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Rezar os Mistérios Dolorosos

com o povo de Timor-Leste

 

 

 

1º Mistério

 

A agonia dos guerrilheiros no Monte Uai-Mori

 

 

Texto Bíblico

 

Jesus saiu, então, e foi, como de costume, para o Monte das Oliveiras. E os discípulos seguiram também com Ele. Quando chegou ao local, disse-lhes: «Orai, para que não entreis em tentação.» Depois afastou-se deles, à distância de um tiro de pedra, aproximadamente; e, pondo-se de joelhos, começou a orar, dizendo: «Pai, se quiseres, afasta de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, mas a tua.» Então, vindo do Céu, apareceu-lhe um anjo que o confortava. Cheio de angústia, pôs-se a orar mais instantemente, e o suor tornou-se-lhe como grossas gotas de sangue, que caíam na terra. Depois de orar, levantou-se e foi ter com os discípulos, encontrando-os a dormir, devido à tristeza. Disse-lhes: «Porque dormis? Levantai-vos e orai, para que não entreis em tentação.» (Lc 22,39-46)

 

 

Reflexão

 

Uai-Mori, 20 de Agosto de 1999, dia de aniversário das Falintil. Ainda o mar criança gozava com a timidez do sol e já a montanha se vestia de gente e de esperança; mas ecoava no camuflado dos guerrilheiros o silêncio dos que a perderam. Acantonados no seu último reduto, passaram em poucas semanas de algumas centenas de arma em punho a milhares de bengala e tachos ao lume.

 

Naquele dia Xanana e Taur Matan Ruak abraçaram-se ao telefone e juntos libertaram as lágrimas do povo. As ordens que Xanana fez chegar aos seus guerrilheiros, a partir da prisão, em Jacarta, era clara: resistir às provocações das milícias até ao dia do referendo. Os guerrilheiros sabiam que a vitória estava próxima. Faltavam apenas dez dias para o referendo. Mas também sabiam que se respondessem às provocações das milícias isso serviria de pretexto para a Indonésia o adiar. Seriam dez longos dias. Que fazer? Como deixar que a carne do seu povo fosse lançada ao mar e o seu sangue servisse de ensopado aos cães raivosos?

 

Poderemos imaginar o sofrimento daqueles valentes ao terem que pedir às suas gentes para irem votar e ao mesmo tempo não as poderem proteger da chacina quase certa? Os guerrilheiros, de semblante em formatura, despediram-se dos pais e avós e colocaram-nos nas mãos de Deus. Montanha abaixo cantava-se o silêncio de Maria, numa oração animada por padres com a cabeça a prémio e crianças para quem tudo não passou de um simples passeio.

 

 

 

2º Mistério

 

A flagelação do Povo

 

 

Texto Bíblico

 

Pilatos disse-lhes: «Que hei-de fazer, então, de Jesus chamado Cristo?» Todos responderam: «Seja crucificado!» Pilatos insistiu: «Que mal fez Ele?» Mas eles cada vez gritavam mais: «Seja crucificado!» Pilatos, vendo que nada conseguia e que o tumulto aumentava cada vez mais, mandou vir água e lavou as mãos na presença da multidão, dizendo: «Estou inocente deste sangue. Isso é convosco.» E todo o povo respondeu: «Que o seu sangue caia sobre nós e sobre os nossos filhos!» Então, soltou-lhes Barrabás. Quanto a Jesus, depois de o mandar flagelar, entregou-o para ser crucificado. (Mt 27, 22-26)

 

 

Reflexão

 

Eurico Guterres perguntou ao governador: «que hei-de fazer desta escumalha?» Ao que ele respondeu: «pisai-a como insectos». Eurico insistiu: «também velhos e crianças?» O governador, irritado, disse-lhe: «torturai-os e matai-os». Eurico voltou-se para os seus homens que gritavam de catana no ar e os olhos raiados de sangue e mandou que lhe trouxessem o sangue do povo dizendo: «matai toda essa escumalha, morram como o Cristo que eles adoram, queimai-lhes as casas e os haveres e se algum deles escapar não encontre senão pedras».

 

 

 

3º Mistério

 

A coroação de espinhos

 

 

Texto Bíblico

 

Os soldados do governador conduziram Jesus para o pretório e reuniram toda a corte à volta dele. Despiram-no e envolveram-no com um manto escarlate. Tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça, e uma cana na mão direita. Dobrando o joelho diante dele, escarneciam-no, dizendo: «Salve! Rei dos Judeus!» E, cuspindo-lhe no rosto, agarravam na cana e batiam-lhe na cabeça. Depois de o terem escarnecido, tiraram-lhe o manto, vestiram-lhe as suas roupas e levaram-no para ser crucificado. (Mt 27, 27-31)

 

 

Reflexão

 

No dia 30 de Agosto de 1999, o referendo ditou o sim à independência. Foi o coroar de muitos anos de luta, de morte, fome e contínuas violações à dignidade humana. Aqueles que durante 24 anos tiveram que roubar e mentir para sobreviver a uma coroa de dor, hoje saíram vitoriosos. Foi também o reconhecimento da comunidade internacional depois de tantas vezes se lhe terem fechado os olhos com petróleo.

 

Mas o povo sabia que depois de votar teria que fugir imediatamente para as montanhas porque nem militares nem milícias abririam mão daquilo que lhes fizeram crer ser deles. Sabiam que a ingenuidade da ONU ao acreditar nos generais indonésios era como confiar a uma jibóia a guarda de um cordeirinho.

 

Finalmente o grande dia. Estavam prontos. Era o tudo por tudo. Depois de votarem começaram a dirigir-se de novo para as montanhas em busca de refúgio. Aí, o silêncio só consentiu o murmúrio dos pássaros e de algumas Avé-Marias, em português, claro, como as avós ensinaram.

 

 

 

4º Mistério

 

O povo é levado para o lado ocidental da ilha

 

 

Texto Bíblico

 

Quando o iam conduzindo, lançaram mão de um certo Simão de Cirene, que voltava do campo, e carregaram-no com a cruz, para a levar atrás de Jesus. Seguiam Jesus uma grande multidão de povo e umas mulheres que batiam no peito e se lamentavam por Ele. Jesus voltou-se para elas e disse-lhes: «Filhas de Jerusalém, não choreis por mim, chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos; pois virão dias em que se dirá: ‘Felizes as estéreis, os ventres que não geraram e os peitos que não amamentaram.’ Hão-de, então, dizer aos montes: ‘Caí sobre nós!’ E às colinas: ‘Cobri-nos!’ Porque, se tratam assim a árvore verde, o que não acontecerá à seca?» E levavam também dois malfeitores, para serem executados com Ele. (Lc 23, 26-32)

 

 

Reflexão

 

Milhares de almas e corpos – numa amálgama de ser – foram levados em camiões para o outro lado da ilha mas apenas mudou a geografia do terror. Consigo levaram a roupa que traziam colada ao corpo e uma fé muito grande naquele que os ajudava a carregar a cruz. As lágrimas torturadas secaram o leite das mães e apenas lhes era permitido vaguear em busca de um pouco de mel nas folhas e grãos de arroz que encontrassem por debaixo da mesa dos generais. Isso e nada mais. As pessoas queriam regressar mas tinham medo; diziam-lhes que os timorenses matariam quem se atravesse a tentar regressar como se o sangue não conhecesse parceiro!

 

 

 

5º Mistério

 

Violação e morte de uma jovem

 

 

Texto Bíblico

 

Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, crucificaram Jesus. Por volta do meio-dia, as trevas cobriram toda a região até às três horas da tarde. O Sol tinha-se eclipsado e o véu do templo rasgou-se ao meio. Dando um forte grito, Jesus exclamou: «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.» Dito isto, expirou. Ao ver o que se passava, o centurião deu glória a Deus, dizendo: «Verdadeiramente, este homem era justo!» E toda a multidão que se tinha aglomerado para este espectáculo, vendo o que acontecera, regressava batendo no peito. Todos os seus conhecidos e as mulheres que o tinham acompanhado desde a Galileia mantinham-se à distância, observando estas coisas. (Lc 23, 33.44-49)

 

 

Reflexão

 

Quando chegaram a um lugar chamado Manatuto, amarraram a um velho e enferrujado poste de electricidade o corpo de uma jovem a fim de a violar. Chamamos-lhe Maria mas aquele corpo teve outros nomes; demasiados para aqui os recordarmos. Eles sabiam que cada jovem que turturavam e violavam era mais uma ferida na alma do povo. Um povo estropiado pela dor de lhe quererem tirar o bem mais precioso, a identidade.

 

As nuvens apressaram o passo e as trevas cobriram toda a região e mais ainda o rosto de Maria por a esperança haver desaparecido. Entre abusos e insultos aqueles risos eram piores do que se lhe cuspissem na cara.

 

Uma brisa gélida rasgou-lhe a roupa e Maria gritou: «mãe, pai, mãe...» e nada mais conseguiu dizer. Tudo o mais ficaria para sempre no coração daqueles que estavam escondidos por perto sem nada puderem fazer. Um atrás doutro, passaram por ela. Maria perdeu todas as forças e já nem pela mãe conseguia chamar mas no seu intimo sabia que todo o seu povo gemia com ela. Agora era um farrapo. Morreu… O pai, escondido e agarrado por familiares num barraco ali perto, preso por uma angustia que mordia as lágrimas, talvez sem saber, agradecia a Deus por ter pegado ao colo na sua menina e lhe ter poupado, ao menos, a vergonha.

 

A alma do povo, mais uma vez, tinha sido violada. Aumentava a revolta daqueles que assistiram à morte de Maria mas também a certeza de que a vitória estava próxima. Familiares e religiosas desceram o corpo e cobriram-no de lágrimas, para regar de bênçãos a esperança.

 

 

 

Texto:

Frei Hermano Filipe, OFMCap.

Edição:

Secretariado de Cooperação e Animação Missionária

Av. Conselheiro Barjona de Freitas, n. 12, 3º

1500-204 LISBOA * Tel. 217789902

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