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Encontro com a Bíblia

"Exorto-vos a adquirir familiaridade com a Bíblia"

 

 

mensagem do papa à juventude

 

“Exorto-vos a adquirir

familiaridade com a Bíblia”

 

Às vezes, somos demasiado exigentes com os jovens.

Também no capítulo da formação e da vida cristã.

E se nós, adultos, começássemos primeiro a fazer aquilo que

lhes queremos ensinar ou exigir? Eles iriam notar a diferença e aderir

mais facilmente à nossa proposta, que já não lhes

soaria como imposição arbitrária, mas como revelação de um segredo

ou partilha de uma coisa boa que nos aconteceu e, porque somos seus

amigos, não queremos que eles percam.

Por exemplo, a Bíblia.

 

 

Escrevo no Domingo da Transfiguração do Senhor, a 12 de Março. Ontem, as I Vésperas, abriam com o Salmo 119,105: «A tua palavra é farol para os meus passos / e luz para os meus caminhos.» (Sl 119,105). Hoje, no Evangelho, ouvi a voz do Pai: «Este é o meu Filho muito amado, escutai-o.» Lembro: afinal, o papa escolheu aquele versículo do salmo como tema da sua Mensagem aos Jovens para o próximo Domingo de Ramos, Dia Mundial da Juventude. Mensagem, onde ele cita, mais uma vez, a conhecida frase de S. Jerónimo: «A ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo.» E fala-lhes da Bíblia! Ou seja: para escutar o Filho de Deus, como o Pai nos recomenda, devemos ler, estudar e rezar a Bíblia. Onde se diz jovem, entenda-se todo o cristão.

 

 

Uma História de Salvação

 

O papa começa por fazer uma síntese da História da Salvação, onde surgem as três Pessoas da Santíssima Trindade: «Deus revela-se na História, fala aos homens e a sua palavra é criadora. […] Deus diz o que faz e faz o que diz.

 

No ANTIGO TESTAMENTO, anuncia aos filhos de Israel a vinda do Messias e a instauração de uma “nova aliança; no Verbo, que se fez homem, Ele cumpre as suas promessas. O Espírito Santo, que orientou o povo eleito, inspirando os autores das Sagradas Escrituras, abre o coração dos fiéis à compreensão daquilo que elas contêm.»

 

Já no NOVO TESTAMENTO, face à pregação de Jesus, «os Apóstolos acolheram a palavra de salvação e transmitiram-na aos seus sucessores como uma jóia preciosa conservada no cofre seguro da Igreja: sem a Igreja, esta pérola corre o risco de se perder ou de se fragmentar.» Por isso, o Papa exorta: «Amai a palavra de Deus e amai a Igreja, que vos permite aceder a um tesouro de tão excelso valor introduzindo-vos na valorização da sua riqueza. Amai e acompanhai a Igreja que do seu Fundador recebeu a missão de indicar aos homens a caminho da verdadeira felicidade.» Até porque a Igreja não nos serve apenas o pão da Palavra; também nos serve o pão da Eucaristia, consagrado sob a acção do mesmo Espírito Santo.

 

E por isso, «para progredir na peregrinação terrena rumo à Pátria celeste, todos nós temos necessidade de nos alimentarmos com a palavra e com o pão da Vida eterna, inseparáveis entre si!» 

 

 

Um caminho de felicidade

 

«Não é fácil reconhecer e encontrar a autêntica felicidade do mundo em que vivemos, em que o homem é muitas vez refém de correntes de pensamento que o levam, não obstante ele se julgar “livre”, a perder-se nos erros ou nas ilusões de ideologias aberrantes. É urgente “libertar a liberdade” (Veritatis splendor, 86).

 

Jesus indicou como isto pode acontecer: “Se guardardes a minha palavra, sereis de facto meus discípulos; conhecereis a verdade e a verdade libertar-vos-á” (Jo 8,31-3). O Verbo encarnado, Palavra de Verdade, torna-nos livres e orienta a nossa liberdade para o bem.

 

Estimados jovens, meditai com frequência a palavra de Deus e permiti que o Espírito Santo seja o vosso Mestre. Assim, havereis de descobrir que os pensamentos de Deus não são os dos homens; sereis levados a contemplar o verdadeiro Deus e a ler os acontecimentos da História com os seus olhos; haveis de saborear a alegria que nasce da verdade.»

 

Na vida, poderemos chegar a dizer, com o Salmista: “Senhor, sinto-me angustiado”; mas, o mesmo salmo diz-nos como reagir: “dá-me a vida, segundo a tua promessa” (v.107). Pois, recorda o papa, «a presença amorosa de Deus através da sua palavra, é lâmpada que dissipa as trevas e ilumina o caminho também nos momentos mais difíceis – lembra o papa; além disso, «ela age eficazmente e produz frutos, quando aprendemos a ouvi-la, para depois lhe obedecermos».

 

 

Um método antigo e, por isso, actual

 

Aos jovens, Bento XVI propõe um método já clássico na Igreja, implantado na Idade Média, mas redescoberto nos últimos anos: a “Lectio divina”, ou Leitura orante da Bíblia. Começando com uma exortação: «Exorto-vos a adquirir familiaridade com a Bíblia, a con­servá-la ao alcance da mão, a fim de que seja para vós uma bússola que indique o caminho a seguir. Lendo-a, aprendereis a conhecer Cristo.»

 

E depois, fala-lhes desse método como de «um caminho bem experimentado para aprofundar e saborear a palavra de Deus, que constitui um verdadeiro e próprio itinerário espiritual por etapas». Eis essas etapas, que o papa nomeia pelas palavras clássicas em Latim e que eu destaco na cor pela correspondente palavra em Português:

 

:: Leitura (lectio): «consiste em ler e reler um trecho da Sagrada Escritura e em frisar os seus aspectos principais.»

 

:: Meditação (meditatio): «é como que uma pausa interior, em que a alma se dirige a Deus, procurando compreender aquilo que a sua palavra diz hoje à vida concreta.»

 

:: Oração (oratio): «que nos faz manter com Deus um diálogo directo e chegar, enfim, à presença de Cristo, cuja palavra é “luz que brilha num lugar escuro, até que venha o dia em que a estrela da manhã brilhe nos vossos corações” (2 Pe 1,19).»

 

:: Contemplação (contemplatio): «que nos ajuda a manter o coração atento à presença de Cristo, cuja palavra é “luz que brilha num lugar escuro, até que venha o dia em que a estrela da manhã brilhe nos vossos corações” (2 Pe 1,19).»

 

Quando a Palavra de Deus é assim lida e rezada, torna-se luz da nossa vida e a vida transforma-se. Daí a conclusão do Papa: «Em seguida, a leitura, o estudo e a meditação da Palavra devem desabrochar numa vida de adesão coerente a Cristo e aos seus ensinamentos.» Poderíamos resumi-lo numa só palavra, utilizada na “Lectio divina” para falar do seu último passo: Acção ou Resposta (actio). Acção, que inclui compromisso e testemunho.

 

«Se na Lectio – e mais concretamente no momento da oração – empreendemos um caminho para “estar com Deus”, agora temos a prova ou o purificador para sabermos se o encontro foi autêntico: se nos leva ou não nos leva a “estar com os irmãos”. O autêntico encontro com Deus leva ao encontro com os irmãos.» (Arturo Somoza Ramos e Grupo Herramientas Nueve”, in Que é… a lectio divina, Paulinas, Lisboa 1997, p. 43).

 

 

Um programa: construir a vida em Cristo

 

Tudo isto se destina a ser cristão a sério, isto é: construir a vida em Cristo. Bento XVI começa por dizer, com São Tiago, que não basta ouvir a palavra, mas é preciso pô-la em prática (1,21b-25): «recebei com mansidão a Palavra em vós semeada, a qual pode salvar as vossas almas. Mas tendes de a pôr em prática e não apenas ouvi-la, enganando-vos a vós mesmos. Porque, quem se contenta com ouvir a palavra, sem a pôr em prática, assemelha-se a alguém que contempla a sua fisionomia num espelho; mal acaba de se contemplar, sai dali e esquece-se de como era. Aquele, porém, que medita com atenção a lei perfeita, a lei da liberdade, e nela persevera – não como quem a ouve e logo se esquece, mas como quem a cumpre – esse encontrará a felicidade ao pô-la em prática» (1,21b-25).

 

E depois, conclui: «Quem ouve a pala­vra de Deus e se refere constantemente a ela, alicerça a sua existência so­bre um fundamento sólido. «Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as põe em prática – diz Jesus – é como o homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha» (Mt 7,24): ele não cederá às intempéries.

 

Construir a vida em Cristo, acolhendo com alegria a sua palavra e praticando os seus ensinamen­tos: eis como deve ser o vosso programa!

 

É urgente que nasça uma nova geração de apóstolos arraigados na palavra de Cristo, capazes de responder aos desafios do nosso tempo e prontos a difundir o Evangelho. É isto que o Senhor vos pede, para isto vos convida a Igreja e é isto que o mundo – ainda que não o saiba – espera de vós!

 

E se Jesus vos chama, não tenhais medo de lhe responder com generosidade, de modo especial quando vos propõe de o seguir na vida consagrada ou na vida sacerdotal. Não tenhais medo; confiai nele e não ficareis desiludidos.»

 

 

Um triénio sob a acção do Espírito Santo

 

A XXI Jornada Mundial da Juventude, no próximo dia 9 de Abril, será realizada nas diversas igrejas locais – em cada diocese, paróquia ou comunidade. Mas, com ela, «é iniciada uma peregrinação ideal rumo ao en­contro mundial dos jovens, que terá lugar em Sidney em Julho de 2008». O papa exorta os jovens a prepararem-se para esse grande Encontro, «reflectindo juntos sobre o tema: O ESPÍRITO SANTO E A MISSÃO, através das várias etapas:

 

:: Em 2006, «concentrar-se no Espírito Santo, Espírito de verdade que nos revela Cristo, o Verbo que se fez homem, abrindo o coração de cada um à Palavra de salvação, que leva à Verdade integral.»

 

:: Em 2007, «meditar sobre um versículo do Evangelho de João: “Assim como Eu vos amei, também vós deveis amar-vos uns aos outros” (13,34), e descobrir ainda mais profundamente que o Espírito Santo é Espírito de amor, que infunde em nós a caridade divina e nos torna sensíveis às ne­cessidades materiais e espirituais dos irmãos.»

 

:: Em 2008, «o encontro mundial, que terá como tema: “O Espírito Santo descerá sobre vós e dele recebereis a força para serdes as minhas testemunhas” (Act 1,8).

 

Por isso, o Santo Padre exorta os jovens, a «invocar desde já, num clima de incessante escuta da palavra de Deus, o Espírito Santo, Espírito de força e de testemunho, para que os tome capazes de proclamar sem temor o Evangelho até aos extremos confins da terra.»

 

 

Uma companhia inseparável

 

Nesta Mensagem, não podia faltar uma referência final a Nossa Senhora, constante nos documentos oficiais da Igreja nas últimas décadas: «Maria, presente no Cenáculo com os Apóstolos à espera do Pentecostes, seja a vossa Mãe e guia.

 

Que ela vos ensine a acolher a palavra de Deus, a conservá-la e a meditá-la nos vossos corações como ela fez durante toda a sua vida (ver Lc 2,19).

 

Que vos encoraje a dizer o vosso “sim” ao Senhor, vivendo a “obediência da fé”.

 

Que vos ajude a permanecer firmes na fé, constantes na esperança e perseverantes na caridade, sempre dóceis à palavra de Deus.»

 

 

Frei Lopes Morgado,

Fátima, 2006

 

 

 
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