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Maromak mak domin

 

 

Maromak mak domin

 

Foi um curso inédito tanto para mim como para

os seminaristas de Dili. Tema: exegese de João;

lugar: campo de refugiados.

 


 

À noite, fazem turnos de vigilância aos portões; ajudam famílias numerosas; tranquilizam os jovens; trazem para aqui um balde de água; levam para além um colchão; vão ao refeitório do seminário buscar leite para uma criança; alguns tentam dormir um pouco e alguns conseguem ainda espreitar o Mundial do futebol.

 

As aulas de exegese sobre os escritos de São João corriam na sua normalidade até ao dia em que, devido à insegurança das populações de Díli, o seminário viu-se obrigado a pôr todo o seu espaço à disposição de milhares de refugiados. As aulas foram transferidas para uma escola primária, ali em frente. De manhã, os seminaristas atravessam a rua e assistem, na escola, às lições de exegese; de tarde e parte da noite, voltam ao seminário e assistem os deslocados.

 

Alunos do Seminário

 

Ou seja: de manhã, com a Bíblia aberta, fazem a análise literária ao texto: Deus é amor = “Maromak mak domin” (1 Jo 4,8); de tarde, procuram testemunhar esse amor junto dos velhos doentes e crianças com paludismo.

 

De manhã, abrem o “Livro dos Sinais” (Jo 1,19–12) e interpretam os gestos de Jesus feitos com os pobres do seu tempo e da sua terra; de tarde, tentam repetir esses gestos com os pobres deste tempo e deste país.

 

De manhã, ouvem a minha própria leitura crítica do “Discurso do Pão do Céu” (Jo 6); de tarde, convertem o Discurso de Jesus e o meu em pão da terra, que distribuem aos famintos.

 

De manhã, especulam sobre o verdadeiro sentido da outra “Água Viva” que Jesus prometia no Evangelho (Jo 4, 7-20); de tarde, eles próprios servem às crianças a água que a Samaritana procurava no poço de Jacob.

 

De manhã, esforçam-se por encontrar o simbolismo dos 144 mil marcados com o sinal do Cordeiro; de tarde, vão ter com os 2600 marcados com as feridas da guerra e da exclusão social.

 

Refugiados nas instalações do Seminário de Díli

 

De manhã, bocejam diante de uma explicação sobre o mundo circular, repetitivo e fatalista da filosofia grega; de tarde, perguntam, diante de tanto sofrimento e injustiça, como é possível um mundo diferente, ou seja, linear, ascendente e progressivo, proposto pela filosofia bíblica e cristã.

 

Eu, armado em professor e mestre, limito-me a dizer-lhes, no último dia de aulas: O valor de tudo o que estais a fazer com os refugiados não depende em nada destas aulas; mas, toda esta doutrina que aqui aprendestes de nada serve sem aquele serviço prestado aos irmãos. É também São João que o diz: «Se alguém, vendo o seu irmão com necessidade, lhe fechar o coração como é que o amor de Deus pode permanecer nele?» (1 Jo 3,17).

 

A melhor interpretação da Bíblia é aquela que descobre o verdadeiro sentido da história e dos povos, tendo em conta que não há uma história do mundo bíblico e uma outra história do mundo pagão.

 

A exegese viva das pessoas e suas situações é o melhor manual para dar autenticidade à exegese literária da palavra de Deus.

 

Assim, «ainda que eu conheça os mistérios e toda a ciência» (1 Cor 13,2) e até descubra o segredo do polémico “comma ioanneum” (1 Jo 4,8) e saiba desvendar o enigma   do número 666 (Ap 13,18), e o significado das duas Bestas com seus 10 chifres e 7 cabeças (Ap 13,1)… «se não tiver caridade, nada sou» (1 Cor 13,3).

 

Frei Manuel Rito Dias,

Díli, 26 de Julho de 2006

 

 
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