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Encontro com a Bíblia

Advento e Natal: Ano A

 

Este tema permite iniciar na História da Salvação,

relacionando o 1º capítulo da Dei Verbum

com as Leituras bíblicas do Advento e do Natal.

 

 

advento e natal / ano a

 

Aí está o vosso Deus!

Ele próprio vem salvar-vos.

 

«Tocamos, aqui, o ponto essencial onde o cristianismo se

diferencia das outras religiões, nas quais se foi exprimindo,

desde o início, a busca de Deus por parte do homem.

No cristianismo, o ponto de partida está na Encarnação

do Verbo. Aqui, não é apenas o homem a procurar Deus,

mas é Deus que vem em pessoa falar de Si ao homem

e mostrar-lhe o caminho por onde é possível atingi-lo.»

 

São palavras de João Paulo II na Carta Apostólica “Às Portas do Terceiro Milénio” (Tertio Millenio Adveniente), de 10 de Novembro de 1994, em que traçou o programa da celebração do Grande Jubileu da Encarnação no ano 2000. Ao dizer isto, o Papa falava da “solícita pedagogia divina” que em Cristo atinge a sua meta. Ou seja, falava de um PROJECTO ETERNO DE DEUS, que, desejando revelar-se à humanidade, se foi “adaptando” e “condescendendo” (S. João Crisóstomo), até que, na pessoa humana de seu Filho Jesus, pôde finalmente “dizer-se” e “mostrar” o seu amor de modo claro.

 

Deste modo, tornou-se também possível a nova e eterna aliança que Deus sonhara fazer com a humanidade: «Se, por um lado, Deus em Cristo fala de Si à humanidade, por outro, no mesmo Cristo, a humanidade inteira e toda a criação falam de si a Deus – melhor, dão-se a Deus. Assim, tudo volta ao seu princípio. Simultaneamente, Jesus Cristo é a recapitulação (Ef 1,10) e o cumprimento de todas as coisas em Deus.»

 

O que o Papa disse neste nº 6 da sua Carta, já o dissera o Concílio Vaticano II na Constituição dogmática sobre a divina Revelação (Dei Verbum), de 18 de Novembro de 1965. Vou sintetizar o que ela diz no capítulo I e, ao mesmo tempo, mostrar como a Liturgia da Palavra dos DOMINGOS DO ADVENTO E DO NATAL o vai, mais uma vez, evocar e celebrar. Para que nós, hoje, como novo “Povo de Deus” o vivamos também como herança e compromisso comunitário de fé.

 

 

A “economia da salvação”

 

A Dei Verbum chama “economia da salvação” àquilo que Deus investiu para salvar a humanidade, ao longo de uma história de amor e alianças que, por isso, chamamos “História da Salvação”. Diz: «Aprouve a Deus, na sua bondade e sabedoria, revelar-se a si mesmo e dar a conhecer o mistério da sua vontade, mediante o qual os homens, por meio de Cristo, Verbo Encarnado, têm acesso, no Espírito Santo, ao Pai e se tornam participantes da natureza divina. E assim, em virtude desta Revelação, Deus invisível, na riqueza do seu amor, fala aos homens como a amigos e conversa com eles para os convidar e admitir à sua comunhão.

 

Esta economia faz-se por meio de acções e palavras intimamente relacionadas entre si, de tal maneira que, as obras realizadas por Deus na História da Salvação, manifestam e corroboram a doutrina e as realidades significadas pelas palavras, enquanto as palavras proclamam as obras e esclarecem o mistério nelas contido. Porém, a verdade profunda contida nesta Revelação, tanto a respeito de Deus como da salvação dos homens, manifesta-se-nos na PESSOA DE CRISTO que é, simultaneamente, o mediador e a plenitude de toda a Revelação.» (nº 1).

 

Essa caminhada de Deus ao encontro da humanidade, vivida pelo povo da Bíblia, percorreu duas fases fundamentais: ANTIGO TESTAMENTO (antes de Cristo) e NOVO TESTAMENTO (tempo de Cristo, dos apóstolos e das comunidades cristãs da era apostólica).

 

 

A “economia” do Antigo Testamento:

tempo da promessa e da espera

 

A caminhada e revelação feita no Antigo Testamento é reconhecida e celebrada na 1ª Leitura de cada Domingo, tanto no Advento como na Quaresma. A propósito da “economia do Antigo Testamento”, diz o nº 3 da Dei Verbum:

 

«Deus, […] ao propor abrir o caminho da salvação sobrenatural, manifestou-se, desde o princípio, aos primeiros pais. […] No devido tempo, chamou Abraão, para fazer dele um grande povo, a quem, depois dos Patriarcas, ensinou por meio de Moisés e dos Profetas para que o conheçam como o Deus único e verdadeiro, o Pai providente e o juiz justo e esperassem o Salvador prometido preparando, assim, através dos tempos, o caminho ao Evangelho.»

 

Dos primeiros pais, de Abraão e de Moisés, falará a 1ª Leitura do Tempo da Quaresma. Na 1ª Leitura do Tempo do ADVENTO deste ano correspondente ao ciclo A, até à Missa do dia de Natal inclusive, a Igreja apresenta-nos textos do profeta ISAÍAS. E como preparou ele, no seu tempo, o povo de Deus para esperar o Salvador prometido? É um desafio que deixo a cada leitor, para um encontro individual ou familiar com a Palavra de cada Domingo. Apenas escolhi, para título desta reflexão, as suas palavras do III Domingo do Advento (Is 35,1-6a.10).

 

 

A “economia” do Novo Testamento:

Revelação completa e definitiva

 

«Muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais, pelos Profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por seu Filho.» Assim começa o texto da 2ª Leitura da Missa do Dia de NATAL (Carta aos Hebreus 1,1-6). E assim começa o nº 4 da Dei Verbum para nos falar da Revelação de Deus no Novo Testamento:

 

«Deus [o PAI], com efeito, enviou o seu FILHO, isto é, o Verbo eterno, que ilumina todos os homens, para que habitasse entre eles e lhes manifestasse os arcanos de Deus (Jo 1,1-18 = Evangelho da Missa do Dia de Natal). Jesus Cristo, portanto, o Verbo feito carne, enviado como “homem para os homens” (Carta a Diogneto), «refere as palavras de Deus» (Jo 3,34) e consuma a obra de salvação que o Pai Lhe confiou para realizar (Jo 5,36; 17,4), com a presença e manifestação de toda a sua pessoa, com palavras e obras, sinais e milagres e, sobretudo, com a sua morte e gloriosa ressurreição de entre os mortos; finalmente, com a missão do ESPÍRITO SANTO, realiza a Revelação e completa-a, confirmando-a com o testemunho divino, a saber: que DEUS ESTÁ CONNOSCO para nos libertar das trevas do pecado e da morte e nos ressuscitar para a vida eterna.

 

Consequentemente, a economia cristã, como nova e definitiva aliança, jamais passará, e não é possível esperar outra Revelação pública antes da gloriosa manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo (1 Tm 6,14; Tt 2,13).»

 

Destaquei em maiúsculas, na cor laranja, a “Trindade” do nosso Deus, e as palavras “Natal” e “Deus está connosco” na cor azul, por ser a forma como S. MATEUS, o Evangelista deste ano A, sintetiza a Revelação no Antigo e no Novo Testamento: o Javé revelado a Moisés (Ex 3,13-14), é o Emanuel revelado a Isaías (Is 7,10-14 = 1ª Leitura do IV Domingo do Advento) e o Jesus revelado a José, ou seja: Deus connosco (Mt 1,18-24= Evangelho do IV Domingo do Advento).

 

 

“Para vivermos no tempo presente”

 

O número 4 da Dei Verbum, terminava: «não é possível esperar outra Revelação pública antes da gloriosa manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo.» E citava duas Cartas de PAULO: a Timóteo e a Tito. Desta é seleccionada, todos os anos, a 2ª Leitura da Missa da Meia-Noite de Natal:

 

“Caríssimo, manifestou-se a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens, ensinando-nos a renunciar à impiedade e aos desejos mundanos para vivermos, no tempo presente, com temperança, justiça e piedade, aguardando a ditosa esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo…» (Tt 2,11-14).

 

Ou seja: o tempo presente está para a ÚLTIMA VINDA (escatológica) de Cristo, como o Antigo Testamento esteve para a sua primeira vinda (histórica). De novo, temos um tempo de promessa e de esperança. Por isso, em cada Advento e Natal, os crentes do Antigo Testamento, que esperaram o Salvador anunciado pelos profetas, ensinam-nos a viver no nosso tempo «aguardando a ditosa esperança e a manifestação da glória» do Senhor que «há-de vir», como professamos no Credo. Sabendo que «a salvação está agora mais perto de nós do que quando abraçámos a fé» (2ª Leitura do I Domingo do Advento).

 

É esta, sempre, a pedagogia sapiencial e parenética da 2ª Leitura.

 

frei Lopes Morgado

 

 
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