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Em Timor, PÁSCOA 2006

 

 

Em Timor, PÁSCOA 2006

 

 

A Páscoa dos Judeus, a Páscoa de Jesus e a Páscoa cristã.

Nunca ouvi falar na Páscoa de Timor. Mas ela começou há muito tempo: num Egipto bem próximo e num deserto que ainda continua.

O povo de Timor conhece muito bem a

 

 

Páscoa Judaica,

pois ainda não se libertou totalmente de alguns faraós, que chegaram com a colonização, continuaram com a ocupação indonésia e estão presentes nalguns oportunistas. Além disso, ainda não passou para o outro lado do Mar Vermelho, pois é a Fretilin, marxista, quem governa o maior país cristão da Ásia. A Terra Prometida virá depois, ninguém sabe de que lado vai vir, quando chegará, quem a vai trazer. A fé apenas lhe diz que há um Deus da Promessa e um caminho de esperança.

 

Igreja de Motael em Díli

 

 

A Páscoa de Jesus

começou em Timor há 490 anos,

quando, no dia 18 de Julho de 1515 desembarcaram em Lifau, província do Oecussi, os primeiros missionários portugueses e, com eles, a Boa Nova de Jesus. Ali estão ainda alguns sinais desse primeiro encontro com o Cristianismo: os nomes dos primeiros missionários dominicanos, franciscanos e jesuítas, um padrão com as cinco chagas e uma pedra dizendo: Lifau foi conquistada com a cruz de Cristo, água e sal, e não com as armas. Desde então, esta cruz de Cristo foi penetrando em Timor e na Ásia, esta água e sal foram regando a terra e fecundando os corações de tantos que, como a Samaritana, esperavam o Dom de Deus. Hoje, Timor é o país mais católico de toda a Ásia, graças a este primeiro grupo de evangelizadores que se lançaram “por mares nunca dantes navegados” e por terras nunca dantes evangelizadas.

 

 

A Páscoa cristã

vai acontecendo todos os dias,

à medida que o povo vai vivendo a sua fé e esperança, aceitando a sua história, libertando-se dos seus tiranos, construindo o futuro do país. Também aqui, em Motael (Dili) e em Laleia (Baucau), as nossas duas paróquias, herdeiras também do Evangelho trazido há quase 500 anos, estão a viver estes dias festivos.

 

Quem já celebrou 32 Páscoas em Angola, pensava que nada havia a aprender nem a superar em matéria de festa, de liturgias e multidões nestes grandes dias. Afinal há experiências novas aqui vistas e vividas:

 

 

Em Laleia,

o 14 de Nissan coincide com o pico de trabalho da plantação do arroz. Por isso a lectio divina percorreu os bairros, os Ramos subiram da ribeira para a igreja e a Via-Sacra desceu às várzeas do arroz numa iniciativa inédita que transformou a vila numa Procissão dos Passos e os panos roxos e de púrpura em verde dos campos e de esperança.

 

Em Dili,

as celebrações de Quarta-feira de Cinzas (15 celebrantes a impor as cinzas durante uma hora), Domingo de Ramos (18 ministros a dar a Comunhão), Sexta-Feira Santa (11 cruzes a beijar) e Domingo de Páscoa, onde se ouviram cânticos de Frei Acílio e Leonel Ribeiro, ultrapassaram todos os recordes vividos em Santo António de Luanda. Esta vivência quaresmal foi celebrada a todos os níveis. Digno de registo:

 

Irmãos e Postulantes da Fraternidade de Díli

 

 

o Parlamento de Timor,

com todos os seus deputados, teve um dia inteiro de retiro espiritual na quarta-feira santa, orientado por uma irmã canossiana e um padre jesuíta. Enquanto no mesmo dia, à noite, a televisão portuguesa falava em mais de metade dos deputados portugueses que teriam faltado à sessão parlamentar por terem antecipado o fim-de-semana prolongado. Não será engano? Não terão ido também estes participar nalguma via-sacra?

 

No dia de Páscoa, o presidente Xanana, com todo o seu Governo, incluindo o muçulmano Alcatiri, participaram na missa festiva, em Metinaro, presidida pelo bispo de Dili, D. Alberto Ricardo.

 

 

Foi a minha primeira Páscoa em Timor Lorosa’e.

“Não te admires por Eu ter dito: tens de nascer de novo” (Jo 3, 6). Também o sol da Páscoa, em Timor, chega mais cedo, o que não quer dizer que a Quaresma tenha sido encurtada. Pelo contrário, estão à vista os sinais de um tempo penitencial de séculos, que parecem fazer prolongar a Quaresma para além do dia de Páscoa. Nós seguimos também na via-sacra das ruas e das vidas deste povo.

 

 

Frei Manuel Rito Dias,

Timor-Leste, Abril de 2006

 

 
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