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Atenção aos mais pequenos!

Durante muitos anos,

até à reforma litúrgica promovida pelo Vaticano II,

o Evangelho de S. Mateus era, de longe,

o mais lido na liturgia da Igreja.

Como todas as coisas, isso teve os seus ganhos e percas

na Evangelização das Comunidades...

A perca mais evidente foi deixar de lado a riqueza dos outros Evangelhos, e de se pensar que todos diziam mais ou menos a mesma coisa e Mateus era o mais arrumado ou pedagógico. Daí escrever-se a “Vida de Jesus” através da “concordância” dos Evangelhos; ou seja, recortando de cada um aquilo que os outros não diziam e tecendo uma biografia como se os Evangelhos pretendessem fazer isso.

Desse modo, perdia-se a teologia ou intenção catequética de cada evangelista, as características da comunidade a que ele se dirigia preferencialmente e a razão que o tinha levado a seleccionar tais palavras ou milagres de Jesus, e não outros. E isto é importante para os evangelizadores, que devem “incarnar” a mensagem e a pessoa de Jesus em novas pessoas e circunstâncias, como evangelistas para o nosso tempo.

O Evangelho da Igreja/comunidade

Uma vantagem era o Evangelho de Mateus ser o único a falar de Igreja, apresentando a comunidade dos seguidores de Jesus em moldes aproximados aos das nossas comunidades actuais, com certa estrutura e dinamismo pastoral. Ao menos, foi a principal razão daquela preferência. Nele:

A comunidade tem uma autoridade visível: os Apóstolos, e entre eles Pedro: o primeiro chamado como discípulo (4,18-20) e escolhido para Apóstolo (10,1-2), que faz a profissão de fé em nome dos outros, recebe as chaves do Reino do Céu com a missão de se tornar pedra fundamental da Igreja e a garantia de que será ligado ou desligado no Céu o que ele ligar ou desligar na terra (16,16-19). Missão e poder que não lhe são tirados, apesar de adormecer enquanto Jesus sofre no Jardim das Oliveiras (26,40-43) e de o negar três vezes (26,69-75).

Há certa vida litúrgica e sacramental: A comunidade vive e alimenta-se da Eucaristia, preanunciada nos dois milagres da multiplicação dos pães (14,15-21 e 15,32-38); o Pai-nosso é a oração dos seus membros (6,9-13), unidos não por laços da carne ou do sangue, mas congregados pela Palavra de Deus (16,17); a relação rege-se pelo amor fraterno, reanimado pela atenção e pelo acolhimento aos mais pequenos e fracos (18,6-9; veja-se a diferença do contexto e mensagem da parábola da ovelha perdida em Mt 18,6.10-14 e em Lc 15,1-2.4-7), o diálogo e a correcção fraterna (18,15-18); imprescindíveis: a oração em comum e o perdão até setenta vezes sete (ver a parábola do servo mau: 18,23-35).

Nesta comunidade, Jesus é o Senhor e centro, como Javé estava no centro da antiga comunidade de Israel. Escrevendo sobretudo para judeus convertidos ao cristianismo, Mateus deitou mão dos profetas e da Lei, para lhes mostrar que Jesus era o Messias por eles anunciado. Por isso, cita mais vezes o AT que os outros evangelistas juntos. Esta centralidade do Senhor é bem marcada em três momentos principais do seu Evangelho:

No princípio, diz que a concepção virginal de Jesus aconteceu para se cumprir o que tinha sido profetizado por Isaías (7,14), quando anunciou a Acaz que uma jovem tinha concebido e ia dar à luz um filho a quem chamariam “Emanuel” – “que quer dizer: Deus connosco”, traduz Mateus (1,22-23).

A meio, exactamente no chamado “discurso eclesial”, põe estas palavras na boca de Jesus: “Onde estiverem reunidos em meu nome dois ou três, Eu estou no meio deles.” (18,20). Note-se que Eu estou ou Eu sou é o nome revelado por Deus a vários personagens do AT; e que a raiz hebraica de Jesus corresponde à de Javé.

No fim, após ter enviado os Apóstolos pelo mundo a evangelizar e baptizar em seu nome, Jesus garante-lhes: “E sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos.” (28,20).

Jesus, o aliado dos pequeninos

De tal modo o Jesus de Mateus incarna nos pequeninos, que se confunde com eles e aceita como feito a Ele mesmo aquilo que fazemos aos mais débeis ou carenciados da comunidade. Não é por acaso que, no último Domingo deste ano litúrgico, em que Mateus foi o principal Evangelista, o Evangelho é do seu capítulo 25. Isto é: Jesus tem lugares reservados no seu Reino para os que tratarem os outros como tratariam a Ele próprio; e Ele reina quando os seus irmãos mais pequeninos são promovidos à dignidade de seus iguais: totalmente humanos e filhos de Deus em plenitude.

Eis um alerta urgente para a sociedade do nosso tempo, em que os fracos são espezinhados, os menos influentes não contam, os trabalhadores são antecipadamente descartados e sacrificados a critérios de produtividade duvidosa a longo prazo e as minorias são marginalizadas. Continuando a fome, sem que faltem alimentos, e as doenças, sem que faltem meios internacionais para a sua prevenção e cura. Não tenhamos ilusões: o nosso cartão de entrada no Reino dos bem-aventurados e felizes – vão ser os pobres a quem tivermos dignificado.

frei Lopes Morgado

 

 
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