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"Somos da Raça de Deus"

Em 23 de Maio passado, Festa da Ascensão do Senhor,

deparei com o discurso de São Paulo aos filósofos do Areópago de Atenas,

que então lhe chamaram “papagaio”.

Vou transcrever uma parte central do texto,

e partilhar a glosa que, então, escrevi.

Antes de mais, o texto. Nesta época do ano, em que tantos recuperam maior disponibilidade e se libertam da formatação dos dias iguais, ele pode ser um convite a parar e ver as coisas com outros olhos e sensibilidade, até chegar a encontrar-se, na criação e através dela, com o Criador que também se encanta connosco. Diz Paulo, tentando desvendar Aquele que, para os atenienses, era um “deus desconhecido”:

«É nele, realmente, que vivemos,

nos movemos e existimos,

       como também o disseram alguns dos

vossos poetas:

‘Pois nós somos também da sua estirpe.’

Se nós somos da raça de Deus, não devemos pensar que a Divindade é semelhante ao ouro, à prata ou à pedra, trabalhados pela arte e engenho do homem. Sem ter em conta estes tempos de ignorância, Deus faz saber, agora, a todos os homens e em toda a parte, que todos têm de se arrepender, pois fixou um dia em que julgará o universo com justiça, por intermédio de um Homem, que designou, oferecendo a todos um motivo de crédito, com o facto de o ter ressuscitado de entre os mortos.» (Act 17,29-31).

A referência de Paulo à ressurreição, dividiu o auditório e levou alguns a troçarem dele. A mim, fez-me reviver de novo esse Domingo em que, já na recta final da Páscoa de Jesus, também tinha celebrado o seu regresso definitivo para junto do Pai, «donde virá para julgar os vivos e os mortos», como diz o Credo.

Era noite, e já não voltei à janela para responder aos acenos das estrelas cadentes. Mas, pegando no bloco de cabeceira, registei alguns sinais de que é Ele quem nos envolve, nos aleita e nos embala. Deixo-lhes a glosa, para que a enriqueçam e completem com a vossa própria reflexão e sensibilidade:

Somos da raça de Deus – senão,

donde a fruição contemplativa dos olhos

passeando-se pela beleza da criação,

como se criadores, às primeiras luzes da manhã

e nas pausas gratuitas do dia?

Somos da raça de Deus – senão,

donde o estremecimento do espírito

a inomináveis vozes interiores,

a difusas palavras, cores, luzes,

que nos cativam mas não saciam nunca?

Somos da raça de Deus – senão,

donde a memória incompleta, peregrina

ansiosa para além das cronologias,

demandando sempre dimensões novas,

saudosa de uma casa onde nunca morou?

Somos da raça de Deus – senão,

donde a pulsação acelerada pelo toque

de um sorriso, de um gesto gratuito,

um olhar fixo ou fugidio, de um aperto

de mão, um beijo, um mínimo carinho?

Somos da raça de Deus – senão,

donde o pêndulo da liberdade, oscilando

entre isto ou aquilo, algo ou nada,

o dentro e o fora, o antigo e o novo…

antes de aquietar-se numa escolha incerta?

Somos da raça de Deus – no entanto,

descontando estes tempos de ignorância,

Deus faz saber que não é semelhante

ao ouro, à prata ou à pedra trabalhada

pela arte e engenharia do homem.

Ah, e faz saber que não somos apenas

da sua raça – somos seus filhos no Filho

e, por isso, herdeiros de um reino eterno

que não é deste mundo, mas transforma-o;

não se confina à terra, mas nela se enraíza.

frei Lopes Morgado

 

 
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