<%@ Language=VBScript %> Ordem dos Frades Menores Capuchinhos

PAZ e BEM! Bem-vindo à Página dos Frades Missionários Capuchinhos

Página Principal


São Francisco Assis


Espírito de Assis


Porciúncula


Ordem Capuchinhos


Missão em Timor


Onde Vivemos


Espaço Jovem


Música


Apontadores


 
Histórias e Floreados de um Missionário

Uma viagem!

 

Depois de ter deitado fora o café por ter visto coisas para além deste e ter um gosto estranho, partimos. Deixamos para trás o enorme espaço do recreio da Escola de Santa Maria de Ainaro onde mais de 600 escuteiros estavam acampados. Em duas viaturas todo-o-terreno de uma Organização das Nações Unidas, por caminhos serpenteando o início da cordilheira de montanhas, cuja mais alta é o Ramelau, lá fomos. Tínhamos como meta Reconstrução de uma casaSurucraik. Para além dos dois motoristas, a expedição era composta por mim, 3 escuteiros, o coadjutor do pároco de Ainaro, uma representante das Nações Unidas, o sub chefe de suco, e um jornalista.

 

A viagem durou cerca de uma hora e, como em mais de 90% das estradas e caminhos de Timor, impróprios para doentes de coluna, que é o meu caso, devido aos constantes buracos, e cardíacos, nalguns pontos em que a pontaria para os carros passarem tem que ser feita com profissionalismo para evitar o despiste. A paisagem como em quase todo o maciço central, é dominada por gigantescas árvores que crescem a partir dos profundos vales para captar o máximo de luz e sol, palmeiras de várias espécies, plantas, arbustos e flores. A planta do café é quase uma constante, já que o distrito de Ainaro faz fronteira com Ermera, capital do café. Demos boleia a crianças e mulheres que carregavam pesados sacos de arroz e outros produtos. As crianças, devoravam com os olhos tudo o que viam dentro da carrinha, através do vidro que separa a caixa da cabine, com um sorriso de satisfação por tão grande oportunidade.

 

Esta narração bem podia ficar por aqui. Talvez dizer que fomos como em todo o Timor, recebidos com “tais”, mas não, quando chegamos, não foi difícil ver que Surucraik era uma  aldeia diferente. 53 casas com telhado de zinco ou folha de palmeira tinham simplesmente desaparecido no dia 1 de Setembro. Os habitantes das mesmas estão abrigados em toldos fornecidos pelas Nações Unidas. Das suas habitações restavam apenas 4 ou 6 barrotes na vertical consumidos até metade pelas chamas e o alicerce. A fúria intolerável de um de três grupos de artes marciais provocou esta catástrofe, que infelizmente não é a primeira depois da independência. Várias dezenas de suspeitos estão presos à espera de julgamento enquanto Surucraik é patrulhada por cerca de 15 agentes da polícia, com e sem farda.

 

Junto do posto de saúde, sob a sombra de uma respeitosa árvore juntaram-se mais de 30 homens, jovens e crianças. As catanas sempre afiadas e alguns galos atados por um cordel a uma cerca e às raízes da árvore, completavam o cenário. Esta pequena multidão estava até momentos antes da nossa chegada a preparar uma enorme tenda com cerca de 200 metros quadrados para receber ministros e deputados. A palavra de ordem é de reconciliação entre as famílias dos criminosos.

 

Os objectivos que nos levou provavelmente à aldeia mais triste de Timor foram essencialmente dois: explicar à população quem eram os escuteiros e que os mesmos tinha a intenção de oferecer às famílias que tudo ou quase tudo perderam, alguns alimentos, no final do acampamento. A reunião demorou quase uma hora demorou, bem à timorense, em que todos têm voz. Este encontro justificava-se para que os escuteiros identificados com as suas fardas e lenços não fossem confundidos como mais um grupo de marginais como os que provocaram os desacatos no dia 1.

Não intervim com palavras, mas com a minha presença, com o meu silêncio, com o meu contemplar, senti que dei testemunho… rezei, cumprimentei e sorri a todos, de modo particular para as crianças. Foi a melhor manhã de acampamento, mesmo sem café.

 

 

frei José Luís Caetano

 

 
Página Principal | Capuchinhos em Portugal | Contactos | Ficha Técnica | Sugestões

© 2006 Ordem dos Frades Menores Capuchinhos (Portugal)