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Jesus: Deus está connosco

«Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia,

a começar pela Galileia,

depois do baptismo que João pregou:

Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré,

que passou fazendo o bem,

e curando todos os que estavam oprimidos pelo demónio,

porque Deus estava com Ele.»

Esta síntese da vida de Jesus faz parte de um discurso de Pedro em casa do centurião Cornélio (Act 10,34-38). Foi lida na Festa do Baptismo do Senhor, correspondente ao I Domingo do Tempo Comum. Tempo em que vamos ver Jesus «fazendo o bem», desde o início da sua pregação até à sua morte.

E Jesus fazia o bem não apenas «porque Deus estava com Ele» (como poderá ser o nosso caso), mas porque Ele próprio era Deus. O refrão do Aleluia antes do Evangelho do II Domingo Comum, vem repetir a certeza do Natal: «O Verbo fez-se carne e habitou entre nós» (Jo 1,14); em Jesus, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade fez-se homem e tornou-se “Deus-connosco”.

No IV Domingo do Advento, o evangelista Mateus tinha-o dito, para garantir aos seus leitores vindos do judaísmo: neste menino, filho da virgem Maria, esposa de José, Deus cumpriu todas as palavras, sinais e promessas do Antigo Testamento. Este era, de facto, o objectivo principal do seu Evangelho. Por isso, ele sozinho cita mais vezes o Antigo Testamento do que os outros três evangelistas juntos.

“Jesus Cristo,

filho de David, filho de Abraão”

O Jesus de Mateus vem garantir a unidade e progressividade da revelação, de que já falei noutro artigo. Quer dizer: Deus não se contradiz, mas vai-se revelando à medida que somos capazes de o compreender. Paulo, cuja “conversão” celebramos a 25 de Janeiro, também tinha caminhado através da Lei e dos Profetas do Antigo Testamento para chegar a Cristo. E, tendo-O encontrado, vai dizer aos seus irmãos de raça e de religião, que continuavam agarrados a essas leis antigas:

«Antes de chegar a fé, estávamos prisioneiros da Lei, estávamos fechados, até à fé que havia de revelar-se. Deste modo, a Lei tornou-se nosso pedagogo até Cristo, para que fôssemos justificados pela fé. Uma vez, porém, chegado o tempo da fé, já não estamos sob o domínio do pedagogo. É que todos vós sois filhos de Deus em Cristo Jesus, mediante a fé; pois todos os que fostes baptizados em Cristo, revestistes-vos de Cristo mediante a fé. Não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem nem mulher, porque todos sois um só em Cristo Jesus. E se sois de Cristo, sois também descendência de Abraão, herdeiros segundo a promessa.» (Gl 3,24-29)

Mais adiante, diz-lhes quando e como é que isso aconteceu:

«quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sob o domínio da Lei, para resgatar os que se encontravam sob o domínio da Lei, a fim de recebermos a adopção de filhos» (Gl 4,4-5).

Por isso, Mateus abre o seu Evangelho com a «genealogia de Jesus Cristo, filho de David, filho de Abraão» (1,1). Só isto já é uma boa-nova: Deus vem através de nós, salva-nos a partir de nós, já cá estava a caminhar connosco ao encontro de Jesus, com o crente-peregrino Abraão, pai comum das três grandes religiões monoteístas. Mais uma vez, é Paulo a dizê-lo: «Foi assim que ele se tornou pai de todos os crentes não-circuncidados», isto é, dos não escravos da letra da Lei (Rm 4,1).

«Não vim revogá-los,

mas levá-los à perfeição»

Apesar disso, ou por isso, o Jesus de Mateus não vem contradizer o Antigo Testamento nem diz que a Lei ou os profetas não têm valor: «Não penseis que vim revogar a Lei ou os profetas. Não vim revogá-los, mas levá-los à perfeição» (Mt 5,17). Qual perfeição?

A perfeição de não se contentar com a materialidade da letra, mas de penetrar no espírito da palavra e do legislador:

além de não matar – não odiar e reconciliar-se;

além de não cometer adultério  –  não desejar a mulher do próximo;

além de dar um documento de divórcio  – não abandonar a mulher enjeitada;

além de não jurar  – falar a verdade (sim ou não);

em vez de usar a lei do talião, que permitia pagar o mal com o mal  – ultrapassá-la com o perdão;

em vez de amar o meu amigo e odiar o meu inimigo  – amar os inimigos e orar pelos perseguidores… sendo «perfeitos como o Pai celeste» (ler Mt 5,17-48 (são os Evangelhos do VI e VII Domingos do Tempo Comum, mas este ano não vão ser lidos).

A perfeição de dar esmola, rezar e jejuar não para ser visto, admirado e elogiado pelas pessoas, mas para agradar a Deus (ler Mt 6,1-18: Evangelho de Quarta-Feira de Cinzas).

No III Domingo Comum, ao iniciar a sua vida pública de profeta, Jesus vai pregar-nos o arrependimento como forma de adesão ao seu reino, e convidar-nos a segui-lo para nos tornarmos seus discípulos-apóstolos (ler Mt 4,12-23).

No IV Domingo Comum iremos sentar-nos diante deste Mestre que veio substituir o pedagogo da antiga Lei, para ouvirmos a nova Lei das Bem-aventuranças (ler Mt 5,1-12ª).

No V Domingo Comum assumiremos a nossa vocação e missão cristã no mundo: «Vós sois o sal da terra… Vós sois a luz do mundo.» (ler Mt 5,13-16).

Poderemos, então, acompanhar Jesus até ao deserto, no 1º Domingo da Quaresma (ler Mt 4,1-11), renunciar às seduções do mal e à tentação do exibicionismo religioso, para aderir à vontade do Pai sob a luz da Palavra que fundamenta a fé.

E seremos capazes de segui-lo até à Paixão e à Páscoa, como nosso Caminho, Verdade e Vida. Sem medo. Porque Ele venceu a morte e continua connosco.

Foi isso que disse às mulheres, na madrugada do Dia de Páscoa, o Anjo do Senhor sentado sobre a pedra do sepulcro de Jesus aberto:

«Não tenhais medo;

sei que procurais Jesus, o Crucificado.

Não está aqui: ressuscitou, como tinha dito.»

(ler Mt 28,1-10. Evangelho da Vigília Pascal)

frei Lopes Morgado

 

 
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