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Timor ida de'it

 

 

Timor ida de'it

 

 

A QUARESMA

QUE DEUS NÃO QUER

 

Há Quaresmas que os homens fazem mas que Deus não quer. Timor está a passar por uma delas. Incêndios, assaltos, estradas bloqueadas com pedras e pneus em chamas, pessoas em fuga, outras, que já tinham deixado os campos de refugiados, são obrigadas a regressar às mesmas tendas.

 

Jovem usa uma t-shirt para apelar à unidade do povo: Timor ida de'it (Um só Timor)

 

É verdade que não se ouvem disparos de armas e as que se ouvem são de forças policiais (diz-se), mas também se mata com a destabilização do ambiente, o pânico, a incerteza e a aflição de uma insegurança permanente.

 

Por vezes, os causadores destes conflitos não passam de furtivos atiradores de pedras aos carros, outros dispõem apenas de uma fisga; mas, a verdade é que estas insignificantes “armas” costumam ser tão certeiras e tão venenosas como a do David bíblico que derrubou o gigante.

 

O julgamento e condenação do ex-Ministro do Interior, Rogério Lobato, tem tido nestes dias um efeito cirúrgico e salutar sobre algumas sórdidas politicas passadas, mas sem ter conseguido a cura definitiva da epidemia, pois há ainda, no distrito de Same, um Major armado a infectar as matas e as populações.

 

Esta é uma quaresma suplementar, desnecessária, que o povo não quer e até contrária àquela que determina a sua fé: a do perdão, da misericórdia de Deus e da reconciliação humana.

 

 

A ÚNICA PÁSCOA

 

Só a Quaresma da conversão é cristã e leva à Páscoa do homem novo e da nova humanidade.

 

Em Timor, este ano, a Páscoa vai ser marcada pelas eleições presidenciais.

 

Será que no dia 9 de Abril, o povo poderá continuar a cantar o Aleluia pascal?

 

Todos os candidatos querem salvar o país da anarquia; todos desejam o bem do povo; todos são levados por um alto espírito patriótico; nenhum deles vai por interesse pessoal; nenhum diz que não avança a não ser em nome do bem comum. Até aqui nada da especial. Porém, pelo que dizem os jornais, os taxistas, os vizinhos, os outros políticos, os refugiados de Comoro e a minha própria suspeição, todos os cenários são possíveis nas próximas eleições para Presidente da República.

 

Oxalá que o dia 9 (segunda-feira de Páscoa) seja o prolongamento do grande dia anterior, e que Este (é o) Dia que o Senhor fez” dure muitos meses e tinan ba tinan.

 

 

NOVAMENTE PENTECOSTES

 

:: “A paz esteja convosco” foi o que Cristo disse aos Apóstolos no dia de Páscoa. Vai fazer já um ano que essa paz foi roubada às populações de Timor.

 

Vejo as igrejas cheias de cristãos; vejo os políticos cheios de boas palavras; vejo o povo cheio de cicatrizes e lágrimas… Porém, aos cristãos falta o testemunho; aos políticos falta a coerência; ao povo falta o pão da verdade e começa a faltar também a paciência.

 

:: “Aquele que trespassaram estimular-nos-á a abrir o coração aos outros reconhecendo as feridas provocadas à dignidade do ser humano”, diz o Papa, na sua Mensagem quaresmal deste ano.

 

Hoje, em Timor, é no perdão e aceitação do outro que iremos curar as feridas da guerra e reconhecer a dignidade humana em cada um; é nos campos de refugiados de Dili e nas crianças sub-nutridas das aldeias que temos de testemunhar a Ressurreição de Cristo.

 

:: “Ami halo apelu mos ba Timor-Leste nia oan-feto no oan-mane sira tomak no ema tomak ne’ebé buka di’ak”, dizem os Bispos de Timor e o novo Núncio Apostólico, em recente apelo à Paz.

 

O papel da Igreja não é tirar as armas aos que fazem a guerra, mas semear a paz onde há violência; não é distribuir arroz aos que têm fome, mas semear fraternidade onde há injustiça.

 

Os Actos dos Apóstolos falam-nos num Pentecostes, depois da Páscoa.

 

Deus já chegou a Timor há muitos anos (talvez ainda antes do avô crocodilo).

Cristo também já aqui nasceu (com a chegada dos missionários).

A Igreja foi crescendo, e muito (pelo menos em número de baptizados).

O país experimentou já, e bem forte, os sofrimentos de Cristo (nas lutas de libertação).

Mas também a Ressurreição (no dia da Independência).

Talvez o povo, agora, esteja à espera do Pentecostes.

 

Frei Manuel Rito Dias,

Díli, 16 de Março de 2007

 

 
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