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Domingos de Outubro e Novembro

 

Domingos de Outubro e Novembro - Ano C

Com S. Lucas na escola do Evangelho

Concluímos aqui o comentário às Leituras bíblicas do Ano C.

E vamos limitar-nos ao Evangelho, de S. Lucas,

para melhor podermos sublinhar vários dos seus exclusivos.

No livro de Lucas, os textos situam-se

na caminhada de Jesus para Jerusalém,

cujo desfecho vimos no Tempo da Quaresma e da Páscoa;

para a Igreja, estes Domingos correspondem

à parte final do Tempo Comum,

a caminho da conclusão do presente Ano Litúrgico.

 

 

Mas, simultaneamente, estamos a começar a abertura de um novo Ano Pastoral, em que as paróquias e movimentos retomam as suas actividades em força e muita gente vai assumir novos compromissos de vida cristã e acção apostólica.

 

“Irmãos, comecemos a servir o Senhor…!”

 

:: Ora, o Evangelho do DOMINGO XXVII (7 de Outubro), exclusivo de Lucas (17,5-10), vem ao encontro disto. Começa com um pedido dos Apóstolos – «Senhor, aumenta a nossa fé» – e termina com um recado de Jesus aos que pretendem servi-lo: «quando tiverdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: “Somos inúteis servos: fizemos o que devíamos fazer.»

 

Concretizando:

 

1) Para ser cristão-apóstolo é preciso ter fé, que nos vem da Palavra de Deus; por isso, «Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações» – pois este “hoje” da salvação pode ser o último para nós (refrão do Salmo Responsorial). E «a palavra do Senhor permanece eternamente. Esta é a palavra que vos foi anunciada»; por isso, é seguro confiar nela, vivê-la e anunciá-la (estrofe do Aleluia).

 

2) Para servir o Senhor, em Igreja, é preciso ter humildade: quem espera louvores ou prestígio, não venha. Servir o Senhor do lava-pés, servindo os irmãos, é o melhor prémio: é estar no coração do Evangelho!

 

Não posso deixar de referir as últimas palavras de S. Francisco de Assis, que celebrámos no dia 4 deste mês: «Irmãos, comecemos a servir o Senhor, porque até agora ainda nada fizemos!»

 

 

A fé vem da Palavra de Deus

e conduz-nos ao Deus da Palavra

 

:: A 14 de Outubro, no XXVIII DOMINGO COMUM, Lucas dá-nos outro exclusivo na cura dos dez leprosos (17,11-19). Para dizer que apenas um deles, samaritano, voltou atrás para agradecer a Jesus. E sublinhar a palavra de Jesus aos ouvintes/leitores, como fizera na parábola do bom samaritano: «Não se encontrou quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro?»

 

O evangelista situa-nos o acontecimento: «Indo Jesus a caminho de Jerusalém, passava entre a Samaria e a Galileia.» Ou seja: a oportunidade da salvação está equidistante; mas uma das margens aproxima-se mais dela, porque a fé não é herança de família, de povo ou de classe: é uma graça, que deve ser acolhida e agradecida. E só a fé cura e salva. Daí Jesus ao samaritano curado: «Levanta-te e segue o teu caminho; a tua fé te salvou.»

 

:: Outro exclusivo de Lucas, surge no Evangelho do XXIX DOMINGO COMUM, a 21 de Outubro, com a parábola do juiz e da viúva (Lucas 18,1-8). O tema é a oração; e se, na parábola exclusiva sobre a oração, no XVII Domingo Comum (a 29 de Julho), Jesus se comparava a um homem sem coração que só se levantou para dar pão ao vizinho depois deste muito o importunar, na parábola de hoje compara-se a um juiz que só se decidiu a julgar com justiça uma viúva explorada, para que esta não o importunasse indefinidamente.

 

Conclusão/lição de Jesus: «E Deus não iria fazer justiça aos seus eleitos, que por Ele clama dia e noite, e iria fazê-los esperar muito tempo? Eu vos digo que lhes fará justiça bem depressa.» Até quando continuaremos a dizer que “Deus não nos ouve” na oração? E até quando confundiremos rezar muito com repetir muitas palavras, como os pagãos, pensando que seremos mais atendidos por isso (ver Mt 6,7-8)? A questão é outra: ter fé em Deus, e não ir logo trocá-lo pelo santo mais “esquisito” ou por uma “pessoa de virtude” para ver “quem pode mais!”

 

:: No XXX DOMINGO COMUM (28 de Outubro), Lucas volta a colocar-nos em cena dois personagens que parecem antitéticos ou irredutíveis ao longo do seu Evangelho: um fariseu e um cobrador de impostos, que sobem ao templo para rezar (Lucas 18,9-14). É outra parábola exclusiva dele, para nos dizer com que espírito devemos orar e para corrigir o nosso hábito de julgar as pessoas pela aparência ou pelo seu estatuto social e religioso.

 

O fariseu ficou de pé e passou o tempo a falar de si e contra os outros: sentia-se cheio de méritos, e não pediu mais graças nem o perdão de Deus. Por isso, saiu como entrou – só: longe de Deus a quem não rezou, longe dos outros a quem julgou como «ladrões, injustos e adúlteros»!

 

O cobrador de impostos, de joelhos e sem se atrever a erguer os olhos ao céu, falou com Deus e contra si, reconhecendo-se «pecador» e pedindo perdão. Por isso, «desceu justificado para sua casa. Porque todo aquele que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado».

 

 

O “Hoje” da Salvação

 

:: O bom coração do cobrador de impostos do último Domingo, é confirmado neste XXXI DOMINGO COMUM (4 de Novembro) por outro, de nome Zaqueu, que não é um simples colega de profissão, mas um chefe nessa área. É outro exclusivo de Lucas, que nos quer falar da predilecção de Jesus/ Salvador pelos pecadores e os mais humildes ou marginalizados (Lucas 19,1-10). Jesus entra em Jericó, seguido da multidão. Zaqueu sobe a um sicómoro para o ver passar, «porque era de pequena estatura». E Jesus devolve-lhe o olhar: «Zaqueu, desce depressa, que eu hoje devo ficar em tua casa.» Linguagem de chefes: Zaqueu manda nos subalternos e em si – por isso enfrenta a possível chacota da gente, pois ver Jesus vale a pena; e Jesus manda em Zaqueu – por isso se faz convidado.

 

O gesto de Jesus abre Zaqueu à conversão: «Senhor, vou dar aos pobres metade dos meus bens e, se causei qualquer prejuízo a alguém, restituirei quatro vezes mais.» Jesus confirma: «Hoje entrou a salvação nesta casa, porque Zaqueu também é filho de Abraão.» Filho de Abraão pela fé, entenda-se; porque os meros herdeiros legais, «todos murmuravam, dizendo: “Foi hospedar-se em casa dum pecador”.» Recordo: «Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações.» Este “hoje”, em Lucas, urge e é decisivo!

 

:: No passado dia 1 e 2 celebrámos a Festa de Todos os Santos e comemorámos os Fiéis Defuntos, respectivamente. Apesar disso, e apesar de dizermos que fulano ou fulana “estão com Deus”, é provável que continuemos a pensar neles mais como mortos ou falecidos, do que como vivos ou santos. Era esse, no tempo de Jesus, o pensamento dos saduceus, que negavam a ressurreição; e que, para o experimentarem, lhe colocaram uma questão académica de simples casuística: sete irmãos casaram com a mesma mulher, que foi enviuvando de todos; «de qual deles será ela esposa na ressurreição?»

 

A resposta de Jesus, neste XXXII DOMINGO COMUM (a 11 de Novembro), é: «aqueles que foram dignos de tomar parte na vida futura e na ressurreição dos mortos, nem se casam nem se dão em casamento.» Mais: «porque nasceram da ressurreição, são filhos de Deus»; e o nosso Deus «não é um Deus de mortos, mas de vivos, porque para Ele todos estão vivos». A Liturgia contrasta este caso ficcionado pelos saduceus, com o caso histórico dos sete irmãos macabeus martirizados diante da mãe, que os exortava à confiança na ressurreição (2 Mac 7,1-2.9-14). Porque «os mortos ressuscitam», insiste Jesus (Lucas 20,27.34-38).

 

 

«Vamos com alegria para a casa do Senhor»

 

:: No XXXIII DOMINGO COMUM (18 de Novembro), o penúltimo do Ano Litúrgico, a Igreja reenvia-nos ao I Domingo do Advento, para recordarmos que o Tempo da Salvação de Deus, apesar de ciclicamente voltarmos às mesmas celebrações, não é circular – um círculo fechado sobre si mesmo e sem saída, como no conceito pagão – mas há uma lógica linear e sequencial entre o princípio e o fim.

 

Por isso, é proclamado o Evangelho de Lucas 21,5-19, que no livro antecede os versículos 25-28.34-36 do mesmo capítulo, proclamados no I Domingo do Advento. Ou seja: no início começámos pelo fim, pondo diante dos olhos o objectivo da santificação rumo à salvação; agora, lançamos um olhar retrospectivo, para ver se o atingimos.

 

O texto pertence à quarta parte do livro de Lucas, sobre o ministério de Jesus em Jerusalém; e serve-se do acontecimento histórico da destruição do templo de Jerusalém no ano 70 para falar das tribulações que precederão o fim dos tempos, nomeadamente a perseguição dos discípulos. A palavra de Jesus não é alarmista: «Quando ouvirdes falar de guerras e revoltas, não vos alarmeis: é preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim.» Mas é realista: «Sereis entregues até pelos vossos pais e amigos. Causarão morte a alguns de vós e todos vos odiarão por casa do meu nome; mas nenhum cabelo da vossa cabeça se perderá.» E dá esperança: «Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas.»

 

:: A esperança deixada por Jesus no Domingo passado, confirma-se neste 25 de Novembro, ao ouvirmos NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO, dizer a um dos malfeitores que tinha sido crucificado com Ele: «Hoje estarás comigo no paraíso.» O Ano Litúrgico em que tivemos S. Lucas como principal evangelista, não podia concluir melhor do que mostrando a misericórdia de Jesus salvando um marginal no “hoje” definitivo da sua vida.

 

E tal aconteceu porque Jesus nunca fez nada para fugir ao sofrimento ou salvar a si mesmo. Assim pediam, zombando dele, os chefes dos judeus: «Salvou os outros: salve-se a si mesmo, se é o Messias, o Eleito.» E os soldados: «Se és Rei dos judeus, salva-te a ti mesmo.» E o outro malfeitor, crucificado com Ele: «Não és Tu o Messias? Salva-te a ti mesmo e a nós também.» Era o que fariam os chefes com projectos pessoais de poder a salvar; e os seus discípulos tentaram fazê-lo, por cobardia.

 

Mas Ele é um Rei diferente: reina e salva deixando-se matar, cumprindo a missão do Servo de Javé: «O castigo que nos salva caiu sobre ele, / fomos curados pelas suas chagas. / […] Ele, o justo, justificará a muitos, / porque carregou com o crime deles.» (Is 53,5.11). Quando vemos um pecador reconhecer-se culpado, como fez o bom ladrão («recebemos o castigo das nossas más acções»), Jesus prova que é o Messias. «O Messias é o único rei que não reina desde fora», disse Levinas.

 

Frei Lopes Morgado

 

 
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