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HATUKARAU ou a minha passagem de ano: carta à família

Foi uma experiência única.

Aos 66 anos de idade, no último dia do ano, caminhei doze quilómetros pela montanha fazendo mais oito no regresso do dia seguinte.

Fiquei partido, mas de pé; cansado, mas feliz.

Objectivo: chegar a Hatukarau e passar o fim de ano com 8 famílias que vivem numa zona inacessível ao resto do país e do mundo, que foi outrora santuário político e militar de Xanana Gusmão e seus companheiros de luta de libertação. Montes à frente, serras a trás, montanhas dos dois lados. No meio, Hatukarau, esmagada pela floresta, pelo silêncio, pela beleza natural, pelo esquecimento alheio.

Irmã Zélia e frei Clemente com algumas crianças no caminho para Hatukarau

A Hatukarau não se chega de carro (não há estrada, nem sequer caminhos); ainda nenhuma autoridade civil ali apareceu (nem sei se sabem da existência deste lugar); não há água nem luz; não há professor, nem médico, nem catequista; não têm rádio nem telefone, a não ser que se leve no bolso um telemóvel, pois (oh ironia do progresso!), há rede neste lugar que é, certamente, o centro geográfico da periferia do mundo.

Ali celebrei a passagem do ano com Frei Clemente, a Irmã Zélia, o catequista Salvador e um dos seus filhos.

Saímos às 3,30 da tarde. Depois da grande e prolongada subida, descanso para a primeira mensagem: “estamos no ponto mais alto”. No seguimento, avistámos veados a pastar, macacos a brincar e gatos bravos a fugir. Às 5,30, finalmente, a mensagem enviada para casa: “chegámos!” Cumprimentos e café, com bolachas a acompanhar. Depois, o banho possível e descanso. Jantar, Missa de fim de Ano 2005 e o champanhe do  Ano Novo. É verdade, na mochila das coisas mínimas para a viagem, reservámos espaço para uma garrafa de champanhe, que estoirou às zero horas, para festejar com as estrelas e os pássaros da floresta, mas que infelizmente, não acordou a consciência adormecida de mais ninguém.

Frei Manuel Rito com algumas pessoas em Hatukarau

Já de madrugada, alguém tentou dormir; as conversas dos homens, porém, e as danças das mulheres levaram-nos despertos até à madrugada. Depois, café para acabar de acordar, Laudes para agradecer e pequeno almoço (arroz com carne de veado) para o  regresso (por outro caminho) como os Reis Magos, ou seja, por Samalai, onde chegámos já no dia 1, pelas 10,30, depois de uma chuvada e uma incursão pelos arbustos, aos cogumelos.

Depois da Missa em Samalai, vimos, finalmente ao longe, um sinal de civilização. Era o Toyota com o Frei Fernando e um grupo de jovens. Vinham de Kairui e iriam dar-nos boleia nestes últimos 5 quilómetros até Laleia.

Em casa, o Frei José Luís e a Irmã Nieta esperavam-nos para o almoço de Ano Novo.

Em honra de Cristo e seu servo Francisco. Amem.

Frei Manuel Rito Dias

 

 
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