<%@ Language=VBScript %> Ordem dos Frades Menores Capuchinhos

PAZ e BEM! Bem-vindo à Página dos Frades Missionários Capuchinhos

Página Principal


São Francisco Assis


Espírito de Assis


Porciúncula


Ordem Capuchinhos


Missão em Timor


Onde Vivemos


Espaço Jovem


Música


Apontadores


 
Notícias da Missão

As fotografias proibidas

 

 

As fotografias proibidas

 

 

1. Gostaria de não ter de mostrar as fotografias desta página, aqui, onde procuramos colocar apenas mensagens de paz e bem. Mas foram elas que me procuraram, durante vários dias, porque têm sido uma presença constante nas ruas, nas praças, nos bairros e nos mares desta cidade de Dili.

 

Mães e crianças buscam refúgio junto das igrejas

 

Durante estes dias não pude deixar de ver colchões, latas de conserva e garrafas de água à porta das igrejas e residências paroquiais; não pude fugir ao olhar de centenas de mães e crianças à procura de um lugar onde ficar porque a casa fora incendiada; não pude deixar de abrir a porta do nosso quintal a pessoas que foram ameaçadas ou andavam à procura da mulher, dos filhos ou do marido. Os armazéns fecharam-se, as ruas estavam vazias e os barcos de pesca foram substituídos por navios de guerra.

 

"os barcos de pesca foram substituidos por navios de guerra"

 

Aquilo que para muitos não passava de boatos acabou por ser realidade para todos. Sabe-se como tudo começou; ninguém sabe como vai acabar. Além das vítimas mortais já causadas, além dos incêndios das casas, além das fugas para fora da cidade e do país… o pânico, a incerteza, a dúvida, tomaram conta das pessoas e ninguém sabe até quando e até onde pode ir esta situação geral de pessimismo e desespero. Entre os atingidos, estão dois padres: o padre Mouzinho, reitor do seminário menor, foi atingido quando transportavam populares para lugares de refúgio e teve de ser levado para Darwin para ser operado; o padre Agostinho Soares, Vigário Episcopal para a Pastoral, foi vítima de incêndio na própria residência.

 

Aqui, em Dili, de um lado a montanha, o caminho do êxodo, o desconhecido e o silêncio; do outro lado o mar, o mistério e o infinito; no centro, o labirinto, as lágrimas, o fogo e a morte. (Ironicamente, o palácio presidencial é conhecido pelo nome de Palácio das Cinzas).

 

 

2. Os militares estrangeiros chegaram, mas nem por isso chegou a tranquilidade e a segurança. Circulam apenas em determinadas zonas e têm limitações quanto à sua actuação em frente dos bandos armados.

 

Muitos timorenses têm esperança na GNR de Portugal. Dizem que é uma polícia com muita competência, que já a conhecem e é a única que entende o povo de Timor.

 

Tanque de guerra patrulha a estrada marginal

 

3. Eram duas horas e 20 da madrugada. Os cães foram os primeiros a dar sinal; logo se ouviram os disparos; logo um alarido de mulheres dentro das casas e, de seguida os jovens e os homens tomaram conta das ruas. Um carro de pessoas armadas tinha tentado assaltar as casas. Depois de vários disparos fugiram em debandada, mas foi o suficiente para deixaram este bairro em sobressalto o resto da noite.

 

Passou-se na nossa rua, em Motael. Várias mães com suas crianças, entraram no nosso quintal à procura de melhor abrigo. Aí ficaram até amanhecer, enquanto vários piquetes de moradores organizaram a vigilância do bairro.

 

 

4. Durante estes últimos dias estivemos retidos em casa. Os acontecimentos não permitiam a circulação nas ruas.

 

Agora o ambiente parece que começa a desanuviar-se. Há já algumas lojas a abrir, alguns carros circulam pela cidade e muitas pessoas começam a perder o medo e atrevem-se a enfrentar os riscos e tentar resolver a sua vida.

 

Para uns é a tentativa de voltar à normalidade, para outros é ainda a tentativa de regressar às suas terras.

 

O futuro está nas mãos de Deus, na capacidade dos governantes e na boa vontade de todos os que podem colaborar na pacificação dos espíritos.

 

O ambiente geral, porém, continua a ser de expectativa. Antes era a expectativa em torno da reunião do Presidente com o Conselho de Estado; agora que se sabe das conclusões é a expectativa sobre a sua aplicação e até que ponto essas medidas serão suficientes para resolver a crise. Para todos Dame no kmanek.

 

Frei Manuel Rito Dias,

Díli, 2 de Junho de 2006

 

 
Página Principal | Capuchinhos em Portugal | Contactos | Ficha Técnica | Sugestões

© 2006 Ordem dos Frades Menores Capuchinhos (Portugal)