos trata como criaturas livres. O Evangelho reforça-o, sublinhando a “fragilidade” de Deus ao deixar-se vencer pela nossa persistência: Ele faz-se “duro” apenas para testar a nossa fé no seu amor e poder.

 

Lucas aproveita para fazer entrar, no final, uma referência ao Espírito Santo, que lhe é muito caro, embora neste caso nos pareça a despropósito, porque inesperado. Depois de uma parábola para motivar a nossa insistência na oração, e após uma série de comparações para nos fazer entender que Deus, nosso Pai, não é menos solicito aos nossos pedidos e necessidades, nem menos misericordioso do que os nossos pais, Jesus conclui: «Se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que lho, pedem!»

 

O Evangelista acha tão importante que nós o saibamos, que no-lo diz mesmo sem lho termos perguntado… Quase a insinuar: e quando aquilo que pedistes na oração não vos parecer suficiente para serdes felizes ou cumprirdes a vossa tarefa, pedi o Espírito Santo, pois Ele vos ensinará a rezar e vos dirá o que pedir.

Frei Lopes Morgado

 

 
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